Segunda-feira, Junho 30, 2003

ESTÁDIOS: É verdade que os azulejos por fora são horríveis, mas lá dentro é que conta. E já que gastámos o dinheiro – e neste, a maioria do dinheiro foi mesmo o Sporting que o arranjou, não é das câmaras – mais vale aproveitá-lo. Quase pronto. Enjoy:

Alvalade Sec. XXI prestes a arrancar
K. 23:04
POLITICAMENTE: Os cronistas que mais gozo me dão a ler não são, em geral, considerados politicamente correctos. Mas deve ser dito que, de algum tempo para cá, se vem gerando uma contra-corrente que tende a combater tudo o que pode ser considerado politicamente correcto, pela simples razão de ser politicamente correcto. Quase como se, sem darmos por isso, se estivesse a tornar politicamente correcto ser politicamente incorrecto. Daniel Oliveira, num texto publicado hoje no Público, defende que o politicamente correcto está desvirtuado. Poder-se-á dar até o caso, o que não invalida a pobreza de um discurso onde sempre se diz o que está certo, onde ninguém confessa preconceitos, defeitos, pensamentos escabrosos. Mas isso não justifica que se faça uma guerra contra qualquer coisa só porque se tornou politicamente incorrecta.
K. 19:08

Domingo, Junho 29, 2003

FELIZ: Oiço a frase, se estou na terra é para tentar ser feliz, ou algo do género. Penso no que será ser feliz. Será que é rir muito, ter muitos amigos, viver em grande conforto, ou repetir orgasmos? Será viver só e fazer o que nos dá na gana, conhecer uma pessoa para a vida toda? Será algo de permanente, ou simplesmente um pico, um momento, ou momentos que se alternam em nós nos intervalos do sofrimento? Será algo de alcançável, algo realizável? Será o fim da busca, será o conformismo, a satisfação? E, quando formos felizes, não queremos mais nada, será o fim do desejo, não quereremos mais? E, se assim for, poderemos ainda ser felizes não desejando mais nada?
K. 22:57

Sexta-feira, Junho 27, 2003

NEGAS: Não resisito à brincadeira. Juíza Dá Nega Ao Ministério Público. Isto são titulos que se façam? Estas coisas são privadas e se a senhora se baldou ao Ministério (todo?) é apenas entre eles.
K. 23:17
É TRISTE MAS É A VERDADE: Ainda no Indy, o director-geral da MDC Gestão (não faço ideia do que seja), António Matias Lopes, existe ainda mercado para mais centros comerciais. Uma mente visionária que sabe o que falta a Portugal.
K. 23:13
NO JAPÃO EM CRISE: Diz um ex-assessor do governo japonês no Independente de hoje: o salário de primeiro emprego estará entre 1500 e 1800 € mas pode aumentar até 20% nos primeiros anos; (...)onde serve bifes por dois euros, e são bastante bons. Está feito. Já fui.
K. 23:08
ALGUM DIA TINHA DE SER: Carvalhas falava e eu aplaudia. De facto, não percebo porque é que os deputados hão-de justificar a ida a Sevilha como trabalho. Que vão não me choca muito, para quem gosta de futebol é uma oportunidade pouco habitual, agora que o queiram mascarar de trabalho. Força Carvalhas!
K. 23:04
A SEU TEMPO: Nada de particular me move contra Cuba. Prometo que quando o GB viajar para uma ditadura fachista também lhe peço qualquer coisa.
K. 21:27
PERDONAME: Perdone, mi español malo.
K. 21:22
LISTA DAS COMPRAS: Quiero que usted traigame un puro, Una bebida con un nombre chistoso, Un pedazo de la tierra de turist, Un prisionero político para mi propio, Un grito de la revolución, La democracia verdadera; Me trae un libro, Una canción, Un sueño, Una pesadilla, Un escritor, Y un Nóbel, Incluso si él esté enojado. Y no se olvida de regresar, Si usted necesita corre en un barquito.
K. 21:20
AVÔ CANTIGAS: Apareceu o Ministro da (de)Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf. Não! Só pode ser um impostor! Este parece o Avô Cantigas.
K. 20:56
MOMENTOS DE TENSÃO: Amanhã, por esta hora, estarei a meio caminho do museu natural dos comunas. Havana é a primeira paragem e depois sigo para Cayo Coco. Temo que este périplo seja interpretado, pelo governo local e outras entidades, como uma orquestração dos imperialistas. É fundamental que Fidel não saiba que eu lá estou, não lhe vá dar um ataque de zelo e decidir limpar um "facho olímpico" da face da Terra. É também importante que Saramago não saiba de nada, senão pode ser tentado a inspirar-se na minha viagem para escrever uma história de espionagem. Será que o "facho" sobreviverá na selva vermelha? Será que os presos políticos, daquele país livre, precisam de mais um companheiro? Saiba todos os desenvolvimentos nos próximos capítulos!
P.S.: A celeridade deste processo está condicionada pela existência ou não (nos singelos resorts que me vão dar abrigo) daquele terrível instrumento de globalização chamado internet.
GB 14:48
RIR DA SOLIDÃO: Ainda no Aviz, reflexões sobre a solidão a propósito de Hopper. Incompatibilidades entre ser "feliz" e a solidão. Com certeza. Entre esse sonho que nos vendem como um artigo de supermercado que é a felicidade, essa busca absurda que supostamente viria embrulhada em facilidades e livre de sacrificios, e a vida que vamos descobrindo dia após dia. Por isso a cada dia somos um pouco menos "felizes" e um pouco mais "sós". Ou, por outras palavras, as pessoas, que todos conhecemos, e se riem continuamente da sua solidão.
K. 00:25
TELAS: Estive ler coisas em atraso no blogues e na revista pelo Aviz deparei-me com uma referência a Edward Hopper. Começo já por confessar a minha profunda ignorância sobre pintura, pintores, períodos e afins. Não é bonito, mas a verdade é para se dizer. Dos poucos que conheço (mal, mas conheço, sempre sou capaz de reconhecer vários quadros) Hopper é dos meus preferidos. Repito a menção à solidão, mas mais ainda, é quase como uma resignação perante a impossibilidade de estarmos próximos. Como em Nigthhawks, onde o casal está mais afastado entre si que as restantes personagens; quase tão ausentes como o vazio da rua deserta.
K. 00:10

Quinta-feira, Junho 26, 2003

MAIS LINKS: Resta acrescentar que a tarefa dos links está, mais ou menos tacitamente, atribuída a mim. O post anterior vai em nome dos dois autores porque partilhamos o apreço pela esmagadora maioria destes blogues, mas é, essencialmente, da minha responsabilidade. No entanto, a seu tempo, e quando resumir a sua actividade cibernética de casa, GB, com mais disponibilidade para cirandar pela blogosfera, fará o favor de corrigir alguma omissão actual.
K. 23:53
LINKS RENOVADOS: Atenção à coluna da esquerda. Colocámos links a sério. Mas cuidado, se algum dos visados por aí passar ou se alguém se chocar com as classificações. Não as leiam literalmente. Já aprendi muitas coisas em todos estes blogues. Já soltei gargalhadas ao ler posts de todos eles. E as referências são-no para nós, numa óptica de alinhamento e de debate (numa perspectiva fundamentalmente política). Quanto aos heróis, deve-se simplesmente ao facto de serem autores do blogue que lemos primeiro e que mais apreciámos. São por assim dizer os nossos bloggers de eleição. Circulem!

K. e GB
K. 23:42
O NOVO HERÓI II: Um pouco por toda a imprensa a escolha de Queirós foi festejada, não como algo digno de nota, mas como um feito transcendente de que todos os portugueses se devem orgulhar. Se calhar, à falta de outros motivos de orgulho, até têm razão.
K. 19:54
O NOVO HERÓI: Para quem parecia condenado a treinar equipas do 3º mundo futebolístico até ao fim da vida, a escalada imparável de Carlos Queirós até ao Real Madrid é surpreendente, especialmente pela velocidade com que aconteceu. Tirando os imensos problemas de relacionamento que marcaram a sua passagem pelo Sporting (e para os quais não sei se contribui muito ou pouco), não tenho nada a apontar-lhe. Se a sua relação com os astros madrilenos for melhor será meio caminho andado.
K. 19:50
GATOS CINÉFILOS: O Público traz hoje (por uma módica quantia) Gato Preto Gato Branco de Emir Kusturica. É uma hilariante história que vive nos antípodas dos ambientes depressivos a que tenho aludido recentemente. De facto, nos filmes de Kusturica, as personagens persistem em ser felizes, contagiantes, em partilharem-se apesar das desgraças. Em Arizona Dream existe, apesar de tudo, uma tristeza que se debate com o estoicismo das personagens. Já nos filmes europeus, uma irredutível força anima-as por entre desgraças e catástrofes. Gato Preto Gato Branco é uma comédia, que assume uma leveza a que Underground não aspirava e assim deve ser entendida. Uma irresistível brincadeira que é filmada com uma alegria notável.
K. 18:43
FALEM BAIXO: Imaginem alguém que diz bem alto, com orgulho e concordância, confundindo rigor com prepotência, tive um professor que antes de iniciar um exame dizia: se vejo alguém a virar a cabeça anulo-lhe imediatamente o teste. A mesma pessoa volta ao trabalho e sempre que pode deixa-o (ao trabalho) por fazer, e quando é apanhado pede, em voz baixa, que falem igualmente baixo para o chefe não ouvir.
K. 18:27
AUTOCARRO DA NOSTALGIA: ESta noite andei num autocarro, semi-vazio, onde passava música. Eram slows da década de 80, que me remeteram para umas matinés numa tal discoteca Mr. Green.
K. 08:09

Quarta-feira, Junho 25, 2003

CONSTANTE: Num mundo em constante mutação, existem coisas em que podemos confiar. Uma delas é o Prof. Fernando Rosas. Semana após semana, nos seus textos, há palavras sempre presentes: EUA; império; imperialismo; direita; e, claro, aquela expressão muito sua, \uF8E7.
K. 19:03
MOLHAR OS PÉS: Existe em mim uma irrepreensível vontade de estar noutro local. Depois de subir um enorme lanço de escadas, apetecia-me estar de molho.
K. 18:54

Terça-feira, Junho 24, 2003

CALÃO: Vou trabalhar, volto para casa. Vou aos correios e não passo da porta. Chamem-me calão, mas se é feriado onde moro, não devia ser dia de trabalhar onde trabalho.
K. 18:02
GRACIAS P.L. #2: Não podia deixar de agradecer ao Pedro Lomba por ter feito uma menção à "Cartilha do Facho Olímpico". Ele foi o grande responsável pelo record histórico de 49 visitas que tivemos ontem. Teria o maior gosto em pagar-lhe uma cervejinha ou, quem sabe, um brandy, algo bem mais condizente com um defensor das classes opressoras. Só tenho medo que depois de ele ter gostado do título deste blogue, tenha curiosidade de dar uma espreitadela e perceba que só mesmo o título é decente. Bom... Tristezas não pagam dívidas... Enquanto não chega o dia da tão almejada sessão de copos, saúdo o regresso de P.L. à blogosfera.
GB 17:03
SAUNA E TELEVISÃO: Entro na sauna e deparo com dois marmanjos em pelota que suam como animais. Alguns segundos depois também já estou sentado ao lado deles a destilar. Até aqui tudo normal... Pensei que ia passar dez ou quinze minutos a arfar e a matutar sobre se deviamos ou não fazer um referendo, sobre a legalização das saunas mistas em ginásios públicos. Enganei-me! Ainda nem me tinha habituado ao calor quando percebo estar a escutar uma conversa de elevado calibre intelectual. Um dos oradores era particularmente brilhante.O dialogo foi mais ou menos assim:
Orador 1: Já viste!... Agora vamos para casa e só dá merda na televisão!
Orador 2: O que é que dá hoje?
Orador 1: Acho que é aquela merda do "Bombástico" e do "Eu confesso", ou lá o que é aquela merda!
Orador 2: E nem sequer dá um joguito?
Orador 1: Népia! É só criminosos e novelas... Depois ainda dizem que o povo português é burro! A televisão só dá merda!... Mas também deixa tar... Acho que os juízes vão proibír aquela merda.
Orador 2: Ainda bem. Isto tem que endireitar por algum lado.
Algures nesta fase da conversa tenho uma triste ideia. Decido intervir!
GB: Desculpa lá... Porque é que vês aquela merda, se não gostas?
Orador 1: Porque não dá mais nada de jeito na televisão? Um gajo quer entreter-se e não pode porque esses palhaços só ligam ás audiências.
GB: Não era bem aí que eu queria chegar... Porque é que não fazes outra coisa qualquer?...
Orador 1: Pois, tu deves ser daqueles privilegiados que tem alguns trinta canais à escolha, mas eu não tenho TV Cabo em casa!
GB: Vou tentar outra vez... Porque é que não fazes explodir a televisão e vais passear com os amigos? Ou experimenta ler, ouvir música, beber um copo! Qualquer coisa!...
Orador 1: (Depois de uma ligeira hesitação) Péra lá! A questão não é essa. A questão é... é... é que esses gajos estão a ocupar as ondas hertzianas que nos pertencem a todos nós...
Algures nesta fase da conversa, remediei o meu erro. Saí da sauna!
Não vou acrescentar muito mais ao que o K disse num post anterior. A maioria dos conteúdos televisivos são medíocres, mas também há alguns Oásis. Quantas televisões europeias têm um jornal cultural diário, como a RTP 2 tem o "Acontece"? Gostemos ou não deste programa (eu até o vejo poucas vezes e por isso tenho perdido frequentes referências a África e a Mia Couto), há refugios para quem não gosta da mediocridade dos "bombásticos" da vida. Mais importante ainda é a possibilidade procurarmos só aquilo que nos interessa na vida e não desistirmos disso, independentemente do facto de termos uma, cinco, dez ou nenhuma televisão em casa. Para quem não sabe, eu revelo um segredo: A vida é muito mais rica do que a merda da caixinha mágica ou qualquer outra forma de alienação.
GB 14:19
PREOCUPAÇÃO: Por momentos pensei que estava a perder o K, para sempre. Para gáudio das multidões o mistério está esclarecido. Foi um impostor arraçado de gótico que escreveu a maioria dos posts de ontem, na Cartilha. Um daqueles que se veste de preto, pinta a cara de branco e está prestes a fundar uma banda pior que os "Corpus Christi". Quanto aos verdadeiros prazeres da vida (sobre os quais K dissertou depois de escorraçar o charlatão), acrescento outro: Um frasquinho de "Guronsan", caso a ressaca seja muito severa.
GB 13:22

Segunda-feira, Junho 23, 2003

SAUDADES: Pedro Namora, depois de umas semanas ausente das televisões, voltou. E disse, convictamente e quase com orgulho, que tinha sido constituído arguido. Ele há com cada mania.
K. 20:28
GRACIAS P.L.: Hoje, além no nosso habitual visitante (em busca de Leonor Seixas nua), tivemos uma enchente (para os nossos parâmetros) devido a uma gentil referência de Pedro Lomba, no seu novel Flor de Obsessão. Esperamos que o (nosso) título prometedor não decepcione (totalmente) o público.
K. 19:36
OUTROS PRAZERES: As intervenções anteriores foram da exclusiva responsabilidade de um impostor de K.. Seguem-se as simples alegrias da vida: o Sporting (a ganhar), uma imperial (numa tarde de calor) e a Monica Bellucci (não precisa de fazer nada).
K. 19:25
AS MELHORES DISTRACÇÕES: A arte, os livros, a música, o cinema, ou para a maioria das pessoas o Trabalho, só aprofundam essa sensação de mortalidade, de isolamento. Porque se através um livro ou peça musical podemos tocar de alguma forma em alguém, essa é a prova mais imediata de que essa pessoa existe e não está presente.
K. 19:16
PESSOAS: As nossas relações são o melhor que a nossa vida alguma vez vai ter. As Pessoas com quem me partilho são o melhor que de mim fica. O meu Amor e os meus Amigos. O resto são distracções.
K. 19:11
PROXIMIDADE: E a vida, efectivamente, separa mais do que une. Depois da separação à nascença vamo-nos isolando cada vez mais. Dos nossos pais, da nossa inocência, até termos a consciência da nossa própria morte. E, depois, só ocasionalmente as nossas vidas nos aproximam de alguém. Falo de nos aproximarmos verdadeiramente.
K. 19:00
FINAL FELIZ: Não me entendam mal. Sou tão feliz como outro gajo qualquer, e até, normalmente, bem disposto, mas que uma sensação de avançarmos para o fim perdura, lá isso, ninguém nos tira.
K. 18:54
SINCE I WAS BORN I STARTED TO DECAY: Leio uma citação de um livro de Fátima Pombo O Desenhador, Malena aprendeu que a vida separa mais do que une. Também eu vou aprendendo.
K. 18:36
DOWN TO EARTH: Sobre Longe do Paraíso, apetece-me dizer que é para mim uma história de solidão. Mais que os constrangimentos da sociedade americana da época, que as tensões raciais e ou sexuais, Julianne Moore oferece-nos um retrato doloroso de uma mulher que vive enleada nas teias de uma solidão que se torna tanto mais perigosa, quanto ela vive rodeada de pessoas, da família, das amigas. Depois vê-se excluída da única relação que lhe prometia arrancá-la daquele buraco e também essa possibilidade lhe é negada. Então só entre os filhos, o marido, a amiga que a renega o seu abismo adensa-se. Está só até numa ausência de contactos físicos das personagens - as dimensões física e emocional das personagens e a sua relação são um traço da filmografia de Todd Haynes -que, de tão ausentes, se tornam omnipresentes no filme. Bem longe do paraíso as personagens vão-se ligando mais e mais à terra.
K. 00:12

Domingo, Junho 22, 2003

CONVITE AO GB: E hei-de arrancar umas linhas ao GB, nem que sejam digitadas directamente do Nepal. E vão dois posts que nos deves.
K. 23:53
SOLIDÃO: Sem prejuízo dos posts do dia a dia, por assim dizer, proponho que a Cartilha faça uma incursão por um tema mais alargado. Pela minha parte, e inspirado por um filme que vi esta semana, Longe do Paraíso, proponho-me falar sobre solidão. Todos a experimentamos, de uma maneira ou de outra, pelo que mesmo sem ser propriamente uma vítima do mal (acho eu, mas que sei eu) o assunto me interessa muitíssimo, ou não fosse de certo modo, e apesar das evidências em contrário, um dos maiores receios das nossas sociedades.
K. 23:50

Sábado, Junho 21, 2003

SABER: A autora de Harry Potter pintava-se muito quando era nova e dava aulas no Porto. Entretanto o príncipe e herdeiro do trono britânico fez 21 anos. E ainda dizem que não se aprende nada a ver televisão.
K. 21:55
BLOGUISMO: Vem este texto a propósito de um post de ontem do Pedro Mexia – caso ainda não tenham percebido, um dos musts da Cartilha – em que ele se refere ao carácter dos blogues e ao que eles representam. Sendo uma discussão que se vem travando nos blogues mais notórios há alguns dias, resolvi dar o meu contributo, um pouco em jeito de introdução contextual da Cartilha. Eu e o GB conhecemo-nos há muitos anos. Mantemos inúmeras afinidades, sendo que uma delas é a vontade de escrever. Colocámos várias hipóteses na Internet (onde se abrem possibilidades que dificilmente se repetem noutros medium), até descobrirmos os blogues. Percebemos imediatamente que eram o veículo ideal para o que queríamos fazer. E assim nasceu a Cartilha. Posto isto, por muito que a discussão tenha o seu interesse, e eu acompanhei várias delas, o universo dos blogues é ainda muito novo para se extrapolarem consequências quanto ao seu impacto na nossa imprensa, no opinion making. Contando que entre centenas de blogues muitos não têm qualquer influência mediática, mais complicado se torna aferirmos de algo que se mostre constante, de características comuns, tal é a diversidade, os objectivos a que cada um se propõe e o que cada um realiza. Depois reconhecemos o carácter particular, subjectivo e opinativo destas formas de publicar. Claro que se alguém faz um blogue é porque quer que alguém o leia. Pode, como é o nosso caso, não se preocupar demais com isso e fazê-lo independentemente de ter cinco leitores ou quinhentos, mas fá-lo na ideia de que alguém o vai ler. O que me leva aquilo que mais me interessa. Esse interesse em publicar, em escrever e dar a conhecer, não é necessariamente um sinal de narcisismo, ou umbiguismo como lhe têm chamado. Quando tomámos contacto com o formato tornou-se óbvio que o queríamos fazer como o vimos fazer das primeiras vezes, misturando textos mais sérios reflectindo as nossas ideias com os pequenos bitaites, com as graçolas, desabafos, sensações tiradas a quente. Então optámos por usar nicks. Não que não o pudéssemos fazer com os nomes próprios, mas o nick é um truque que nos facilita separar essa personagem de que o Pedro Mexia fala. Claro que o que K diz é o que eu penso e às vezes comento com amigos e família, mas K é, para todos os efeitos, alguém que se apresenta publicamente e que não é a minha imagem completa e absoluta. Penso que li numa crónica de Helena Sacadura Cabral no DN, que na sua vida, em todos os momentos e com todas as pessoas, se erguiam, de alguma forma, barreiras ou máscaras (não me lembro como lhe chamou) que a filtravam para os outros. Assim é comigo, com o GB, com todos nós. Ao K são levantadas algumas limitações que consciente ou inconscientemente crio, da mesma forma que outras se erguem. E é dessa mescla que vive o blogue. Pelo menos este blogue.
K. 21:45
BOLINHAS: Passo pelos quatro canais generalistas e bolinha vermelha no primeiro, bolinha vermelha na SIC e a TVI não tem mas devia ter. Só o 2º canal não tem bolinha e está a passar um filme que não mereceu a classificação. Ainda me lembro quando as bolinhas vermelhas eram quase presença certa no canal 2: filmes franceses, portugueses, o Império dos Sentidos, etc. O mundo, definitivamente, está todo às avessas.
K. 00:38

Sexta-feira, Junho 20, 2003

MAIS GALA MENOS GALA: Eu sabia! Agora é a Gala do Fenómeno da Operação Triunfo.
K. 22:09
QUIOSQUES: Existem nos arredores e nos caminhos que utilizo para chegar ao trabalho uma série de quiosques. Hoje, enquanto subia do Marquês para o Rato, uma vez que o metro estava parado, passei por três. Evitando as irritantes poças causadas pelos aparelhos de ar condicionado, os carros que tudo ocupam, e as gentes que circulam, uns muito depressa, outros muito devagar, estes que param sem que nada o faça esperar, aqueles que em grupos enormes obstruem toda a alargura do passeio. Lá fui e passando pelos quiosques pensei como sobrevivem todos. E como sobrevivem todos? Tratando bem os clientes. Os quiosques devem ser do pouco comércio que ainda leva os clientes nas palminhas. Dizem-nos bom dia, boa tarde; entregam-nos o jornal antes de o pedirmos; desejam-nos bom fim de semana. Se calhar dizem mal de nós pelas costas, mas acho que não. E eu, como até gosto que me tratem bem, vou dividindo as minhas compras por dois ou três quisques. Neste compro o jornal, neste a revista, naquele o livro. Sim, que agora até parecem livrarias, de tanto livros que aparecem espalhados pelas bancas.
K. 19:57
DECORADORA COM QUEDA PARA A MÚSICA: Soube há pouco que "Skin", ex-vocalista dos "Skunk Anansie", foi, outrora, decoradora de interiores. Provavelmente nunca comprarei um CD dela, como não tenho nenhum da sua anterior banda, mas reconheço que ela tem muita garra e talento. Se a tendência se confirmar, tenho que entrar já em contacto com outros valores da arquitectura de interiores. Graça Viterbo e Mónica Penaguião vão ser as primeiras a gravar pela editora que eu vou abrir. Já me vejo rico, de férias no Hawai e a fazer contactos telefónicos para levar estas duas artistas às festas de Domingo à tarde da TVI.
GB 14:55
O SOLTEIRO MAIS COBIÇADO DO MUNDO: Foi desta forma que um jornalista britânico descreveu o príncipe William (ou Guilherme, como queiram), que um dia destes irá herdar a coroa britânica. O comentário estava inserido numa reportagem emitida no "TVI Jornal" de hoje, com a qual aprendi imenso sobre monarquia e poder nos dias de hoje. Senão vejamos: Fiquei a saber que o pequeno William faz hoje 21 anos. Sei agora que ele é a grande esperança de sua majestade Isabel II, porque o príncipe Carlos (esse sim, herdeiro natural do trono) deve ter chumbado nos exames das revistas cor-de-rosa, devido ao seu namoro com uma moça pouco jeitosa. Fiquei também a saber que há um pacto, entre a casa real e os tablóides, que visa preservar a privacidade do príncipe William. Ao que parece ainda só devassaram a cozinha do rapaz, numa vez em que ele estava a fazer panquecas com uns colegas da escola; e apanharam-no a carregar troncos nos Andes, durante um trabalho de voluntariado. A conclusão é que ele é um galã de bom coração, pretendido pelas mães de milhões de pitas por esse mundo fora. Se os requisitos para subir ao trono daquele país são tão reduzidos, tenho que emigrar rápidamente. Preciso apenas de esforçar-me por aparecer mais na televisão, inscrever-me numa escola de polo e, quem sabe, jogar râguebi ao fim de semana. Ah... E provar que os meus ovos mexidos são melhores do que as panquecas dele. De resto acho que posso ombrear com o neto da rainha. Voltando à reportagem, fiquei sem saber se ele já "comeu" a Britney Spears, mas também desconheço se ele fez alguma coisa importante na vida. Se calhar até fez, mas isso pouco importa, não é? Afinal aquilo era só uma reportagem de um jornal televisivo e não há assim tanta necessidade de informar...
GB 14:24

Quinta-feira, Junho 19, 2003

MARÉS VIVAS: Um homem na praia olha o mar revolto. Vê a agitação, o aglomerado. Um homem percebe a tragédia, comenta "olha, aquela já lá ficou". Continua a olhar, curioso, entusiasmado, "tem que lá ir o nadador salvador". Fala para família que o observa como se assistisse ao telejornal. Ele ainda vê, mais que as centenas que se juntam à beira-mar. Acha que devia ouvir a sirene do carro patrulha, mas ainda não. Perscruta, esforça o olhar, "já não a tira de lá". As pessoas juntam-se, ele dá um passo em frente, tapa os olhos com a mão, fazendo uma pala. A sua expressão contrai-se, "já a trouxe". Por alguns segundos ainda se mantém a tensão. Depois as pessoas desmobilizam ao vê-la salva. Depois as faces que o fitavam afastam-se, olham para as revistas, para as crianças que fazem buracos, olham umas para as outras e esquecem a expressão do homem. Baixa o olhar e senta-se. Pega no jornal e esquece. A grande velocidade, na estrada acima, passa o carro patrulha com a sirene em sonora algazarra.
K. 15:51
COISAS DO DEMO: Arrancou ontem à noite o (novo) blog do Pedro Mexia. Chama-se Dicionário do Diabo.
K. 15:36
CAUSAS E ALIANÇAS: Desbroncou-se, como se costuma dizer, o deputado do PS. Resta saber se as palavras do boavisteiro foram proferidas no tom que ressalta da notícia, ou se tinham uma conotação de carácter eminentemente política-partidária. Se as palavras eram vergonha pelas orientações sexuais das companhias socialistas no FSP são simplesmente uma imbecilidade, uma enormidade como tantas outras a que vamos assistindo regularmente vindas dos mais diversos quadrantes. Se Lello pretendia significar que o PS não se devia aliar a este tipo de movimentos e associações com características mais marginais e específicas (em comparação com as maiorias que o partido pretende acolher), então as suas declarações, apesar de infelizes, são apenas a verbalização do sentimento de algumas faixas do PS que acham que o partido, sendo um partido de poder, se deve abster de se envolver nestas concentrações que, orgulhosamente, manifestam reservas grandes ao nosso sistema político. Legitimamente, O PCP não quer misturas com patrões e bancários, não se junta às reivindicações do patronato e na sua génese está este tipo de activismo, estão os direitos dos trabalhadores, o combate ao capitalismo, ao mercado. Da mesma forma o PP não quer nada com os sindicalistas, com activistas da legalização do aborto e quer ser a voz dos velhinhos das aldeias e dos miúdos bem que andam com sapatos vela e com um pullover pelas costas a tirar cursos de direito e relações internacionais. O PS e o PSD são partidos de poder, pretendem representar, com algumas diferenças, o mesmo povo, a classe média. E, quer se goste ou se não goste, não se envolvem com minorias de forma pronunciada, não resvalam para as bermas do centrão, porque quanto mais fugirem para as extremidades mais se arriscam a perder o centro e, consequentemente, as eleições. As palavras de José Lello são, absolutamente, infelizes. Mas se foram proferidas com um pendor preconceituoso são muito mais censuráveis do que serão se pretendiam apenas mostrar a discordância perante a estratégia de alianças e de lutas políticas do PS. E há que tentar compreender: depois de sermos ministros, é dificil ver os outros a empurrar o partido para uma estratégia que os fará regressar ao governo lá para 2010.
K. 00:02

Quarta-feira, Junho 18, 2003

FÃNS DO MEXIA: Parece que o Pedro Mexia vai anunciar hoje na Antena 1 o seu novo blogue (enquanto os mestre não se decidirem usarei alternadamente blog ou blogue). Aguardamos com expectativa.
K. 21:39
CASA DE BANHO: Quero juntar o meu grito ao protesto que corre Portugal, a net portuguesa e a até na blogosfera já teve eco! Aqueles azulejos do novo estádio do Sporting não existem. Como é que nós nos vamos defender das acusações de que vamos jogar numa casa de banho gigante?
K. 21:35
AO ENGANO: Nem mails, nem posts, isto anda muito desanimado. Quanto aos mails é natural, investigámos e chegámos à conclusão que grande parte dos gatos pingados que aqui vieram ter, vieram ao engano. Em primeiro lugar tivémos alguns visitantes que procuravam por "Leonor Seixas nua" (agora então é que vêm cá todos parar). Outros procuravam a Coluna Infame e até o regresso do Pedro Lomba. Mas enfim, quando tivermos paciência pedimos aos amigos que ainda nos restam para cá vir para poder somar mais uns hits.
K. 21:31

Segunda-feira, Junho 16, 2003

MAIL TO: Feita a divulgação da Cartilha, alguns visitantes apareceram para fazer número com as nossas namoradas e o nosso leitor mais regular, o meu irmão. Se eventualmente alguém quiser dizer mal, bem, ou assim-assim, estejam à vontade, a casa é vossa.
K. 23:01
TV: Ainda no tema TV, o GB é que teve uns encontros engraçados sobre as relações das pessoas com a televisão. Se tiver tempo e estiver para aí virado, o outro lado da Cartilha falará.
K. 23:00
O MEIO E A MENSAGEM: Ainda reflexões sobre a televisão e o espalhafato da nossa Fátinha. Atentem no texto de Fernando Ilharco no Público de hoje. Com outro rigor, Fernando Ilharco, explica como a televisão traduz, hoje em dia, algo mais que um meio de apreender uma determinada realidade. Ela assume-se, cada vez mais, como O Meio, mas mais ainda, como a mensagem em si. Ou seja a realidade não é algo para além do que aparece na televisão, a realidade é a televisão, é o que lá aparece. O que me espanta mais é que em Portugal continuamos fascinados com a televisão, inclusive as elites que martelam incessantemente contra a podridão televisiva como se o natural fosse que ao democratizarmos o meio a qualidade crescesse. O que é grave é que em Portugal a televisão ganhou uma tal proporção que parece que todos os sectores da sociedade se prestam a todo o tipo de disputas, de protagonismo, reagem a tudo, contestam tudo e dá-se um tal destaque ao que a televisão emite que mais parece que não existe país para lá da televisão. Toda a gente tem televisão, toda a gente pode ir à televisão, chegámos a um ponto em que quase toda a gente pode ser estrela de televisão, por isso, a televisão é o que a maioria quer, e as maiorias, o povão quer é disto: telenovelas, futebol e Fátinhas para animar a malta. Podemos discutir se a RTP se excedeu; se como televisão de serviço público deveria ter revelado outra sensibilidade? Mas isso provavelmente é outra questão, possivelmente menos complexa, mas proporcionalmente mais polémica (porque mexe com os interesses de muita gente). Quanto ao resto é simples: a televisão é, na sua expressão mais comum e generalista, um meio de comunicação de massas. Sê-lo-á cada vez mais, e com esse crescimento assistiremos com certeza ao crescimento de todo o tipo de coisas, de todo o tipo de programas, se não for na RTP será nos canais privados. A única forma de contrariar isto seria legislar sobre o que é aceitável ou não fazer, mas isso acho que ninguém quer, ou melhor dizendo, eu não quero. Se tenho que aturar a Fátinha para poder ter possibilidade de escolha, que seja. E não me interpretem mal, eu vejo televisão, às vezes mais, outras vezes menos, aqui e ali há coisas boas e não partilha daquela imagem catastrófica sobre a televisão. Mas o mais maravilhoso de tudo isto é que se eu quiser não ligo a televisão. Leio um livro, oiço música, vou ao cinema, ou passear, ou então, venho para aqui bloggar.
K. 22:58
POBREZA: No Acontece de hoje, entrevista com Yann Martel, vencedor do Booker Prize 2002 com A Vida de Pi. Pode ser má vontade minha, mas aspirar à pobreza material provoca-me sempre desconfianças. Se o senhor quer tanto assim ser pobre é começar por doar-me os direitos de autor do livro e deixar de dar entrevistas à televisão.
K. 22:55
SAUDAÇÃO: A Cartilha saúda o regresso à blogosfera de Pedro Lomba, como Special Guest Star (o star fui eu que acrescentei) no Blogue dos Marretas.
K. 18:28
BLOGAR: Vejo o post anterior e siderado pela opressão a que o colega está a ser sujeito pelo patronato, proponho já aqui uma manifestação. Se não aparecerem aderentes suficientes, aviso já que me juntarei à próxima manifestação anti-globalização que alguém fizer, ou então apareço no próximo Forum Social Português. Também, entre tantos movimentos, não vai fazer confusão mais um... e já tenho nome: Bloguistas Umbiguistas Querem Blogar (BUQB)!
K. 18:14
HORA DE ALMOÇO: www.cartilha.blogspot.com... Escrevo o endereço com a mão direita, enquanto a esquerda agarra no garfo e leva um pedaço de batata à boca. Estou no intervalo de almoço. Hoje vai ser curto! Muito curto, porque o trabalho abunda e parece que o meu relógio de pulso trabalha a um ritmo mais frenético que nunca. Será que está avariado? Não!... Os outros também estão a andar depressa... Agarro na faca e corto um peito de frango. Leio os últimos posts do K... Fátinha... Cálvário da "Operação Triunfo"... Largo a faca para pegar no rato e visualizar mais páginas da "cartilha"... Volto a agarrar na faca e continuo a ler... "Mãos no fogo"... Largo o garfo para pegar na garrafa de água... Atendo o telemóvel... "Pneumonia"... Atendo outra vez o telemóvel..."Roteiro"... Já perdi a conta do número de vezes que peguei e larguei a faca, o rato, o garfo a garrafa e o telemóvel. Os meus olhos viajam do prato para o ecrã e do ecrã para o prato. "Coitadinho! Nem na hora de almoço larga o trabalho!", exclamou alguém. "Não é uma hora, são para aí vinte minutos, idiota" - apeteceu-me dizer. Em vez disso nem olhei para a pessoa e larguei mais uma vez a faca para começar a escrever este post. Como diz o K, tenho que começar a ser tributado na Alemanha. Agora tenho que ir porque já passaram mais cinco ou dez minutos. Resta-me apenas confessar que consegui acabar de escrever este post com as duas mãos no teclado
GB 13:43

Domingo, Junho 15, 2003

FÁTINHA DE PORTUGAL: Dou-me conta, numa volta pelos telejornais, que levantou grande celeuma a cobertura dada a Fátima Felgueiras pelas televisões. Só não percebo onde está o espanto. A entrada dos operadores privados na televisão trouxe estas coisas, acarretou esta vertigem. Primeiro no entretenimento, agora com maior destaque na informação. Oiço, e até sou capaz de subscrever o nosso provincianismo, mas não é nada de novo, nem é por aí que vamos chegar ao fundo. Portugal é o que é. Já o é assim, em muitos aspectos, desde tempos imemoriais. Muitas vezes já pareceu que batíamos no fundo, mas cá nos vamos aguentando. Nem eu, aqui e acolá, escapo a estes delírios miserabilistas, mas eu escrevo para meia-dúzia, se tantos. Por isso, calma! Entre mortos e feridos, todos nos havemos de salvar! E quando, como comunidade, fizermos por merecer outro país, lá chegaremos.
K. 21:32
ESPECIAL DOS VENCEDORES PARTICIPANTES NA FINALÍSSIMA QUE RESULTOU DA GRANDE FINAL: Não é que seja do pior que por aí andou. A Operação Triunfo até estava alguns furos acima da mixórdia geral, mas este massacre que a RTP promove diariamente, parece o fim dos filmes de terror, o vilão, por mais que apanhe, volta sempre para um último assalto. E dura, e dura, e dura...
K. 21:09
LEITORES: Agora que já mais alguém, para além de nós próprios e das nossas namoradas, viu alguns destes posts, não nos levem muito a sério, que nós também não.
K. 21:03

Sexta-feira, Junho 13, 2003

MÃOS NO FOGO: Coloco as mãos no fogo por fulano; não coloco as mãos no fogo por sicrano; coloco, não coloco; Não coloco as mãos no fogo por ninguém. Por ninguém, nem por mim próprio. O que não impede que muito me surpreenderia que algum dia fizesse algo que condeno absolutamente; o que não impede que até aos limites da minha resistência defendesse a inocência daqueles por quem nutro uma admiração e consideração pouco menos que inabalável. Vem isto a propósito dos escândalos de pedofilia, dos seus envolvidos, dos familiares, dos amigos que se querem imolar pelo fogo, por todas essas manifestações (compreensiveis) de solidariedade por quem nos aprendemos a respeitar, a conhecer ou pensar que conhecemos.

Leram Escândalo de Shusaku Endo? Resumidamente é o relato sobre um famoso romancista japonês que no ocaso da sua vida, quando atinge o reconhecimento literário se vê envolvido num escândalo de prostituição. A questão não se centra na culpabilidade do protagonista, nem da disputa moral sobre a prostituição, mas antes sobre a indesfarçável inocência do romancista dos actos que lhe eram atribuidos. Apenas para reconhecer o quanto desconhecia de si próprio, até ao nível das pessoas que o rodeiam e que, alheias à sua própria vontade, se enredam na sua vida e ele dá por si a ser alguém que não pensava ser. No romance de Endo, as descobertas sobre os nossos próprios abismos atingem níveis patológicos, mas desiluda-se quem pensa que é preciso ter dupla personalidade para fazermos coisas de que não nos julgamos capazes.

Se alguém que me fosse muito próximo (e estou só a pensar numa dúzia de pessoas quando muito) fosse envolvido num processo como o da Casa Pia, responderia a todos quantos quisessem ouvir que eram inocentes, que acreditava neles e acreditaria até que me fosse provado para lá de qualquer dúvida, provado de forma absolutamente inabalável, que eram culpados desse crimes. Eu sei que nenhum deles tem esse tipo de comportamentos, como eu não tenho, como a maioria das pessoas não tem; mas isso não me permite colocar as mãos no fogo por eles, como não coloco por mim. Porque se sei que a maioria de nós não é pedófilo, todos temos dentro de nós suficiente matéria para ser. Todos nós somos feitos de uma complexa mistura de clareza e negrume; de bondade e moralidade com malvadez e anarquia; e assim sendo todos somos capazes de tudo e ao mesmo tempo muitos de nós são incapazes de certas coisas. Só que perceber quem é quem é um exercício de adivinhação sobre a natureza humana, tão fascinante quanto perverso.
K. 16:24
DENTES: Se alguém estiver interessado, eu também posso arrancar dentes. Tenho ali um bom alicate.
K. 13:34
PNEUMONIAS: Enquanto não arranjamos the real thing, as nossas televisões vão abrindo os telejornais com os casos de pneumonia adenovírica. Deve ser uma versão para os pobres.
K. 13:14

Quinta-feira, Junho 12, 2003

FITAS PORTUGUESAS: Hoje passa na RTP2 Rasganço, estreia de Raquel Freire na realização. Em semana dedicada ao cinema lusitano, segunda-feira passou O Gotejar da Luz, e amanhã fecha o ciclo com Vou Para Casa de Manoel de Oliveira. Na noite de terça-feira vi Quem És Tu? de João Botelho, baseado na obra de Almeida Garrett Frei Luís de Sousa. Dormi uma média de cinco horas nas últimas noite para poder assistir a estes filmes. Valeu a pena! Quem És Tu? é uma obra difícil e pausada, em boa parte no que isso tem de melhor. Num registo muito coloquial, como se se tratasse da peça de teatro que é, João Botelho introduz o contexto histórico em que a narrativa se desenrola, propositadamente forçando um tom reflectivo sobre o que a nossa história significa para o nosso presente, nomeadamente à luz do mito do sebastianino. Sem nunca perder esse fio condutor, um retratar minucioso da alma portuguesa, Botelho avança então para a trama propriamente dita, para a tragédia de D. Madalena e da filha Maria e seu pai Manuel Sousa Coutinho perante o regresso do indesejado romeiro D. João de Portugal. Ontem assisti à última longa-metragem de Teresa Villaverde Água e Sal. Depois de Mutantes, Teresa Villaverde assina mais uma obra intimista e frágil, mais frágil que o seu predecessor. O argumento é menos sólido que do filme anterior da realizadora e a condução é mais instável, mas não deixou de me tocar, de alguma forma. Existem alguma belas imagens, uma certa inquietude que trespassa da protagonista para as restantes personagens e para o espectador, mesmo se nalguns momentos existem situações que Teresa Villaverde não resolve bem, algumas personagens que nascem abruptamente e alguns momentos em que parecemos arrancados ao filme que estamos a ver.
K. 20:58
ROTEIRO: Infelizmente o meu cepticismo relativamente ao Roteiro de Paz não era infundado. Eu queria acreditar, acho que mais que os outros, quem achou que a guerra do Iraque acabara por ser inevitável e poderia, pelo menos, tornar-se numa gazua para outros feitos, queriam acreditar que era possível. Os americanos estão a fazer a parte deles, isto é, tanto quanto é de se esperar que façam. O problema é outro e chama-se Ariel Sharon. Não que eu o compare a Arafat ou aos terrorista palestinianos. Mas esses ou outros que tais vão continuar a existir em maior ou menor número. De Sharon, exactamente porque é um líder eleito e não um terrorista, é que tem de se esperar a pose de estado, a determinação para levar este processo avante. As acções israelitas não ajudam nem um pouco o primeiro-ministro palestiniano a reforçar a sua posição, ele que é o primeiro líder palestiniano a mostrar-se na disposição de terminar com o terrorismo como forma de luta. Sharon, como no passado, não resiste a uma reacção violentamente repressora, e antes que Abu Mazen pudesse concretizar a sua promessa de combater o terrorismo, Sharon deitou por terra muito do que se construíra nos últimos dias e demonstrou mais uma vez que, neste momento, não é só Arafat que é empecilho para o Roteiro. Enquanto não se concretizarem as bases de confiança entre líderes verdadeiramente interessados na pacificação que permitam que os actos desesperados dos extremistas se tornem inócuos para o processo, nem vale pena discutir o resto.
K. 19:18
DEMOCRACIA: Entre a exaltação que varreu a Coluna Infame da blogosfera, o feriado, a praia e muito cinema quase não houve tempo para dar a devida atenção à primeira edição do Fórum Social Português. Após ler dois textos, no Público de hoje, ficou a deixa perfeita para deixar aqui um dois comentários. Depois de ler o texto de Pacheco Pereira pouco fica para dizer sobre as qualidades democráticas destes movimentos. De Saramago faltou a explicação sobre a nova democracia que quer fundar, se quer tomar por modelo Cuba ou se é um espécime completamente novo. Do pai fundador do movimento, Boaventura Sousa Santos, sempre a bater no molhado, veio a mais extraordinária frase, onde se resume o respeito do Fórum pelo Democracia Liberal: Se o voto mudasse alguma coisa já tinha sido proibido. Infelizmente, o povo, que tanto se arrogam representar das varandas dos seus belos apartamentos e moradias, não quer o que eles querem. Haviam de ter lido o texto de Pedro Rolo Duarte sobre Cunhal no último Dna, haviam de perceber porque é que o povo, infelizmente, é carrasco de si próprio. É verdade que o povo quer mais dinheiro, mais condições, mais conforto, mais emprego, mais segurança, mas o povo quer também mais futebol, mais Big Brothers, mais Felgueiras e Joões Jardins, quer mais privilégios e não os quer partilhar com os estrangeiros, quer ver telenovelas e futebol de manhã à noite e quer que haja paz no mundo, mas desde que não se lhe mexa no pouco que têm; quer que os agricultores brasileiros vivam melhor mas quer mais protecção da nossa agricultura contra as exportações de países como o Brasil. E falo aqui de brasileiros porque me liga ao segundo texto que menciono atrás. Sérgio Vasques fala da proposta de Lula para criar um imposto sobre o armamento para combater a fome. Devo dizer que duvidando fortemente da eficácia da medida e da sua exequibilidade (que o autor do texto ultrapassa afirmando, sem explicar porque é, que é tão simples de implementar), me confunde o argumento de que quem vende as armas é mais culpado que quem compra. É a mesma história de sempre, as causas dos atrasos dos países em situações precárias nunca é dos seus regimes totalitários e facínoras - e mesmo quando é responsabilidade deles é porque são apoiados pelos E.U.A. ou pelo Ocidente em geral – mas sim do capitalismo e das democracias liberais que lhe vendem as armas (ignoram porventura que os vendedores de armamento também vendem a países estabilizados e ricos ou pelo menos remediados, e que lhes é indiferente se estão a vender a ditaduras ou democracias). Curiosamente são alguns dos líderes destes regimes que por vezes vemos a manifestar mais simpatia por estes movimentos, nomeadamente pelo Fórum de Porto Alegre, e é presumivelmente nesta direcção que querem caminhar, como muito bem explica Pacheco Pereira.
K. 18:58

Quarta-feira, Junho 11, 2003

GRAMÁTICA E DIETA: Escreveu Eça de Queirós em carta ao Conde de Arnoso: (..) para todos os efeitos, será sempre o mais sábio e prudente conselho a oferecer a um homem de letras: «Respeita a gramática e ganha barriga!». Mesmo que mais que ser, eu quisesse ser «um homem de letras», lá fui hoje comprar um prontuário ortográfico, uma vez que quanto ao segundo quesito já está garantido.
K. 19:05
A MONTANHA PARIU UM RATO: Dei uma vista de olhos ao DN de ontem. Afinal, depois de tanto alarido, o Zé Braga Gonçalves não quis desmentir o Portas e o rapaz quase que saía de lá com uma menção honrosa.
K. 18:56
DIA DA RACHA: Se não querem que seja Dia de Portugal, também já não era Dia da Raça. Fica sugestão, inspirada pelo blog O Meu Pipi, para se festejar o Dia da Racha. As comemorações podem ser em Monsanto que agora até está renovado.
K. 18:53
"VERSOS QUE NOS SALVAM - ESPECIAL CAMÕES. Para o BdE, hoje não é dia de Portugal. É dia de Luís Vaz de Camões.": Este é o título de um post do "Blog de Esquerda". Que diabo! Os rapazes já não se revêem neste país governado por fachos! Até renegam o "Dia de Portugal"?...
GB 15:16
LÁ SE FORAM AS MUSAS É com grande pesar que escrevemos este post. "A Coluna Infame" chegou ao fim da sua existência e deixou órfãos muitos bloguistas com ascendência intectual fascizóide, entre os quais os fachos olimpicos gostariam modestamente de se incluir. A "Cartilha do Facho Olímpico" deve a sua existência à vontade incontornavel que temos de escrever, de ter uma opinião sobre o que nos rodeia, mas existimos também porque a admiração pelo trabalho dos infames, levou-nos a querer o nosso espaço. Partilhamos com eles algumas (ou muitas) convicções mas nem sempre pretendemos incidir sempre sobre o mesmo universo temático. Os infames eram um exemplo de qualidade, frontalidade e honestidade intelectual e, por isso, uma referência. Agora quem é que vai competir connosco pela vitória nos blogs d'ouro? É certo que eles tiveram mais de 80 000 page viwes e nós ainda vamos nos 16 (não, não falta aqui nenhum zero... são mesmo 16 e não 16 000), mas é preciso ter calma... Esperamos sinceramente encontrar Pedro Mexia, Pedro Lomba e João Pereira Coutinho, noutro recanto qualquer da blogosfera. Despachem-se porque as classes opressoras acabaram de perder altos dignatários!
K e GB
GB 15:11

Terça-feira, Junho 10, 2003

ESTOU FARTO: E agora, porque isto está a ficar muito intelectual e sério, um momento de descontracção: Jardel diz que está farto. Calha bem, também já estamos todos fartos dele (quem diria que eu um dia viria a dizer isto).
K. 01:19
LEITURAS: Terminou hoje, provavelmente (esta palavra está-se a repetir muito hoje), a minha Feira do Livro. Comprei algumas coisas, mais ou menos dentro do orçamento que havia estipulado. Não devo lá voltar porque corro o risco de ter que me endividar. No balanço global, 2003 não me parece mal, antes pelo contrário. Gosto mais da disposição actual dos pavilhões e a oferta pareceu-me, de alguma forma, ainda maior que em anos anteriores. Dos espaços de debate não falo, porque não frequentei, como não me pronuncio sobre as alterações arquitectónicas da Feira (se assim se lhe pode chamar). Também não me parece, assim, tão importante. Palavra ainda para um bando de miúdos que me emperraram o caminho, deixando-me na dúvida sobre a violência física absoluta ou a paciência de os deixar seguir o seu périplo. Lá continuaram a sua jornada em busca de brochuras, folhetos e saquinhos, e alguns até voltavam atrás quando se julgavam descriminados. Esperemos que a perturbação que lançam hoje se repercuta em relações profícuas com os livros. Eu sei que gostaria de ter crescido assim. Apesar de sempre ter lido, só me arrependo de não ter lido mais ainda.
K. 01:15
NOTAS FINAIS: Notas de fim de dia. Antes de me recolher para um pouco de leitura antes do descanso do guerreiro, cá fica a referência ao filme em exibição na RTP1. Morrer em Las Vegas é um documento magnífico, provavelmente com a melhor interpretação da vida de Nicolas Cage e recheado com uma banda sonora irresistível.
K. 01:04

Segunda-feira, Junho 09, 2003

O VELHO, A JOVEM E A BICICLETA: Mas nem tudo se perdeu. Nas duas sessões cinematográficas vi o trailer de Vai e Vem de João César Monteiro e fiquei com água na boca. O dito senhor à sombra no jardim do Príncipe Real, a ouvir ópera, enquanto observa uma jovem petiza passar na sua bicicleta até finalmente se meter com ela, não só é delicioso, como pode motivar uma convocatória para o DIAP, não para o realizador (que entretanto já não está entre nós) mas para todo e qualquer espectador que não se revolte e não saia imediatamente da sala. Não o inclui nesta mostra porque ainda não tem data de visionamento marcada, nem tão pouco confirmada. Mas se (João de) Deus quiser lá chegarei.
K. 23:47
MULHER POLÍCIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS: Para completar a minha triologia pessoal em português, assisti hoje ao segundo filme de Joaquim Sapinho, Mulher Polícia. Devo dizer que partia para esta terceira etapa com mais expectativas que para as anteriores. Por um lado devido às baixas expectativas iniciais das restantes peças que me propunha visionar. Por outro lado porque o filme de estreia de Sapinho, Corte de Cabelo, sem ser uma obra prima, era um filme irreverente, bem conduzido, com ideias, personagens e que não deixava de cativar pelo entusiasmo com que era levado. Infelizmente, ainda não foi desta que me encheram as medidas. Pelo contrário. Se nalguns aspectos Sapinho cresceu, a imagem, a fotografia é belíssima, os planos nalguns momentos são extraordinários, e existem meia-dúzia de expressões filmadas de forma muito expressiva, o que é certo é que no cômputo geral salda-se por um grande fiasco (para mim talvez maior porque esperava mais). O argumento é uma manta de retalhos. As personagens são a maior parte das vezes inverosímeis e sem profundidade, tirando a que é transmitida pelos olhos, pela expressão. As situações vão-se sucedendo sem lógica e num exercício quase de masoquismo acontece de tudo às personagens, desde um assalto; uma violação (em que pacatos caçadores não só violentam a senhora como lhe ficam com a roupa, obrigando-a a caminhar nua pelas serras); um camionista que aparece e desaparece da mesma forma instantânea; e até um casal de polícias muito sui generis. A ideia do road movie, filmado de forma intimista e quase como uma viagem de vida, é muito interessante e o retrato do Portugal rural bem imaginada, num universo que poderia de algum modo ter pontos de contacto com Straigth Story de David Lynch. Mas no fim fica uma sensação de planos falhados, de personagens que não se conhecem, mal construídos, de um Portugal que não existe, que fica entre uma realidade muito romanceada e um certo surrealismo que não se chega a concretizar, que se perdem nos planos longos e melancólicos, nos cenários, e na banda sonora bela e cristalina.
K. 23:38

Domingo, Junho 08, 2003

AMANHÃ À VENDA: É já amanhã que estará nos escaparates Hail to the Thief, o novíssimo dos Radiohead. E o que nos guardam os nosso amigos andróides paranóicos?! Ao contrário do que Thom York referiu em várias entrevistas, não será propriamente uma segunda parte de O.K. Computer, antes uma síntese refrescante dos caminhos que a banda trilhou até aqui. Esquecendo as interpretações políticas que insistem em retirar das canções da banda, se, porventura, podemos encontrar no exercício de de-construção rock de O.K. Computer a matriz principal deste Hail to the Thief, é impossível ignorar as influências electrónicas e experimentalistas de Kid A e Amnesiac, bem como a estética pop herdeira de The Bends. De certo modo os Radiohead fazem uma revisão da matéria dada, esquecendo o insípido primeiro álbum e recuperando menos as canções de The Bends, mas mostrando a lição bem estudada no que diz respeito às evoluções dos álbuns seguintes. Será prematuro dizer se este será um álbum fundamental da discografia de Thom Yorke e companhia. Que tem grandes canções não há dúvidas. A começar por "2 + 2 = 5", onde a canção ganha de novo corpo depois dos excessos electrónicos dos últimos dois trabalhos. Are you such a dreamer / to put the world to rights / i'll stay home forever / where two and two always makes a five abre em grande e deixa água na boca para o resto. “Backdrifts” e “The Gloaming” recuperam a sonoridade electrónica e fria; “There There” o single de avanço do álbum reitera a noção de canção, sempre embebida num sofrimento lírico de insatisfação, de desesperança, de negação. Momento alto em “We suck young blood” onde a balada ao piano, em ritmo enterteiner, se transforma em hino de sofreguidão sobre Hollywood, associação feita pelo próprio Thom Yorke. Para terminar em grande, uma canção quase falada, quase declamada, guitarras dedilhadas, palavras recitadas, “A Wolf at the Door” resume a luta, os avanços, os recuos, os ganhos, as perdas, da vida, do mundo e da própria banda, fazendo lembrar “Fitter Happier” mas sem os efeitos na voz e num registo mais intimo e pessoal e menos de alerta ecológico: i keep the wolf from the door /but he calls me up / calls me on the phone / tells me all the ways that he’s gonna mess me up / steal all my children / if i don't pay the ransom / but i'll never see him again / if i squeal to the cops / so I’m just gonna.
K. 23:14
NAS HORAS: Vi hoje As Horas de Stephen Daldry. Filme competente, conduzido com segurança mas sem o golpe de asa que o tornasse verdadeiramente notável. Notável mesmo só a fabulosa Julianne Moore (como sempre aliás). A sua personagem é a mais interessante das três protagonistas, entre uma Virginia Wolf caricaturada - que nem Nicole Kidman salva dos lugares comuns da loucura esquizofrénica dos artistas - e a Clarissa Vaughan "Dalloway" dos nossos dias que leva demasiado tempo a concretizar as suas angústias parecendo por vezes deslocada. Referência para a fotografia cristalina e fria que ajuda a trasnportar-nos para os ambientes de desespero em que as protagonistas se debatem.
K. 22:09
COMENTÁRIOS DE DESTRUIÇÃO MACIÇA: Entre WMD just a convenient excuse for war, admits Wolfowitz" publicado no Independent e "The truth is that for reasons that have a lot to do with the U.S. government bureaucracy we settled on the one issue that everyone could agree on which was weapons of mass destruction as the core reason, but -- hold on one second -- (Pause) Kellems: Sam there may be some value in clarity on the point that it may take years to get post-Saddam Iraq right. It can be easily misconstrued, especially when it comes to -- Wolfowitz: -- there have always been three fundamental concerns. One is weapons of mass destruction, the second is support for terrorism, the third is the criminal treatment of the Iraqi people. Actually I guess you could say there's a fourth overriding one which is the connection between the first two. Sorry, hold on again. (...) vai uma diferença significativa. Como já referi num post anterior nunca alimentei ilusões sobre a generosidade americana e parece-me óbvio que interesses de vários âmbitos influenciaram a decisão americana. Entre esses interesses estaria com certeza a riqueza petrolífera do Iraque. Outra coisa é dizer que havia a certeza de não existirem armas de destruição maciça, que foi tudo inventado e que essa preocupação não existia. Não foi isso que Wolfowitz disse, como quando comparava o caso iraquiano com a Coreia do Norte não disse que o Iraque foi invadido por estar cheio de petróleo. O que afirmou, coisa bem diferente, foi que estando o Iraque cheio de petróleo as pressões económicas que se aplicam à Coreia do Norte não surtiam efeito com o Iraque. Mas o mais extraordinário é que se continua, ontem, hoje e provavelmente amanhã a comentar o facto como ele foi inicialmente apresentado.
K. 21:46

Sábado, Junho 07, 2003

SEX APEAL: Foi impressão minha ou uma das personagem de O Pai Tirano disse: (...) não tem sex apeal (...).
K. 21:58
DEIXO MENSAGEM: A segunda parte da triologia portuguesa não se saldou por uma melhoria significativa. Como vejo muito pouco teatro vou abster-me de me pronunciar profundamente, mas sempre vos digo que à excepção do sketch final, não valia o esforço dos actores. Mas guardaram o melhor para o fim e sempre saí mais satisfeito, mas sem vontade de ir de férias. A peça chama-se Por Favor Deixe Mensagem de Michael Frayn e está no Teatro da Luz.
K. 16:58
DESAVENÇAS: Aí estão para comprovar que eu e o GB não somos uma e a mesma pessoa, as divergências: ele não gostou da Leonor Seixas (este filme já está a merecer demasiadas citações para o seu valor), eu gostei; ele quer pôr-me a dar autógrafos, mas a mim não me parece que eu tenha a estaleca para repetir a minha miserável assinatura assim tantas vezes (já me custa a assinar cheques).
K. 16:40

Sexta-feira, Junho 06, 2003

SOB ESCUTA: K e GB, conversam ao telemóvel...
GB: ... Afinal arranjei quatro bilhetes para o teatro. Dois são para si, ó amigo!
K: Baril! A minha namorada vai curtir.
GB: Boa! Eu vou levar aquela pita de quem te falei... Parece-lhe bem, ó chefe?
K: É melhor não dizeres isso ao telemóvel, meu! Olha que isto anda perigoso...
Sinais dos tempos... Só quero deixar claro que pita (apesar de ser palavra perigosa nos dias que correm) é, neste caso, um termo carinhoso. Posso garantir que a minha namorada tem mais de 18 anos e que não há motivo para eu ir ao DIAP nos próximos dias...
GB 13:50
A K, O QUE É DE K! Num post anterior, o K afirmava como pouco provavel que algum dia alguém queira um autógrafo dele. Deu-lhe para a desesperança. É preciso ter calma! Primeiro ele precisa de publicar alguma coisa (aliás, devia!). Depois eu arranjo maneira de ele ir a umas festas, onde apareça em fotografias ao lado da Maria João opo de Carvalho e da Lili Caneças. A partir daí é sempre a somar! Já vejo no horizonte sessões de autógrafos, capas de revista, co-apresentação de programas como o "Rosa Choque", etc, etc. Só é preciso ter em atenção um pequeno pormenor. Convém que o livro seja tão simplório como a dedicatória de um autógrafo vulgar, senão nunca chegará às 500 000 vendas da tia Margarida...
GB 13:34
A PASSAGEM DA NOITE Já agora esclareço o motivo da discórdia. A contenção e resistência (quase) passiva da personagem da Leonor Seixas, chega a tornar-se sensaborona. É certo que o argumento não ajuda, mas parece-me que a rapariga tem muito pouco carisma... E aquela personagem devia ter.
GB 13:21

Quinta-feira, Junho 05, 2003

FICÇÃO PORTUGUESA: Iniciei hoje um triologia pessoal de ficção portuguesa. Hoje A Passagem da Noite, amanhão teatro e de novo cinema na Segunda-Feira. Não começou especialmente bem. Não é que o filme seja mau na verdadeira acepção da palavra, mas também não é bom. Demasiado claro e limpo para a violência que quer retratar, salva-se em meu entender (contra outras opiniões da cartilha) pelo desempenho contido de Leonor Seixas. À personagem falta no argumento a revolta que ela transmite pela contenção, pela resistência (quase) passiva. Melhores dias virão.
K. 23:55

Quarta-feira, Junho 04, 2003

AINDA A FEIRA: Esqueci-me: na Feira do Livro também passa gente que NÃO lê.
K. 21:19
APANHADO: O post anterior relido, parece descair um pouco para o despeito: o que eu queria é que alguém andasse atrás de mim a pedir autógrafos.
K. 21:18
AUTÓGRAFOS: Estava um autor, que não reconheci, sentado, completamente só, a uma mesa cheia de livros seus. Triste figura. Presumo que o senhor tenha algum tipo de prestígio para ser chamado a dar sessões de autógrafos, mas o que é certo é que ninguém parecia interessado. A Rita Ferro diz que até faz o esforço de dar sessões de autógrafos em hiper-mercados. Que o Batatoon (também lá estava) dê autógrafos às criancinhas ainda vá, mas para que quero eu um autógrafo de um gajo ou gaja que apenas olhou para mim e já me faz dedicatórias e que depois me esquece completamente. Se fosse de alguém que eu conhecesse, que mo oferessece sinceramente era outra coisa, assim... Eu, se alguma vez publicar alguma coisa, se puder impedi-lo de alguma forma, vou recusar-me a dar autógrafos. Mas eu tenho uma vantagem: é pouco provável que alguma vez alguém queira um autógrafo meu.
K. 21:11
FEIRA: A Feira do Livro de Lisboa está repleta de diversidade. São umas garinas jeitosas que andam para cima e para baixo a passear as Levis; rapazes menos bem vestidos a mandar ao alternativo que espreitam leituras exóticas; senhores que acabam colecções; pessoas em busca de livros específicos; turistas dos livros à procura dos nomes da televisão e das revistas; miúdos e graúdos a procurarem novos autores e velhos clássicos; ricos a encher os sacos de edições especiais; pobres a esgravatar os saldos; gente que lê menos que eu; gente que lê o mesmo que eu; gente que lê mais que eu e gente que lê muito mais que eu.
K. 20:59

Terça-feira, Junho 03, 2003

DENÚNCIA PEDÓFILA: Já tinha lido sobre o facto noutro blog (não me lembro de qual), mas agora é que reparei verdadeiramente. Reparem neste menu do site do DN: HOME | PEDOFILIA | DN INICIATIVAS | DOSSIER | NACIONAL | INTERNACIONAL | SOCIEDADE | REGIONAL | DESPORTO | NEGÓCIOS | ARTE E MÉDIA | BOA VIDA | TV RÁDIO | ÚLTIMA HORA | OPINIÃO. Não é de alguma forma surrealista ter a pedofilia entalada entre a homepage do jornal e o link das iniciativas?! O juíz Rui Teixeira já viu isto?
K. 20:40
GENTES DO PORTO II: Noutra ocasião, eu e o GB, em pleno passeio marítimo de Alcântara à espera que uma banda tocasse num festival de verão. Damos com uma tripeira mais radical que as dos Super-Dragões. Já não me lembro como é que a conversa lá chegou mas o que é certo é que a determinada altura já nos chamava mouros, mais que mouros respondiamos nós - somos da margem sul - gozando bestialmente com a situação, e ela, já para o irritada, insistia que sim, mais que mouros. Só faltou querer mandar-nos para Marrocos. Depois veio a música e perdemo-la de vista, ou ela escondeu-se de nós para não ser vista a falar com o inimigo.
K. 20:34
GENTES DO PORTO I: Para exemplificar melhor a variedade atrás defendida, exemplifico: tive uma amiga que, tripeira de gema, me disse (por alturas do penta): para o ano o Sporting é campeão (com mais convicção do que eu o diria). Repetiu-me várias vezes o facto e criticava os futuros penta-campeões com mais jeito do que eu. Isto terá sido por volta do quarto título consecutivo do Porto. No ano seguinte, em contactos muito mais esporádicos, perguntei-lhe o que tinha acontecido (Sporting outra vez para trás) e voltou a afirmar-me que para o ano é que é. E não é que foi mesmo.
K. 20:28
CLUBISMO: Por falar em futebol. Miguel Esteves Cardoso (MEC) escrevia no DNa desta semana (sobre o tema antiportismo) que não percebia como é havia que benfiquistas e sportinguistas que não apoiavam o Porto na final da UEFA. Lamento destruir a imagem de povo superior que é o tripeiro (que até o pode ser noutras coisas) mas no futebol são mais ou menos como nós (alfacinhas e adjuntos). Se fosse ao contrário era a mesma coisa. Há muitos dragões que estariam a roer as unhas para ver o Benfica ou o Sporting vergados pelo Celtic ou fosse por quem fosse, nem que fossem espanhóis. Melhor fez Carlos Quevedo que (sobre o mesmo tema) admitia rever a sua teoria depois de um amigo portista lhe confidenciar que "se fosse no Porto e fosse ao contrário acontecia o mesmo".
K. 20:23
MAGOS: Mas nós somos como o Benfica e daqui por uns dois (ou duzentos) anos, quando formos o maior blog do mundo, vamos com toda a certeza garantir o concurdo desse mago. Entretanto estamos a tentar garantir o Boloni que continua a confirmar que os resultados, este ano, foram bons.
K. 20:13
CONTRATAÇÕES: O melhor ministro da informação de todos os tempos voltou. A Cartilha preparava-se para o contratar, mas aparentemente alguém se adiantou. Ouve-se nos corredores diplomáticos que Mohammed Said Al-Sahaf vai fazer parte da administração Bush. Entretanto está em formação - dizem-lhe que na América tem que se mentir de forma mais refinada porque não se pode simplesmente matar quem não o acredita - mas terá já confidenciado à Fox News que existiam efectivamente armas de destruição maciça no Iraque, ele próprio tinha uma em casa que o Presidente Saddam lhe havia oferecido pelo último Ramadão. Enquanto não chega a primeira conferência de imprensa apreciem aqui e aqui.
K. 20:06
ALIVE AND KICKING Os mitos de Elvis Presley, D.Sebastião e outros que tais nunca mais vão ser como antes. Parece que um ilustre cidadão iraquiano chamado Mohammed Said Al-Sahaf, conseguiu batê-los por KO. É que o ministro da informação de Sadam, conseguiu mesmo regressar do reino das trevas! Foi dado como morto, perto do final da ofensiva aliada no Golfo, mas afinal está vivo e de boa saúde, nos arredores de Bagdad. Al-Sahaf mostra que é um rapaz sensível e apegado às suas raízes... Não conseguiu afastar-se muito da cidade que o viu nascer para a fama. Os suburbios até oferecem determinados privilégios. São, por exemplo, o melhor local para ver o fogo de artificio (largado por bombardeiros e anti-aéreas) que de tantos em tantos anos torna a capital do Iraque, no local mais mediático do planeta. Bagdad é sempre a bombar!! Voltando ao que interessa, é preciso ajudar este homem. Não gostava de saber que ele apanha todos os dias um comboio suburbano, para ir trabalhar numa fábrica de munições do outro lado da cidade. Se Madonna chegou a Nova Iorque com 35 dólares e tornou-se numa estrela, tenho a certeza que o jovem Mohammed vai governar o mundo se chegar à Big Apple com pelo menos 87 cêntimos. Força rapaz! Só precisas de mostrar os teus dotes de comediante e acima de tudo manter os teus princípios - Dizer sempre e só a verdade!
GB 14:38
SESTA MATINAL: A estas horas sou sempre a favor da sesta. Depois de almoço quero é despachar-me, fazer o que tenho a fazer para ir para casa. Mas, a esta hora, até nem me importava nada de fazer já uma sesta. Pronto, pronto, depois de almoço.
K. 08:04

Segunda-feira, Junho 02, 2003

NONSTOP PARTY: Nem com a ajuda do Leão da Estrela o Sporting se aguentou. O que nos vale é que o suplício acabou. O Porto lá foi fazer a festa nº 387 (que bem merecem) e em 349 dessas festas esteve presente o Luis FIlipe Menezes (que não me consta que tenha participado de alguma forma significativa nas vitórias tripeiras). Mas será que o senhor não tem nada que fazer na Câmara?
K. 23:40
EVIAN: É impressão minha ou Evian parece nome de shampoo ou desodorizante?
K. 23:08
LOLITAS: Reparem no texto. Debato-me com problemas similares. Li e gostei de Lolita (e já agora também vi o filme do Kubrick e gostei). Li e gostei muito de Morte em Veneza. Será de queimar os livros? E quando eu e o GB vamos à faculdade e os olhos se perdem inadvertidamente nalguma moçoila caloira, será de lhe pedir o BI? E se for menor, será de correr ao psiquiatra?
K. 23:02
BAIRRO DA LATA INTELECTUAL: Acho Carlos Cruz culpado e não ponho as mãos no fogo por Herman. A frase é de Gisela Serrano, a mega-vedeta que nasceu naquele fabuloso concurso chamado Masterplan. Cada um perfila a sua opinião e ninguém tem nada com isso. O problema é quando as opiniões não são expostas em sede própria e vêm parar à capa de uma revista. Muito mau gosto da equipa editorial da Gente e mais uma portentosa demonstração de sabedoria, de uma senhora saída de algum bairro da lata intelectual. Ou muito me engano ou ela não teve acesso a documentos acerca do caso da pedofilia... Ou muito me engano ou o Juiz Rui Teixeira não deve telefonar-lhe constantemente a contar os últimos desenvolvimentos das investigações... Por isso acho que não me engano, quando digo que aquela senhora não tem noção de quando deve e se deve ou não abrir a boca, para falar da vida dos outros aos órgãos de comunicação social. Talvez ignore que este caso é mais sério do que as brigas dela com o namorado, que vêm constantemente a hasta pública. Há muita gente que tem a sua dignidade em jogo, graças ao escândalo da Casa Pia, mas Gisela Serrano também não compreende isso, talvez porque ela própria não se preocupe em ter uma postura minimamente digna quando aparece em público. Acrescento apenas que, na entrevista, ela fala da separação definitiva do Luís. A justificação é que o programa que ela vai apresentar na TVI não lhe dá tempo para pensar numa relação. O rapaz contrapõe, dizendo que esta é apenas mais uma briguinha sem importância... Só mais uma humilhação daquelas a que ele já está habituado... São os heróis que temos por cá.
GB 20:33
A PAISAGEM PELA MANHÃ: Prestes a sair, a começar uma nova semana, 7:55h da manhã, o fim de semana fica para trás. Enquanto me preparo para saír alguém ligou a televisão e está um homem a dizer que não olha para a vizinha que mora em frente e anda nua em casa. Diz ele que olha para a paisagem, para o céu azul (ás 5 da manhã) e para as estrelas (no céu azul). E estupfacto não percebe porque é que a mulher barafustou tanto com ele. Quase perco a vontade de ir trabalhar só para ficar em casa a ver o programa da TVI (que agora me escapa o nome). Entretanto a mulher lá foi parar a casa da vizinha... agora o filho também lá aparece, mas infelizmente tenho que sair.. Prometo que se vier a saber mais digo qualquer coisa...
K. 08:05