Sábado, Maio 31, 2003
LAGARTO: Está a dar O Leão da Estrela. Um leãozinho que se preze não pode deixar de apreciar um optimista como o Sr. Anastácio. Cinco a zero... ou mais.
K. 22:10
POR ESTA É QUE EU NÃO ESPERAVA: Parece que o festival eurovisão da canção foi o programa mais visto pelos portugueses faz hoje uma semana. No fundo, no fundo, nunca quisémos outra coisa.
K. 22:06
TURISMO: João Soares diz (ao Independente) que a FF só se foi para evitar a prisão preventiva e volta para o julgamento. Maria José Nogueira Pinto diz que se fosse com ela fazia como a autarca. Se a moda pega as agências de viagem não vão ter mãos a medir. Deve ter qualquer coisa a ver com a nova aposta no turismo: Vá Dentro lá para Fora!
K. 21:59
DIREITOS: Afinal o resgate de Jessica Lynch não foi tão heróico como tinha sido anunciado. Afinal o argumento das armas de destruição maciça era apenas uma das razões, mais um pretexto, para a intervenção americana no Iraque. Surpreso? Eu não. Decidindo (apenas a minha posição) com os factos que se me apresentam achei que devia apoiar a intervenção. Porque Saddam não é de confiança, porque o seu afastamento podia melhorar a vida iraquiana e ter um efeito perturbador positivo na área, porque não havendo certezas sobre o arsenal quimico, biológico e nuclear do Iraque, competia a Saddam provar a sua inexistência (que nunca fez) e haviam razões de sobra para desconfiarmos do seu comportamento no futuro - foi, que eu tenha conhecimento, o único líder no mundo que se congratulou com os atentados de 11 de Setembro - sem as pressões que se exerceram sobre si nos últimos meses. Posto isto, nunca achei os americanos anjos de trazer por casa. Nunca considerei que iam para o Iraque por razões humanitárias, nem que o petróleo não tivesse a sua quota parte de influência na estratégia americana. Era até óbvio que uma vitória americana no Iraque iria proporcionar uma reordenação geoestratégica na área, que eu entendo que pode e deve ser benéfica para a área e para o mundo ocidental. Quanto à propaganda de guerra, nem merece comentários. Se não tivesse existido é que era de estranhar. O que me preocupa é outra coisa, verdadeiramente inaceitável, algo que é uma vergonha para um país com os Estados Unidos da América: os prisioneiros de Guantanamo. Detidos à margem do direito interno americano, privados de grande parte dos seus direitos. Já era hora dos americanos acabarem com algo que é impróprio da sua democracia.
K. 21:12
Sexta-feira, Maio 30, 2003
SERMÃO VI - TERRORISMO: Sobre a tragédia pouco mais há a acrescentar. Quanto ao horror, à barbárie não fica muito por dizer depois do que se disse. Apenas de que nos esquecemos muito depressa. Um ano depois já se falava em paranóia terrorista, já se falava de Saddam Husein como se de um anjo se tratasse, e se culpava Bush pelo 11 de Setembro. Agora, quase dois anos depois, parecemos ignorar que existe uma ameaça e queremos fazer de conta que não se passa nada. Porque não podemos fecharmo-nos aos outros, sob pena de nos descaracterizarmos, temos que combater este cancro quando e onde podemos. Temos que o combater defendendo a nossa cultura, o nosso modo de vida e não pedindo desculpa por sermos como somos. Temos que o combater corrompendo o Islão Radical, exportando tudo o que possa forçar a uma democratização progressiva daqueles povos. E temos que o combater quando, ameaçada a nossa segurança, necessitamos de fazer guerra a regismes facínoras e abjectos.
K. 01:13
SERMÃO V - AMÉRICA: Sir, estou muitíssimo ligada à América. Estou sempre a barafustar, sempre a censurá-la, frequentemente a condená-la e muitas das suas coisas perturbam-me. Vezes demais são esquecidos os nobres princípios em que o país nasceu, ouseja, os princípios formulados pelos Pais Fundadores, para começar. O seu culto infantil da opulência, o seu desperdício da riqueza. A sua avidez grosseirea, a sua arrogância económica e militar. O mesmo que a França e a Inglaterra na época do seu maior poderio. E também a de uma chaga hoje bem sarada, mas que durou demais: a chaga chamada escravidão... E também algumas lacunas nos conhecimentos, porque os seus conhecimentos são soberbos no âmbito científico e tecnológico, mas não no âmbito filosófico, histórico e artístico. E também a constante exibição de sexo, de violência, de brutalidade a que nos habituaram por exemplo através do seu cinema. como também algumas vulgaridades devidas à Plebe Resgatada em muitos casos não educadada- E, no entanto, a ela estou muito enlaçada. Profundamente enlaçada. A América é para mim um amante, melhor, um marido cheio de defeitos a quem permanecerei sempre fiel. (Desde que não me ponha os cornos, que isto fique bem claro!) Gosto muito deste amante, deste marido. É-me simpático. Admito a sua genialidade, a suia frontalidade, o seu optimismo, elogio a sua confiança em si mesmo e no futuro, a deferência que tem com a Plebe Resgatada. Aprecio a infinita paciência com que suporta os insultos, as mesquinhices. E, naturalmente, eu respeito o seu sucesso sem precedentes, isto é, o facto de nem ter precisado de dois séculos para se tornaro primeiro da turma: o país a que todos aspiram, a que todos recorrem pedindo ou esperando ajuda, por quem todos sentem inveja e até ciúme. Eu respeito-o e nunca me esquecerei de que, se este país não tivesse vencido a guerra contra Hitler e Mussolini, hoje eu falaria alemão. Nunca me esquecerei de que se a América não se tivesse oposto à União Soviética, hoje falaria russo. Revejo-me em algumas coisas, nem tanto noutras. Mas isso não interessa. O que é importante é que se um dia lá for posso gostar e não gostar, posso provocar protestos ou aclamações, mas muito provavelmente vou ter espaço para ocupar. O fabuloso A Última Hora de Spike Lee é um retrato da Nova York pós 11 de Setembro e é um monumento desarmante ao melting pot que á a Big Apple e de certo modo a América. Por muito que custe às cigarras de luxo (como lhes chama Oriana Fallaci) que, depois de verem as torres gémeas a arderem, gritavam com mais ou menos força é-muito-bem-feito-para-os-Americanos (mais uma expressão de Oriana), e que, sempre prontos a manifestações contra Sharon ou Bush, cinicamente apreciavam o 11 de Setembro ou timidamente o condenavam.
K. 00:49
SERMÃO IV - EUROPA: Genericamente estou de acordo com as acusações à Europa pedante e sobranceira, que vivendo à sombra da protecção prestada pela América, se arroga uma superioridade moral que não tem. No entanto nesta questão de passar a mão pelos terroristas islâmicos a América também tem a sua quota parte de responsabilidades e provavelmente não ficam nada a dever a Berlusconi em negócios e amizades com a família real saudita.
K. 00:15
SERMÃO III - OS BUDAS DE BAMIYAN E OS MUSEUS DE BAGDAD: Reduzir os crimes culturais dos taliban e outras monstruosidades dos regimes radicais islâmicos à fé muçulmana é maniqueísta. O Alcorão permite interpretações fundamentalistas, provavelmente tanto quanto a Bíblia, e se é certo que o Islão não passou pela reforma do cristianismo não se lhe pode atribuir a exclusividade dos crimes sobre as obras de arte, sobre a cultura, a história e a memória da humanidade. Já o cristianismo o fez, para não irmos mais atrás, e nem sequer é propriedade absoluta das religiões, sucedem-se os regimes e as ideologias que o praticaram abundantemente. E, mais importante ainda, as estátuas são estátuas, os livros, as imagens, os quadros, são sagrados (pelo menos para mim) mas mais sagrada é a vida e por isso perdou-o-lhes mais facilmente os Budas de Bamiyan que as mulheres que executam, que diminuem, que humilham. Calculo que Oriana também, mas a forma como relata estes episódios tende a equipará-los às vidas que ceifaram convencidos de estarem a lutar pela glória da sua religião. Por isso é que não compreendi a histeria das gentes com os assaltos aos museus de Bagdad e o silêncio cúmplice e desvalorizador para com as valas comuns onde milhares de cadáveres se acumulavam.
K. 00:05
Quinta-feira, Maio 29, 2003
SERMÃO II - OS OUTROS CÁ: Voltamos a A Raiva e o Orgulho. A questão do confronto de culturas e superioridade de civilizações fica para depois. Independentemente dessa questão, não posso concordar com um sugestão latente: não os queremos cá, corrê-los a todos. Primeiro: porque não quero fazer como aqueles que abomino e fazer-lhes o que eles me fazem a mim. Segundo: é injusto colocar tudo no mesmo saco - ainda que concorde com o desmontar do berreiro do racismo, de que devemos relevar o que aqueles que não se sabem comportar fazem, de que devemos entender todos os seus comportamentos na nossa casa e daqui falar com deferência dos costumes que, praticados na casa deles, nos oprimem - e pretender que todos os árebes são assim, que todos vendem droga e desrespeitam os idosos. Terceiro: é exactamente a nossa capacidade para os integrar, apesar da perturbação e dor que isso introduz nas nossas sociedades, que reside um dos avanços mais extraordinários da nossa civilização.
K. 23:33
MATRIZ RECARREGADA: Reloaded não desmerece o Matrix original mas não o suplanta, nem sequer iguala. Porquê? Porque os irmãos Wachowski esticaram-se de mais. Porque um filme de acção e aventura não devia querer ser mais que do que realmente está destinado a ser. Há determinados momentos onde a insistência em querer ir mais fundo, em ser inteligente, em propôr conceitos de ordem filosófica emperra o livre desenrolar da acção. O primeiro Matrix é um salto, daqueles que Neo ou Morpheus dão, um salto enorme, cheio de ideias e questões interessantes, visual e tecnologicamente marcante. O segundo Matrix é um voo, mas longe de ser como o de Neo, um voo irregular onde as ideias querem ser mais do que têm capacidade para ser, mas apesar de tudo aterramos em segurança. Existem sequências deslumbrantes (especialmente Neo contra as resmas de Agent Smiths), e apesar dos abusos filosóficos o enredo não descamba, as questões gerais - não a retórica oca - mantêm o interesse e a espectativa para a terceira parte, as Revolutions.
K. 22:31
ECUMÉNICO: Curiosamente ou não, ao abrir o livro de Oriana Fallaci dou com um separador da Difel (a editora). Um separador publicitário: O Livro Negro da América de Peter Scowen. Será a editora preocupada que eu me intoxique com a violência de Oriana ou terá sido o rapaz da Fnac - onde há muitos meses comprei o livro que pacientemente aguardou a sua vez - que entendeu que eu andava com más leituras e me quis abrir os olhos?! Terá sido um esforço do destino que quer unir visões desavindas?
K. 00:23
SERMÃO: Acabei de ler A Raiva e o Orgulho de Oriana Fallaci. Ao contrário dos muitos livros editados entretanto por políticos, investigadores, estudiosos, etc., sobre o 11 de Setembro, o sermão (como ela lhe chama) de Oriana é fundamentalmente um grito individual, um testemunho pessoal, um relato por vezes toldado pela emoção exarcerbada, por isso pouco construtivo. Mas é também a palavra de alguém que sempre se bateu pelos seus ideais, que nunca vergou e que sabe do que fala, que conhece. Seguir-se-ão, conforme a disponibilidade temporal e intelectual, outras considerações sobre aspectos particulares da obra e se me der para aí uma incursão sobre o choque de culturas e o relativismo cultural e antropológico.
K. 00:17
Quarta-feira, Maio 28, 2003
PUPILOS: O outro jornalista fascinado: é bonito tu dizeres isso. E foi bonito ouvir um diálogo deste quilate.
K. 22:12
FILÓSOFO: Perguntas habituais dos jornalistas desportivos: como é que se sentiu ao marcar o golo?; está feliz com a vitória?. Mas não há ninguém que possamos citar de forma tão abundante como Gabriel Alves (Gabi para os amigos). Final da Liga dos Campeões, mais uma preciosidade:É preciso dizê-lo: um jogo grande mas que esteve longe de ser um grande jogo.
K. 22:10
ODE A FERNANDO ROSAS: O K chamo-me a atenção para um texto de Fernando Rosas, que vem n'O PÚBLICO de hoje. O título é "Em Defesa da Justiça". Vou atalhar caminho, porque aquele artigo é uma aborrecida dissertação sobre cabalas e novas formas de fascismo trazidas à luz pela direita portuguesa. Parece que para o deputado do Bloco de Esquerda todos os males da sociedade são culpa da direita. Qualquer dia, até o facto de haver pedófilos é culpa da direita. É a eterna e irritante mania das perseguições. Fernando Rosas quer justiça mas não faz mais do que descredibilizá-la. Não faz mais do dar a entender que a democracia é uma farsa, um jogo onde impera o mais forte ou o que tem mais poder. Aquele senhor que clama em defesa da justiça termina o seu pensamento com as seguintes frases: "Percebo que o Presidente da República apele à serenidade. A serenidade é, sem dúvida, muito conveniente. Já agora convém que não adormeçamos todos empanturrados em serenidade. Há sonos de que se acorda fatalmente tarde." A pergunta é, Sr. Fernando Rosas: Neste momento, qual é a alternativa à serenidade? Devemos desatar todos aos berros? Devemos decretar que a máquina judicial é incompetente ou fraudulenta e, por consequência, sermos nós (eu, ele ou a minha avó) a fazermos justiça?
GB 19:59
PROTEST POST: Este rapazinho não tem mais nada para fazer? Como é agradável fazermos elogios a nós próprios por interposta pessoa. Já agora, esta suposta preciosidade de Thom Yorke :the U.S is being run by religious bigots that stole the election.Uma, não é verdade; duas, já foi repetido à saciedade. Quanto ao título do album (Hail to the Thief, origem do orgulho mártir de Moby por ter sido adoptado como grito de protesto contra a vitória de Bush) leiam na entrevista ao Telegraph: The line 'Hail to the thief' appears in the album's first song, 2+2=5. Yorke first heard it on Radio 4, during a discussion of a previous president, John Quincy Adams, 'whose father stole him the election and who was known as the Thief throughout his presidency. It struck me as the most amazing, powerful phrase, regardless of the circumstances. It will annnoy me if people say it's a direct protest because I feel really strongly that we didn't write a protest record, we didn't write a political record. Isto não invalida as fortes convicções esquerdófilas do líder dos Radiohead, nem se o entusiasmo generoso de Moby fosse justificado retiraria mérito a um album prometedor. É só para que conste.
K. 19:22
HESITEI: Não sabia se deveria comentar isto. Não!
K. 18:47
Terça-feira, Maio 27, 2003
FRENTE A FRENTE: A Sic Notícias terminou agora há pouco um debate entre duas enormidades da nossa política. Juntos e a cores dois exemplares que desprezo particularmente. Um acha que é único e continua remoer na derrota autárquica, enquanto se prepara para, quase só, se bater contra a santissima trindade das cabalas: Portas, Santana e Durão. O outro acha que é o eterno D. Sebastião que vem salvar a pátria da decadência e, como parece que o novo partido limita os mandatos a quatro anos, lá para 2007 tem que inventar um novo partido, desta vez para os desiludidos dos desiludidos.
K. 22:06
Segunda-feira, Maio 26, 2003
PARA MIM: “É muito estranho, nos dois casos, que eu tenha dado em escrever o diário em circunstâncias em que não contava – por assim dizer, na linguagem de todos os dias – ver-me livre do sarilho em que estávamos metidos. Não esperava sequer que aquele registo me viesse a sobreviver. O que mostra que se tratava de uma pura necessidade pessoal e de alcance íntimo, e não de uma exigência egoísta de amor próprio.” Joseph Conrad in A Linha de Sombra.
Curiosa a constatação da personagem central de A Linha de Sombra, provavelmente poder-se-ia aplicar a um vasto número de autores, de escritores, especialmente de ficção, poesia. Não a todos com certeza, mesmo a muitos dos grandes nomes que escrevem quase por atacado, mas com enorme qualidade, mas mesmo esses devem sentir uma chama diferente quando escrevem, devem sentir um certo rigor interno, quer ele venha de uma necessidade de verdade, de um sentido ético ou de puro pretensiosismo ou vaidade. O tema é fascinante, a comunicação como necessidade de nos fazermos ouvir para nós próprios em primeiro lugar (independentemente de alguns fazerem disso modo de vida, de o partilharem com as pessoas, por vezes de o fazerem até atendendo a algumas condicionantes temporais e comerciais), como afirmação de voz, de existência, de singularidade, quase como espaço de discussão com nós próprios. Eu escrevo, aqui, em tempos colaborei com alguns suplementos de jornais regionais, ficção para recriação própria e de pessoas mais chegadas – feliz ou infelizmente nunca escrevi poesia, nem um daqueles poemas insípidos de adolescente – e alguns trabalhos incipientes na faculdade, um tipo diferente de escrita. Para que escrevo? Não é seguramente como obrigação. Não é este o meu trabalho, o meu emprego. Não é um objectivo último sem o qual a escrita deixasse de fazer sentido. Aqui, neste diário dos nossos dias, não é para muita gente ler, ainda só o mencionámos a duas ou três pessoas e se no futuro mais pessoas passarem por aqui não serão assim tantas, nem com uma regularidade assinalável. Temos consciência de tudo isto. Este texto, provavelmente, só será lido pelo GB, e se bem que não é menosprezável a diferenciação que a forma escrita acarreta em relação a outras formas de comunicação, poderia tê-lo dito pessoalmente, como já o disse por outras palavras. A própria multiplicação do universo dos blogs traz consigo esta interrogação porque reduzir este aparecimento a uma pura necessidade de protagonismo é demasiado simplista. Podendo ser o caso em algumas situações não faz sequer muito sentido, havendo com toda a certeza várias maneiras de atingir o estrelato de modo mais directo. Há um pouco de confissão, um pouco de partilha, um querer dizer de mim para fora apenas para mim mesmo, como se a fosse audiência das minhas próprias aparições públicas. Como quando li as linhas acima transcritas. Podia tê-lo lido e guardado para mim; podia tê-lo lido e contado à minha namorada, aos meus amigos, discuti-lo numa roda de café; mas optei por o expressar aqui, onde provavelmente só o meu companheiro de estrada lhe vai ligar, onde eu o vou ler (quanto mais não seja para ver se não deixei nenhum erro). Sou eu a escrever em público para mim.
Curiosa a constatação da personagem central de A Linha de Sombra, provavelmente poder-se-ia aplicar a um vasto número de autores, de escritores, especialmente de ficção, poesia. Não a todos com certeza, mesmo a muitos dos grandes nomes que escrevem quase por atacado, mas com enorme qualidade, mas mesmo esses devem sentir uma chama diferente quando escrevem, devem sentir um certo rigor interno, quer ele venha de uma necessidade de verdade, de um sentido ético ou de puro pretensiosismo ou vaidade. O tema é fascinante, a comunicação como necessidade de nos fazermos ouvir para nós próprios em primeiro lugar (independentemente de alguns fazerem disso modo de vida, de o partilharem com as pessoas, por vezes de o fazerem até atendendo a algumas condicionantes temporais e comerciais), como afirmação de voz, de existência, de singularidade, quase como espaço de discussão com nós próprios. Eu escrevo, aqui, em tempos colaborei com alguns suplementos de jornais regionais, ficção para recriação própria e de pessoas mais chegadas – feliz ou infelizmente nunca escrevi poesia, nem um daqueles poemas insípidos de adolescente – e alguns trabalhos incipientes na faculdade, um tipo diferente de escrita. Para que escrevo? Não é seguramente como obrigação. Não é este o meu trabalho, o meu emprego. Não é um objectivo último sem o qual a escrita deixasse de fazer sentido. Aqui, neste diário dos nossos dias, não é para muita gente ler, ainda só o mencionámos a duas ou três pessoas e se no futuro mais pessoas passarem por aqui não serão assim tantas, nem com uma regularidade assinalável. Temos consciência de tudo isto. Este texto, provavelmente, só será lido pelo GB, e se bem que não é menosprezável a diferenciação que a forma escrita acarreta em relação a outras formas de comunicação, poderia tê-lo dito pessoalmente, como já o disse por outras palavras. A própria multiplicação do universo dos blogs traz consigo esta interrogação porque reduzir este aparecimento a uma pura necessidade de protagonismo é demasiado simplista. Podendo ser o caso em algumas situações não faz sequer muito sentido, havendo com toda a certeza várias maneiras de atingir o estrelato de modo mais directo. Há um pouco de confissão, um pouco de partilha, um querer dizer de mim para fora apenas para mim mesmo, como se a fosse audiência das minhas próprias aparições públicas. Como quando li as linhas acima transcritas. Podia tê-lo lido e guardado para mim; podia tê-lo lido e contado à minha namorada, aos meus amigos, discuti-lo numa roda de café; mas optei por o expressar aqui, onde provavelmente só o meu companheiro de estrada lhe vai ligar, onde eu o vou ler (quanto mais não seja para ver se não deixei nenhum erro). Sou eu a escrever em público para mim.
K. 22:38
LÁ COMO CÁ: Afinal não é só em Portugal que acontece o insólito eleitoral de toda a gente ganhar. Nuestro hermanos también.
K. 19:05
IMUNIDADE: E já agora, alguém devia explicar, de uma vez por todas, que a imunidade parlamentar não existe para proteger os Sr.s deputados do que andam a fazer na sua vida fora da Assembleia, como tem acontecido algumas vezes.
K. 19:02
INDIGNO: É verdadeiramente incrível como há quem ache que com uma suspeita destas era possível alguém esconder-se atrás da imunidade parlamentar.
K. 18:52
EM BICOS DE PÉS: Depois da histeria inicial, quem (o PS) deu a mais violenta machadada de credebilidade no nosso sistema judicial vai agora acalmando as hostes. Mais vale tarde do que nunca e neste momento bem precisamos de ponderação para podermos sair deste processo e continuármos a alimentar a noção de que vivemos num estado de direito democrático onde todos somos (mais ou menos) iguais perante a lei.
K. 18:47
DE OLHOS EM BICO: Acabei ontem a triologia japonesa de Ringu. Em Ringu 0 - Baasudei, a história volta atrás e para sabermos o que acontece antes dos primeiros dois títulos. A mesma textura, os ambientes contidos, desmaiados, escuros. Mas os mesmos problemas que os outros dois: ritmo lento, raramente mete medo e o enredo é demasiado arrastado para nos manter verdadeiramente presos à fita. Salvam-se os ambientes e algumas interpretações consistentes.
K. 18:37
Sábado, Maio 24, 2003
DOENÇA DA DE(SCOM)PRESSÃO: É já no próximo mês que os Radiohead colocam cá fora o sexto album de originais, chama-se "Hail to the Thief". O primeiro single, "There There", já anda a rodar nas rádios (acho eu) e o video a passar nas televisões. Um video delicioso a cheirar a desenho animado artesanal num ambiente de floresta mágica e assombrada. Se vier a propósito direi mais noutra ocasião. Agora, estou a ouvir o "Street Spirit (fade out.)", a última canção de "The Bends". Agora estou a ouvir o meu album preferido. Depois do mega sucesso de "Creep", em 1995 a banda lançou este magnifico conjunto de canções e tornou-se definitivamente num nome de referência da cena rock britânica da década de noventa. A seguir viria "Ok Computer" e nada seria como dantes. A crítica consagrava Tom Yorke e companheiros permitindo-lhes um interregno longo que terminaria com a edição quase consecutiva de dois albums largamente electrónicos e dificeis. Mas, para mim, apesar da genialidade "Ok Computer" e do golpe de rins muito satisfatório de "Kid A" e "Amnesiac", as dores continuam a ser as mesmas, the bends, as dores da mudança, da viagem, do arranque, a indecisão,a incerteza, só e ao mesmo tempo num prazer sórdido de solidão. As guitarras, as flutuações, os silêncios, as canções, as melodias, ainda menos maquinadas que em Ok Computer, menos sofisticadas que nos últimos albums. Musicalmente menos arriscado que o seu sucessor "The Bends" é, apesar de tudo, o meu favorito. Há canções que não me canso de ouvir, "Just", "Fake Plasic Tree", "Street Spirit (fade out.)", etc., há palavras que não me canso de repetir. He used to do surgery for girls in the eighties but GRAVITY always wins and it wears him out.
K. 02:30
Sexta-feira, Maio 23, 2003
NOSTALGIA: Por falar em cinema, num sentimento de nostalgia, lembrei-me do Fuga par a Vitória. O Stallone a guarda-redes, o Pelé, o Michael Caine, o Max Von Sydow. Que imagens sublimes. Foi o filme favorito de um querido amigo meu durante alguns anos.
K. 20:28
VIGÉSIMA QUINTA HORA: Vi A Última Hora (25th Hour) de Spike Lee. Como já li muitas criticas ao filme, não me vou alongar para não estar a repetir ideias dos outros. Mas sempre vos digo que ainda estou fascinado e a precisar de o rever. Uma cena atingiu-me particularmente, não digo qual porque é quase no fim. Mas a amizade retratada sem ser através das ladainhas do costume sempre me comove.
K. 20:24
GRAVE: Caminhamos para algo de muito grave. Ou a justiça está certa e a política perde definitivamente toda a credibilidade como algo que lança mão de tudo para salvar os seus, ou a justiça está errada e então mais vale fugirmos todos para o Brasil.
K. 20:15
Quinta-feira, Maio 22, 2003
DVD BARATO: O Público de hoje trás consigo o dvd de Mulholland Drive, o último de David Lynch. Forma-se no meu âmago uma pequena inveja. Eu que já o tenho não o posso comprar de novo e toda a gente o pode obter muito barato. Devia ser só meu.
K. 19:55
SERÁ VERDADE: Pareceu-me ver na capa da Focus que a Fátima Felgueiras tem medo de ser raptada. Eu também tenho medo que a senhora seja raptada. Ainda se lembram de a devolver cá para o burgo.
K. 19:48
JUSTIÇA: Tirando a tese da cabala os processos de pedofilia não me despertam grande curiosidade. Só a cabala me interessa porque só a cabala é discutivel para lá dos processos juridicos que pertencem aos tribunais e só lá deviam ser discutidos. Já a cabala é um ataque à justiça portuguesa e aqui, das duas uma, ou bem que se confia ou bem que não se confia. Por isso não podia concordar mais com o que o GB disse: é agora que vamos ver o que vale a nossa justiça.
K. 19:43
PEDOFILIA - ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA: Não vou pronunciar-me sobre o Saramago. Coitado do rapaz deve estar muito ocupado a tentar encontrar uma justificação hipócrita q.b., mas politicamente correcta, para fazer as pazes com o regime de Fidel... Vamos ao que interessa. Dizem que a justiça é cega. Pois, em Portugal, parece que começou a sê-lo há pouco tempo. De repente vemos figuras públicas acusadas de crimes sexuais, vemos pessoas prestes a deixarem cair as suas máscaras de idoneidade. Ninguém se pode valer do seu estatuto para ficar impune, mas convém lembrar que todo e qualquer indivíduo é inocente até prova em contrário! Espero que assim seja desta vez. Espero que os processos decorram com celeridade, isenção e apresentem conclusões inequívocas. Todos temos a ganhar com esta cegueira da justiça que não distingue entre filhos e enteados. Esta é a grande prova à justiça portuguesa.
GB 14:01
ESTEVES REI # 2: Uma ligeira correcção. Já fui grande apreciador do Stephen King. Continuo a gostar dele, mas o entusiasmo diminuiu nos últimos anos. Trata-se de um escritor de supermercado, sim senhor. Dificilmente dará à luz uma obra prima, mas há partes dos livros dele que me deixam ao mesmo tempo angustiado, fascinado e mal disposto. Prefiro isto à letargia dos finais felizes. Ele próprio parece uma pessoa atormentada pelos medos mais inverosímeis e, talvez por isso, consiga falar deles de forma tão intensa. Não há nada melhor do que acreditar numa história, para torná-la credivel. Stephen King aplica esta proposição a sentimentos aparentemente pouco complexos, que podem condicionar as atitudes das pessoas e até os moldes em que as suas vidas decorrem. É claro que tudo é empolado, mas é legitimo deixar que a ficção vá até onde vai a imaginação de uma mente delirante. De qualquer forma, por mais delirante que seja a mente se Stephen King, a realidade ultrapassa quase sempre a ficção.
GB 13:42
Quarta-feira, Maio 21, 2003
ESTEVES REI: E porque o GB é grande apreciador, uma opinião sobre o mais lido escritor do mundo no interessantíssimo ABRUPTO.
K. 23:38
DECO: Parabéns europeus aos tripeiros. À falta do génio de Deco no prolongamento chegou a abnegação e espírito de sacrifício do Derlei. Mas espectacular mesmo é o Deco a jogar à bola, o único génio no relvado.
K. 23:34
CABALAS: A primeira conclusão certa dos processos da pedofilia é a de que todos os suspeitos famosos estão a ser perseguidos. Todos são inocentes (e são até que seja provado o contrário) e foi montada uma cabala para os incriminar. Todos os que lhes são próximos acreditam na justiça portuguesa, mas todos acham que os juízes são tão frágeis que se deixam enganar por campanhas montadas. E até aposto que se alguém de outro partido for envolvido, aqueles que agora apelam à serenidade vão adoptar a tese da cabala. E se um actor for envolvido, o mesmo. E se um jogador de futebol, a mesma coisa; e se for um jornalista, a mesmissima coisa. Só o Carlos Silvino, aparentemente, aceita as suas culpas, ou pelo menos ninguém o anda a incriminar.
K. 19:23
FAZ O QUE VIRES FAZER: E chegamos aos macaquitos. Para quem acha que estamos muito longe desta realidade, desenganem-se. Não estamos. Mas acho que a frase de Einstein está a mais, o retrato tem mais a ver com comportamentos que com conceitos ou preconceitos. Isto para dizer que os preconceitos ainda exigem algum tipo formulação, de conceptualização. O que os macacos faziam, o que nós muitas vezes fazemos, era bater em alguém porque os outros batiam, porque viam alguém bater. Pensar, esqueçam isso, faz como os outros mas é. E digam lá se já não fizeram assim tantas vezes, se já não viram fazer.
K. 19:15
UM TÉDIO: Agora essa da vida misteriosa, meus amigos! Longe de mim sugerir tal coisa. O GB tem uma vida chatissima, passa os dias a fazer sempre a mesma coisa e não está envolvido em nada absolutamente escabroso. A não ser...
K. 19:01
SEMPRE ÀS ORDENS: Surpreendentemente ao chegar à Cartilha, procurando os posts do GB entretanto prometidos, dou com um elogio descomunal. Estava para aqui a pensar com os meus botões se havia de me pronunciar. Depois pensei, que se lixe, a bem dizer só nós os dois lemos isto por isso não vai parecer a ninguém que estamos para aqui a promover elogios mútuos. E se parecer paciência. Amigo... anytime!
K. 18:57
Mistério: Por motivos vários, quero deixar aqui algumas palavras de apreço ao K. Primeiro por ele ser uma pessoa a todos os títulos fabulosa e única (não, não estou apaixonado por ele, o gajo tem demasiados pelos na cara para o meu gosto). Depois, por ele provar inequivocamente que a cartilha está bem entregue na minha ausência. Por último e, parece-me, mais importante, pelas constantes referências que o rapaz faz às minhas ausências. Agradam-me de sobremaneira. Envolvem-me numa aura de mistério, quase fazem parecer que tenho uma vida multifacetada e repleta de pormenores deliciosamente escabrosos... Um abraço!
GB 14:04
COMO NASCE UM PARADIGMA: Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada. Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de alguma surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem
tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO
(Albert Einstein)
Pois é, voltei! Voltei com um texto que nem sequer é meu, mas acho que vale a pena darem uma vista de olhos. I'll be back em grande estilo...
tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui..."
É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO
(Albert Einstein)
Pois é, voltei! Voltei com um texto que nem sequer é meu, mas acho que vale a pena darem uma vista de olhos. I'll be back em grande estilo...
GB 13:18
Terça-feira, Maio 20, 2003
TERROR: Para quem gosta de terror: vi o original do americano The Ring. Algumas diferenças, poucas de monta, na versão japonesa. No fundo, no fundo, nenhum deles é muito bom, nenhum deles é mau. Vi também a sequela, também japonesa, a mesma sensação. Falta ver o último para completar a triologia. Depois digo qualquer coisa.
K. 23:15
A QUESTÃO DO MAIOR: Ainda algures no futebol. Boloni diz que o Benfica é o maior e que o futebol português é de terceira. A questão não é saber se diz a verdade ou não, a questão é que o que ele afirma percebe-se ao fim de uma semana em Portugal e ao dizê-lo assim, à saída, soa tristemente a despeito.
K. 23:05
SEVILHANAS: Entretanto, pela solarenga Sevilha, além da preparação da final da Taça UEFA, continuamos a assistir à guerra privada entre Rui Rio e Pinto da Costa. Cumpre dizer que não tenho absolutamente nada a opôr à deslocação do Presidente da Invicta a Sevilha para assitir à partida, nem veria nesse acto qualquer tipo de promiscuidade entre política e futebol. Onde vejo a promiscuidade é nas abjectas figuras que alguns, outros, políticos andam a fazer atrás do Pinto Rei, a passearem-se de cachecol azul e branco aproveitando a onda para se elevarem. Hoje foram recebidos pelo Alcaide de Sevilha, onde fizeram questão de alertar para a ausência de Rio. Só não fiquei a saber se o Presidente de Glasgow também lá estava ou se é só em Portugal que os Presidentes de Câmara têm de acompanhar as equipas de futebol da cidade. O problema não é um político gostar de futebol e ir ver uns jogos, o problema é um político andar a fazer de claque de um lado para o outro como se essa fosse a sua função mais nobre.
K. 22:58
PASSOU: Passaram-se algumas coisas interessantes nestes dias, mas não tão interessantes assim. Alguns comentários ficaram por fazer, mas o que lá vai, lá vai!
K. 22:48
AINDA À ESPERA: Quem continua ausente é o GB. Aquilo continua muito agreste. Por incrível que pareça ninguém (ainda) nos paga para passarmos o dia a mandar bitaites, de modo que ele tem mais o que fazer. Mas, no entanto, quando menos esperarmos, com certeza dirá qualquer coisa.
K. 22:46
ONLINE: E alguns dias depois o Blog volta. Aliás, volta o computador, a net, volta o virtual, o gozo (à falta de melhor palavra). Pois é, o computador explodiu (pouco faltou) e de Domingo a Terça por aqui estivémos desligados do mundo, ou quase. Aproveitou-se para repor leituras em dia, escrever mais, e descansar, dormir mais cedo. Mas agora, prometo, voltei para continuar a dizer disparates.
K. 22:39
Sábado, Maio 17, 2003
MATRIX: Intervalo? Não. Existe uma terceira realidade: a realidade portuguesa! E nesta, virtual Felgueiras, não há heróis que nos salvem. Tudo o que se pode fazer é fugir da turba que, por estas horas, ainda lá continua à espera que a sua heroína volte. Não temos só os governantes que merecemos, temos o país que merecemos!
K. 00:26
Sexta-feira, Maio 16, 2003
UMA GUERRA INJUSTA:
Eles avançam sobre o Iraque
e sonham ser heróis,
pensando servir a sua Pátria,
mas servindo a sede do petróleo. Luis Machado in Choque e Pavor.
Não, não comprei o livro de poemas sobre a guerra, ou contra a guerra. Vi estes lindos versos no Independente de hoje, num texto do Pedro Mexia. A minha questão é: isto é poesia de guerra, poesia anti-guerra, ou guerra à poesia?
Eles avançam sobre o Iraque
e sonham ser heróis,
pensando servir a sua Pátria,
mas servindo a sede do petróleo. Luis Machado in Choque e Pavor.
Não, não comprei o livro de poemas sobre a guerra, ou contra a guerra. Vi estes lindos versos no Independente de hoje, num texto do Pedro Mexia. A minha questão é: isto é poesia de guerra, poesia anti-guerra, ou guerra à poesia?
K. 23:00
CONCLUSÃO: Nós temos os governantes que merecemos.
K. 22:12
REFLEXÕES II: Porque que é que as pessoas querem tanto aparecer na caixinha a dizer disparates? Fuga, não lhe vamos chamar isso, vamos chamar-lhe exílio; os tribunais não podem prender preventivamente pessoas inocentes???
(Sublinhados meus)
(Sublinhados meus)
K. 22:11
REFLEXÕES: Porque será que quando há uma reportagem de rua com populares a debitarem dislates, o repórter fala sempre em povo? Felgueiras (só) tem aqueles cem, mil (que sejam) habitantes?
K. 22:06
GOSTOS: Gosto de contradições e ambiguidades. Gosto que algo numa pessoa me pareça errado, uma postura, um gesto, uma atitude. Gosto que os outros tenham dúvidas, que não saibam sempre o que está certo, mas que gostem ao mesmo tempo de David Lynch e de Steven Seagal. Gosto que algo não bata certo. Gosto que sejam cheios de falhas e defeitos como eu. Também gosto de algumas pessoas mais perfeitas (só porque não as conheço pessoalmente e acredito que em carne e osso são mais imperfeitas). Mas, depois, gosto que mandem em mim quando devem mandar e que se calem quando devem estar caladas, que amem o Blue Velvet e adormeçam a ver o Duro de Morrer; que não se indignem hipocritamente e que não esperem coisas que não fizeram por merecer. Estou a olhar para trás e acho que isto está uma salganhada imbecil, mas vou deixar estar, pode ser que amanhã de manhã faça algum sentido.
K. 00:18
Quinta-feira, Maio 15, 2003
A IDEOLOGIA DO ÓDIO: Passou hoje no Canal História um documentário sobre o terrorismo islâmico. Agora que parecemos esquecer o 11 de Setembro, este documentário lembra-nos uma verdade terrível: para além dos regimes onde este tipo de discurso de ódio é fomentado, é no interior do próprio ocidente que se recrutam muitos dos mártires. Londres é um caso sintomático. Nas suas mesquitas, à porta, perante o olhar contido das forças de segurança, o recrutamento é feito, o discurso é violento, o ódio sem cedências, o ataque à democracia, ao socialismo, à américa, ao ocidente. No entanto, no fluir das palavras dos mentores, dos recrutadores, entre os jogos de palavras, os argumentos falaciosos que se aproveitam das fraquezas dos nossos próprios sistemas, uma coisa me pareceu singular. Um dos nomes ligados a vários dos envolvidos no 11 de Setembro, e outros entretanto detidos, disse algo que é mais verdadeiro do que pode parecer à primeira vista: não são só os muçulmanos, em todo o mundo há muitos outros que odeiam a América. Os Recrutadores volta a passar no Canal História esta noite às 03:00h e amanhã às 09:00h e 15:00h.
K. 21:22
Quarta-feira, Maio 14, 2003
SURREAL: Se outro mérito a senhora não possuir, a D. Fátima Felgueiras (FF), conseguiu criar um circo verdadeiramente surreal, senão vejamos: o advogado português da senhora diz que isto não lhe interessa para nada, continua à espera do regresso da sua constituinte depois das férias em Copacabana; o director da P.J. diz que não houve falhas, foi a habilidade de FF que lhe permitiu adivinhar a ordem de prisão; o PS apercebeu-se agora do verdadeiro carácter da senhora e, se soubessem antes o que sabem hoje, não teriam apoiado a sua recandidatura, pudera: e até o Exmo. Sr. Presidente da República se permite responder a um advogado qualquer que alarvejou ontem umas quantas barbaridades sobre o sistema judicial português. Será que isto é perfeitamente normal?!
K. 22:03
TRABALHO, TRABALHO, TRABALHO: Quem, hoje, não experimentou o calor português foi o GB. Anda por aí num bote, a navegar perto de si, e voltará ainda esta semana. A Cartilha por estes dias muito monocórdica, voltará em breve a falar a duas vozes.
K. 20:00
É FRUTA, OU CHICLATE!: É o primeiro verdadeiro dia de Verão. Os gelados venderam-se mais; as miudas traziam os decotes mais genorosos, os rapazes os casacos pelo braço; quem ontem se queixava do frio, lamentava hoje o calor insuportável; as gentes passam o ano a sonhar com isto, as férias no imaginário; os cheiros, o desconforto: os autocarros atulhados parecem inabitáveis; as conversas, os lugares comuns; o suor; a labuta; o regresso; a água; a cerveja; a imperial; tremoços, e outros mariscos; o sol; Gosto de olhar o sol, por trás dos óculos escuros, à janela, a atravessar o rio.
K. 19:54
É A VIDA: Mas aí era a lei dos desencontros e havia que aguentar. Uma lei tão fatal e verdadeira como ela se chamar Maria e ser a malfodida que sempre fora. José Cardoso Pires in Alexandra Alpha.
K. 19:44
O TEMPO PERGUNTA AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM: Já passa da meia-noite. Já devia estar na cama, que isso de dormir três ou quatro horas por noite não é para mim, pelo menos por enquanto. Amanhã, às sete, lá tenho que pôr o corpanzil em movimento. Mas já passa da meia-noite e tenho tantas coisas para fazer. Estou a meio de um livro, e mais vinte e tal em fila de espera. Vi três filmes este fim de semana e mais um ontem. E, no entanto, tenho para cima de dez filmes em casa, à espera de visionamento. Mas o relógio não perdoa: 00.15h., já vão ser menos de sete horas de repouso. Dizem que devemos dormir pelo menos oito horas, pois hoje vão ser menos. Quero escrever, para mim, baboseiras, para os outros, preparar o meu seminário de investigação, para me licenciar e ser Dr., quero espreitar o jogo do Milan com a Inter. Mas não fiz quase nada disto. Detesto olhar para trás e ver horas desperdiçadas a olhar para a televisão, para ver o telejornal, para ver futebol que não me aquece nem me arrefece. Mas hoje foi um daqueles dias, guilty pleasures, não tenho nenhum maior que passar horas a fazer coisas menores. Ao computador, com o meu irmão, a fazer de treinador de futebol. Queria ter escrito, mais. Quase meia-noite e meia. Queria ter lido, saber o que acontece a Alexandra Alpha. Mais minuto, menos minuto. Queria ter estado com uma pessoa, com a pessoa, com ela. Segundo a segundo. Queria, mas agora já passou. Depois da meia-noite e meia vou-me deitar. Uma vez uma amiga disse-me que estava desanimada, queria voltar para a terra dos pais. Todos os dias se levantava, arranjava, ia trabalhar, voltava ao fim do dia, quase à hora de jantar (que tinha que fazer, eu ainda estou em casa dos papás, que confortável que é ter tudo na mesa), sentava-se um bocadinho, deitava-se e depois, no dia seguinte, tudo de novo, tudo repetido, tudo num eterno retorno. Claro está que isto foi num momento de tristeza, demissão, algo que não estava bem. Ao que sei, ainda cá está, ainda não voltou para o seu belo Alentejo, já anda a fazer outras coisas. Eu ainda cá estou, mas vou-me já deitar. Às vezes falta tempo, mas mais importante é que não falte vontade, amanhã lá vou trabalhar, trabalhar bem. Irei, se Deus quiser, bem disposto, de livro na mão, a ler no autocarro. Sairei, virei para casa ou passo noutro lado, faço o que tenho a fazer, e venho escrever mais um pouco, avançar com o meu trabalho académico, falar com o meu irmão. Depois janto, com vontade, depois saio e vou ter com ela. É esse o momento. E depois no outro dia, parecido. Depois vou ler. Depois estamos no fim da semana. Sei lá no fim de semana, tenho mesmo que me organizar. Mas, pelo menos, enquanto não faltar o que fazer, mais vale faltar o tempo. Quanto mais tempo faltar melhor sinal. E agora vou mesmo para a cama, que já passa da meia-noite e meia… e eu prometi.
K. 00:46
Terça-feira, Maio 13, 2003
NEWSFLASH: Ver o telejornal pode tornar-se altamente deprimente. Primeiro um advogado brasileiro debita de cátedra sobre as leis portuguesas e professa o avanço civilizacional do Brasil sobre Portugal. Tudo isto para safar a Fátima Felgueiras... Se a querem tanto, fiquem com ela! Também não é preciso ofender. Depois ando de um jornal para outro e oiço qualquer coisa sobre uma privatização da Sagres, a cerveja, e então foram só grandes dissertações sobre a perda inestimável para "o espaço de manobra dos portugueses" nas palavras de uma senhora que se dignou a contribuir com a sua modesta opinião. Assim, mais vale ver o Howard Stern.
K. 22:39
PERHAPS, PERHAPS, PERHAPS: Ainda em ronda pelas SICs, existe, afinal, um horário que vale a pena na Sic Mulheres, é Quinta-Feira à noite, lá paras as 10 ou 11 da noite, com várias repetições nos dias seguintes. É uma série britânica que já andou por outras televisões, mas que vale sempre a pena ver: Coupling, é simplesmente hilariante! Fiquem-se com esta citação da personagem de Jeff Murdock: I need breasts with brains. I don’t mean individual brains, obviously... I mean, not a brain each. You know, I like intelligent women, but you’ve got to draw the line somewhere... I think breast brains would be over-egging the woman pudding.
K. 18:42
INFELICIDADE: Ontem deu na Sic Radical Felicidade (Happiness no original) de Todd Solondz. Nunca tinha visto e pude ontem comprovar o que me tinham dito. Um dos melhores filmes que vi nos útlimos tempos. De uma crueldade e um cinismo a toda a prova. Sob a aparente leveza com que o filme é conduzido, as personagens vão acumulando frustações, numa convergência de enorme infelicidade que em alguns momentos nos deixa verdadeiramente desconfortáveis. Singular o diálogo de abertura: depois da separação, um casal a jantar, parece recordar o que a relação poderia ter sido, até que ele, rejeitado, abandonando as convenções e o politicamente correcto, a ataca verbalmente de forma atroz. As personagens parecem atravessar um campo, umas numa direcção, outras noutra, umas revelando-se mais adaptadas quando nada o fazia esperar, outras afundando-se nos seus abismos. Ouvi comparar Felicidade a Beleza Americana, mas se o tema pode ser comparado, a visão é totalmente diferente. Solondz não faz concessões, não redime, não estetiza a dor e a infelicidade, o seu fime é muito mais ácido, cru, agreste. Sem nunca ser explicito, Solondz é muito mais violento do que, provavelmente, Sam Mendes alguma vez vai ser.
K. 18:31
AS AMIGAS DE FRANCESCA: Na sequência do anterior e só para nos continuarmos a iludir: quem nos quiser inscrever em sites de conteúdo pornográfico, não se acanhe! Todos à Cartilha do Facho Olímpico!
K. 18:12
AI FRANCESCA!!!: Qual não é o meu espanto, hoje, quando vou verificar o mail da Cartilha e, contra todas as probabilidades, existia correio. Desengane-se, no entanto, o autor e o co-autor! Era apenas uma proposta da simpática Francesca (é para ler franxesca) a convidar a Cartilha para uma desinibida sessão de chat com webcam. Lamentamos Francesca, mas motivos de força maior impedem-nos de comparecer... Ainda assim, a quem deu o nosso contacto à extrovertida Francesca (se é que foi alguém) o nosso agredecimento sentido pelo gesto e pela preocupação com a nossa vida social.
K. 18:07
Sexta-feira, Maio 09, 2003
RESENHA SEMANAL: Fui ver Placebo e gostei mais das outras vezes. Apanhei um frio que pensei que tinha voltado ao Inverno. Perdi a segunda sessão dos encontros É a Cultura, Estúpido!. Fui ver o X-Men 2, bem sei que devia aproveitar melhor o meu tempo e o meu dinheiro, mas dentro do género não é mau. Actualização da Cartilha e, mais importante, jantar e boa conversa com o GB. É verdade, lado a lado, vão estar juntos os dois únicos leitores da Cartilha. Sem contar com os que são obrigados.
K. 18:29
À MODA DO PORTO: E é assim, com quase uma semana de atraso, que a Cartilha vem parebenizar o FCP e todos os seus adeptos. Também, passou-nos quase ao lado, há tanto tempo que estava ganho que, quem não se anima com as vitórias tripeiras, nem deu por nada. Esperemos que para o ano os mouros da capital, berdes e bermelhos, saibam rivalizar com o poderio azul e branco.
K. 18:14
INTERREGNO: Infelizmente compromissos profissionais, pessoais e outros impediram K GB de regularmente manterem a Cartilha actualizada. Mas estamos de volta. Pelo menos eu volto ao activo, o GB está mais dificil... problemas técnicos. Infelizmente a crise chega a todo lado e fundos de coesão europeia para o rejuvenescimento da máquina do GB não há!
K. 18:09
Segunda-feira, Maio 05, 2003
SOU UM VISIONÁRIO Onde é que já se viu ver moda em vez de futebol... As palavras são de K, a propósito da minha ida ao "Portugal Fashion" na Figueira da Foz (limitei-me a cumprir deveres profissionais) em vez de assistir ao derby lisboeta. Ele pensava que eu tinha perdido o juízo, mas confirmou-se apenas que possuo um incomparável sentido premunitório. Então não é melhor ver umas raparigas jeitosas do que mais uma triste derrota do SLB?!?!?!
GB 13:45
Sábado, Maio 03, 2003
AH QUARESMA!: Pronto, lá ganhámos. Agora só queria ver o resumo, mas os gajos nunca mais tiram o Boloni para pôr os jogadores. Irra! Mostrem lá os golos do nosso contentamento que a Cartilha tem que desmontar a festa, ainda aí apareceo GB e parte isto tudo!
K. 22:16
DERBY: A Cartilha divide-se no derby de hoje. Lagartos de um lado e Lampiões do outro. O GB não está disponível para defender a honra vermelha (anda para aí a acompanhar uns desfiles de moda, onde é que já se viu ver moda em vez de futebol). Temos pena. Assim sendo, a lagartada toma conta da Cartilha por umas horas e vamos instalar aqui o quartel general para assistir à partida. Se alguém marcar (do Sporting) prometo vir festejar. Senão... Não prometo nada!
K. 12:15
JÁ NÃO PAGO: Vem esta nota a propósito do post sobre propinas aqui deixado anteriormente. Fui lendo, ao longo da semana, alguns textos sobre o assunto, de António Barreto ao Prof. Fernando Rosas. Cumpre rectificar um erro e esclarecer o princípio. O erro deveu-se à falta de informação: segundo o que leio, as novas propinas só serão aplicadas aos novos alunos, pelo que, ao contrário do que afirmei, não serei afectado pela alteração. Será a minha irmã, embora isso nem venha ao caso. Interessa, no entanto, separar o trigo do joio: o que disse, disse-o por convicção e princípio. Acho injusto que o Estado tenha que suportar totalmente os custos de todos os alunos, sabendo nós que grande parte deles ou as suas famílias podem contribuir para o financiamento do Ensino Superior. É uma questão de responsabilização. Postulado este princípio, existem imensas razões para temermos por aqueles que não estão em condições de facilmente suportar este esforço, daqueles que têm de trabalhar para se sustentarem, daqueles que estão deslocados e a quem os apoios de acção social são manifestamente reduzidos. Mas este é um problema de outra esfera, para o qual, infelizmente, ainda não ouvi nada de significativo ao governo. Como são de outras esferas as questões relativas à gestão, à estruturação dos cursos, à formação e avaliação dos professores, e outras questões que necessitam de ser reorientadas. Esperemos para ver o que sai desta reforma.
K. 12:07
Sexta-feira, Maio 02, 2003
PUB: Para a eventualidade de estar alguém a ler, nem que seja por engano (não, não é uma página sobre olimpismo), a Cartilha é um Blog sobre inconsequências mais ou menos desinteressantes. É mantido pelo K GB e se quiserem expressar a vossa opinião sobre as consequências da exposição da nossa juventude à música dos Delfim, ou outros temas menos importantes para a preservação da nossa civilização, podem sempre enviar mails para cartilha@softhome.net
K. 23:52
MARIDOS: A propósito de uma história de mães de família de Bragança reagindo a um ataque massivo de meninas brasileiras, escreve, e bem, Eduardo Prado Coelho (com quem poucas vezes concordo) que as ditas senhoras deviam encontrar em si a solução liberal que lhes permita resgatar os maridos das garras das marafonas. A malfadada solução está em ultrapassar as dificuldades das senhoras em entreter convenientemente os necessitados machos. Não podia estar mais de acordo. Era o que mais nos faltava, com a crise que aí anda, querer asfixiar uma indústria em crescimento. Mas daqui salto para outra conversa. Não sei se foi no 1º de Maio, estava a passar os canais e dou com um painel a discutir com o Jorge Gabriel algo que tinha a ver com as mulheres. Só apanhei um bocadinho, outros afazeres me prenderam para meu tão grande desgosto, quando oiço a berloquista Joana Amaral Dias (JAM) queixar-se que as mulheres são sempre prejudicadas, que são sobrecarregadas por tudo e por todos, pelos maridos, pelos filhos, bla, bla, bla, etc., etc.. Ao ler sobre a disputa de Bragança, veio-me o debate à cabeça porque na altura um senhor lembrou que talvez as senhoras devessem escolher melhor os maridos, caiu o carmo e a trindade: aquele era um argumento machista, como qualquer um que não respeite as ideias iluminadas da apaixonada JAM. Só que entre o deve e o haver (existem de facto dificuldades acrescidas para as mulheres em muitos aspectos da nossa vida) das iniquidades da nossa sociedade, muito já se avançou, mais à custa da evolução dos costumes, das mentalidades, da televisão, dos jornais, das revistas, da educação, que do que dos decretos da assembleia da república. O estado deve promover a igualdade de oportunidades entre os homens e as mulheres, mas não vai ser o estado a entrar dentro das casas de cada um, a obrigar os maridos a lavarem a loiça, a passarem a roupa. Aí terão de ser as mulheres a porem os seus maridos na ordem, ou na rua se for preciso (e eles a elas que muitas também se portam mal e para isso existem os divórcios). O problema reside numa premissa de fundo: certa esquerda acredita que os interesses de todos são sempre compatibilizáveis, basta que todos nos portemos bem. Nada mais errado, mesmo que todos fossemos boas pessoas (que não somos) os interesses, os gostos, as manias, os espaços de cada um são em muitos casos conflituantes. Os homens e as mulheres também vivem esta faceta antagónica que tem tanto de irritante como de fascinante. Ao estado compete regular e reagir aos desequilíbrios que se formam numa esfera eminentemente social. Para o resto existem as pessoas e cada um de nós tem de encontrar as suas próprias soluções, liberais ou não.
K. 22:39
Quinta-feira, Maio 01, 2003
SENTIDOS: Solaris, Steven Soderbergh, baseado no romance de Stanislaw Lem, segundo leio, com pouco de remake da primeira adaptação pelo russo Tarkovsky. Gostei, mas não me entusiasmou, pelo menos muito para além da sala. O melhor que se pode dizer é que é uma interessantissima experiência sensorial, mais do que uma reflexão sobre a moralidade, a mortalidade, a vida, seja o que for que em determinados momentos Soderbergh parece querer aflorar. No entanto, o filme vai-se esgotando na leveza com que arrisca estes caminhos, sendo salvo de caminho pela beleza visual e sonora que é exemplarmente construida. As referências a 2001 de Kubrick são óbvias, o que não é necessáriamente bom, mas, bem vistas as coisas, os sentidos agradecem e a hora meia é bem aproveitada para fazer um cinema visualmente muito atraente.
K. 16:45
