Quarta-feira, Abril 30, 2003

OS LAMPIÕES ESCLARECEM: Passo a explicar as circunstâncias que envolveram a suspensão de Mário Jardel. Foi uma jogada de mestre! Já mencionei em artigo anterior que o rapaz está muito em baixo (nem parece o mesmo), mas ainda assim é preciso ter cuidado! É verdade que o Super Mário tem marcado poucos golos sem ser de penalty, mas ante a eventualidade do João Manuel Pinto ser titular, todo o cuidado é pouco. A verdade é esta! O Argel está castigado e qualquer avançado se torna perigoso quando o opositor é JMP… Esteve bem o sr. Luís Filipe Vieira em tomar esta medida preventiva. Ah… Já agora, um obrigado à Liga. Os jogos do nosso campeonato são tão bons, que não precisam de tipos como o Jardel para estragá-los com golos.
GB 15:12
VIVAS AO LADRÃO:
i keep the wolf from the door
but he calls me up
calls me on the phone
tells me all the ways that he's gonna mess me up
Está quase aí, o novo album, já ouvi uns avanços... promete.
K. 00:20
ROMÂNTICO: A Cartilha soube que o Sérgio Conceição prefere ouvir o Estupidamente Apaixonado a caminho do estádio. Por isso, desde já, lançamos uma campanha para entrega de discos românticos na sede da FPF, de modo a que não falte nada aos nossos rapazes quando fizermos de conta que somos um país rico e recebermos o EURO 2004. O amor acima de tudo. Até podemos não ser campeões da europa, mas pelo menos a nossa selecção vai ser a mais apaixonante.
K. 00:13

Terça-feira, Abril 29, 2003

CRIANÇA: Um verdadeiro golo, acabei ainda agora de ler Ian McEwan pela primeira vez. A Criança no Tempo (The Child in Time no original), provocou-me uma pequena exaltação. Ambientes que me fascinam: o tempo, a sua variabilidade, a sua perda, o recuperar, o seu significado, mas acima de tudo as personagens em perda, caindo na solidão. Se isto é a infância, mal posso esperar pela maturidade.
K. 21:06
A DESCULPA: Finalmente, depois de muito matutar, lá me lembrei de como me devia justificar. Quando pensava que não havia nada a fazer, tinha era que manter a boca calada, eis que uma intervenção da Divina Providência permitiu a justificação. A justiça desportiva portuguesa, coerente como sempre, castigou o Jardel e afastou-o do derby. Quando todos os lampiões já tremiam de medo de ver o gajo a marcar os golos todos que não marcou este ano, vai a liga e lixa isto tudo. Está tudo dito, com esta perseguição não se podia ganhar nada, isto foi tudo arranjado pelo L.F. Vieira que enquanto aparece e não aparece com a melhor equipa do mundo tinha que empregar em alguma coisa o seu tempo. O que lhe valeu, a ele e à nossa liga, é que o Jardel ainda não se conseguiu transferir, senão a esta hora não havia jogador para castigar!
K. 20:45

Segunda-feira, Abril 28, 2003

VÃO SABER O QUE CUSTOU A LIBERDADE... Paulo de Carvalho imortalizou esta frase no refrão de "Os meninos do Huambo", mas eu senti na pele o significado das palavras. Tudo aconteceu na última noite de 24 para 25 de Abril. Saio de casa com a minha namorada, para regar a alma com algum alcool e ver o fogo de artíficio que comemorava mais um aniversário do dia da liberdade. Até aqui, tudo bem. Chego ao Seixal e estavam os "Anjos" em pleno auge da sua actuação. Começa a correr mal, mas ainda não assusta... Afinal de contas eu não era obrigado a prestar atenção à música e eles até são muito bons rapazes (sem ironia, eu conheço-os pessoalmente). De repente os irmãos Rosado saem de palco mas vem algo ainda pior - O mesmo discurso comunista de sempre, do Presidente da Câmara. "Os trabalhadores"... Tédio... "O pacote laboral"... Mal estar acentuado... "A guerra injusta"... Agonia... Ele calou-se, mas voltaram os "Anjos"!!! Sem palavras!... Por fim, alguma misericórdia... Chega a meia noite, estamos no dia 25 de Abril e começa o fogo de artíficio. Foi bonito. Eu estava lá e vi. Mas também vi ao longe que o de Lisboa era muito melhor... Lá estão os capitalistas a entalar outra vez os comunas... Nunca esquecerei este dia. O dia em que descobri o que me custou a "liberdade".
GB 18:12
VERDE ESPERANÇA Eu, benfiquista confesso, sou suspeito para falar sobre o assunto... Mesmo assim, cá vai disto! O que resta do campeonato de futebol vai ser um calvário para o Sporting Clube de Portugal. Receber o Beira-Mar, que está em risco de descer de divisão, empatar (1-1) e jogar tão mal é verdadeiramente notável. Quem se arrasta nas imediações da "linha d'água" deve estar desejoso por enfrentar o "leão", na expectativa de amealhar mais pontos na luta pela sobrevivência. Este Sporting apático e deprimente parece o Benfica dos últimos anos. Realço as diferenças mais evidentes para que não haja confusões: 1. O Sporting é dirigido por pessoas sensatas e equilibradas (não prometem todos os anos, equipas de sonho, como fazem os rivais da luz), mas a estabilidade não se reflecte na equipa 2. Tem bons jogadores e não troca de plantel a cada defeso que passa, mas o conjunto funciona cada vez pior 3. Tem Jardel e consegue que ele só marque de vez em quando... Intrigante... Em resumo - O verde tornou-se na cor da esperança para os adversários. A célebre canção "Só eu sei porque não fico em casa" é cada vez mais incompreensível... Um verdadeiro hino ao masoquismo, especialmente em dias de chuva.
GB 17:51

Domingo, Abril 27, 2003

TIPOS...(2): Não presenciei: No feriado, dia da liberdade. Uma fila de clientes num super-mercado. Chega a vez de uma senhora. Vira-se para a caixa:
- Então, estão abertos, hoje?
- Minha Senhora, hoje estamos abertos o dia inteiro.
Visivelmente indignada a senhora protesta.
- Não há direito. Estes espanhóis são mesmo uns fascistas!
Uma outra senhora, atrás na fila, interrompe.
- Mas, desculpe lá, isto já não é dos espanhóis, para aí há uns dois ou três anos que é dos franceses.
- É verdade minha senhora.
Desiludida a senhora conforma-se.
- Ah, pois…
A senhora lá fez as compras, graças aos fascistas espanhóis ou franceses, a rapariga na caixa lá continuou a ser explorada, e a cliente seguinte finalmente avançou para a explorar um pouco mais. Para o ano há mais.
K. 22:36
Democracia: Não foi em Abril que garantimos a liberdade. Senão tinha que escrever isto com medo de quem o pudesse ler.
K. 22:25

Quinta-feira, Abril 24, 2003

PARABÉNS: Pronto, das duas, uma. Passou o Porto, ficou o Boavista.A Cartilha do Facho Olimpico (revelando finalmente a sua faceta desportiva) felicita o F.C. Porto. Os tripeiros estão na final e merecem-no bem. Ao Boavista resta a consolação de ter ido até onde ninguém acreditava. Também estão de parabéns. Agora resta o Porto e ou muito me engano ou os gajos bãoue limpar aquilo. Carago!!!
K. 22:12
NOVO PARTIDO?: Como também fui classificado como libertário de esquerda no tal teste. Será altura de formarmos um partido?!
K. 07:33

Quarta-feira, Abril 23, 2003

TIPOS… Junto a uma bomba de gasolina está um carro estacionado. Outro chega. Do carro recém chegado erguem-se dois vultos, dois rapazes. É fim de tarde, principio de noite. Um homem sai do primeiro carro. Cumprimentam-se todos, o homem mais à vontade, os rapazes sem confianças em demasia. O homem abre a mala do carro e tira uma caixa.
- Aqui tens a box.
- Ok. Tá aqui o dinheiro.
- Baril, já sabes, quando quiseres alguma coisa.
- Ok… Se calhar um dia destes encomendo-te uns DVDs.
- Está bem, mas não me mandes mails agora que eu estou sem Internet.
- Ok, um dia destes.
O homem gingão, embala e começa a contar:
- Vê lá que os gajos da TV Cabo só me fazem estas merdas. Já uma vez fiquei sem sinal uns dias por causa de umas merdas que andaram lá a fazer e depois não quiseram descontar os dias que eu estive sem aquilo. Quer dizer: eles é que fazem a merda e eu é que pago. Disse-lhes logo que não mas faziam outra vez. Agora foram mudar não sei o quê e aquilo tem uns problemas e eu sem Internet. Eu disse-lhes: como é, depois descontam estes dias? Eles disseram que não. Então vão mas é p’ró ******. Perguntei como é que fazia para cancelar aquilo. É só mandar um fax. Tudo bem, mandei um fax e já falei para a Cabovisão e quando eles tirarem de lá as coisas vão lá os outros. Eu já sei que são todos a mesma merda, mas pronto.
O homem concluiu e os rapazes assentiram. Despediram-se. Ele ainda foi buscar mais uma lista com os filmes que lhe podia arranjar e se quisessem alguma coisa, alguma boxs, telemóveis, o que quer que fosse, arranjava-se. Eles meteram-se no carro e ele fez o mesmo. Apesar da incompetência dos outros, um desembaraçado homem de negócios safa-se sempre...
K. 18:41
AI PAGAMOS! Não misturemos as coisas. A acção social do estado ao nível do ensino superior deve ser reforçada, melhorada e melhor fiscalizada. Eu já trabalhei, um pouco, na máquina, ao de leve, pela rama, mas deu para perceber o que é que a casa gasta. Quem precisa deve ser ajudado e ninguém deve deixar de completar um curso porque as limitações económicas se tornam um obstáculo intransponível.
Dito isto, vamos acabar com a demagogia e tratar de forma diferente o que é, efectivamente, diferente. As propinas vão aumentar, o que é compreensivel. Contra mim falo que ainda estou a acabar o meu curso – e não são os meus pais que o pagam, o dinheiro das propinas sempre veio da bolsa e agora do meu ordenado – e se não o acabar este ano, para o ano pago outra vez que é para a próxima me esforçar mais.
O dinheiro do estado deve servir para melhorar as condições das universidades – aí há muito por fazer, mas a conversa não é bem a mesma – e para permitir a quem não tem dinheiro a possibilidade de levar uma vida digna enquanto frequenta a universidade (também aqui muito ainda está por fazer, mas ainda assim o argumento não pega, porque se pagarmos menos propinas, menos dinheiro o estado tem para apoiar quem precisa). Não deve servir para que meninos e meninas mais ou menos bem apessoados comprem gasolina para os carros que os papás lhes ofereceram, ou para irem para a borga todas as semanas.
Há mil e um argumentos que podemos usar para contestar o aumento de propinas: é porque a educação devia ser gratuita, é porque nem todos podemos pagar, é porque o estado gasta o dinheiro noutras coisas, ele há muito por onde lhe pegar. Mas, no fim, voltamos ao mesmo: quem tem dinheiro deve pagar! Para a questão em debate não é relevante em que é que o estado investe os seus recursos (pode ser relevante se discutirmos a estratégia global face ao ensino), como não é sequer directa a relação com a qualidade do ensino que temos. A exigência de melhor ensino deve ser feita com base numa questão de principio, de pragmatismo, de necessidade, não deve ser maniatada e manipulada como arma de arremesso contra o aumento de propinas. É um argumento vazio. É uma luta vazia e injusta.
K. 18:32
CANHOTO RECALCADO Sou eu, esse rapaz (o canhoto recalcado)... Então não é que um pobre adolescente amadurece a acreditar que os mais nobres ideais humanistas têm o cunho exclusivo da esquerda... Então não é que o passar dos anos e um conhecimento mais amplo do mundo e da vida, nos fazem rejeitar esse pressuposto imbecil... Então não é que descobri ontem, pela internet, que sou um libertário de esquerda! Logo agora que as posições por mim assumidas têm cada vez mais afinidades com a direita! Que chatice! Bastou marcar umas cruzes num teste de escolha multipla, para acordar para a dura realidade e descobrir o meu recalcamento com requintes de esquizofrenia... O teste é vago e inacreditavelmente abstracto, o que me leva a pensar que foi feito à imagem dos políticos da nossa praça. Mais. Os critérios de avaliação são preconceituosos e partem do princípio que para ser de direita temos que ser retrógrados e desumanos!
GB 14:53

Terça-feira, Abril 22, 2003

DARKO, MUITO COMO SE QUER: Em geral nestas coisas, quanto mais negro melhor. No Domingo vi, finalmente, Donnie Darko, já não era sem tempo! Dei o meu tempo por muito bem entregue. A edição DVD é muito razoável e entre os extras figuram 20 cenas cortadas parcial ou totalmente que, nalguns casos, acrescentariam aspectos muito interessantes à fita.
Estreia auspiciosa para Richard Kelly como realizador. Donnie Darko é a primeira longa-metragem deste norte-americano de 28 anos (tinha 26 na altura em que o filme estreou) após duas curtas realizadas em 1996 e 1997.
Donnie Darko move-se entre a ficção científica e os ambientes negros (mais) e ameaçadores (menos) que nos referem o cinema de Tim Burton ou David Lynch. No entanto, o filme de Kelly revela-se mais conciso do que à primeira vista possa parecer, menos complexo que os pesadelos de extracção sensorial e onírica de Lynch. Por de trás dos sonhos, dos fenómenos que o ensombram e à cidade, tudo se resume à luta do protagonista, à sua busca por um certo sentido que lhe é negado sucessivamente, como se todos ostensivamente quisessem ignorar o que a ele lhe parece óbvio. È, ao fim e ao cabo, uma história sobre a solidão, sobre o isolamento a que todos acabamos por estar voltados. Retratado por todas as personagens de um modo geral, é exacerbado no caso de Donnie, que vive martirizado pelos seus problemas mentais, pelas suas dúvidas metafísicas. Apropriadamente o realizador, em comentário no DVD, revela que para si a cena fundamental, o momento charneira do filme, acontece numa das sessões de terapia em que Donnie revela a sua solidão e questiona a existência de Deus. A presença divina também está espalhada ao longo dos 113 minutos que dura esta viagem ao universo de MiddleSex, a cidade onde se desenrolam os acontecimentos. Quase como se Donnie incapaz de se relacionar com a sua família, com os amigos, com a comunidade em geral, esperasse de Deus um sinal, uma explicação, uma pista que o levasse para o caminho certo.
Atormentado por um coelho gigante que o acompanha nas suas deambulações nocturnas, resultantes do sonambulismo, o protagonista isola-se crescentemente, procurando de alguma forma encontrar pontos de comunicação que lhe são negados de outra forma. É sintomático que a determinada altura se recuse a deixar Frank (o coelho) porque se o deixar ficará completamente só. Finalmente Donnie encontra a sua resposta, na páginas de um livro, esse clássico "Filosofias das Viagens no Tempo". Curiosa a referência sucessiva aos livros. È aqui que a película se afasta de um cinema mais cínico e desagradável e se reconverte numa deliciosa fábula negra sobre a solidão e a busca de significado.
Existe alguma doçura na resolução da intriga e a forma, de algum modo conservadora, como o autor explora o mundo da comunidade, as suas relações, os seus conflitos, o conforto material e espiritual, protegendo a família, os afectos, a solidão, afasta-o do cliché do jovem rebelde que quer mudar o mundo. Muito mais interessante, Donnie é um jovem inteligente que não encontra pontes de contacto com os outros, a começar pela família. Mas no fundo, e a todo o momento esta ansiedade está presente, o que Donnie Darko quer é tão somente não morrer sozinho.
Uma palavra para Jake Gyllenhaal muito competente na condução do inconstante Donnie, sempre bem secundado por um elenco consistente, bem como da banda sonora povoada por alguns momentos muito bons, Duran Duran, Tears for Fears, Joy Division, entre outros.
K. 18:32
FINALMENTE EM ESTREIA MUNDIAL: Está quase tudo dito. Este é um blog de inconsequências, mantido por K e GB. A actualização não obedece a um calendário rígido e a temática será tão vasta quanto as nossas humildes vidinhas. Se alguém ler isto por acaso ou não tiver mais nada que fazer, agradecemos que envie a sua opinião para cartilha@softhome.net . O primeiro leitor confesso deste blog ficará para sempre no nosso coração. Vamos dedicar-lhe toda a nossa atenção quer seja para acarinhá-lo, quer para lhe dirigir eventuais insultos.
Saudações,
K e GB
GB 17:14

Segunda-feira, Abril 21, 2003

Está quase...
K. 21:16