Quinta-feira, Julho 31, 2003
É TRISTE MAS É VERDADE: José Vieira Mendes, director da Premiere portuguesa, fala no editorial deste mês de novos heróis cinematográficos, da sua ambiguidade, da sua quase transformação em anti-heróis. Termina transpondo essa confusão para o plano real, para as imagens da CNN e para a dificuldade em distinguir os bons e os maus. Numa altura em que tudo o que não seja moralmente ambíguo é considerado maniqueísta percebe-se a propriedade da escolha. Diz ele “(…) vemos as imagens da CNN sobre a guerra do Iraque e os atentados suicidas e nos perguntamos muitas vezes: Onde estão os bons e onde estão os maus?”. Não há lados inocentes nestas questões e se calhar também não há heróis, mas tristes daqueles que não sabem quem são os bons e os maus. Triste do mundo onde as pessoas não sabem se os terroristas são bons ou maus.
K. 20:23
Quarta-feira, Julho 30, 2003
O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ: Foi-me passando, mas queria deixar a palavra sobre The Man Who Wasn’t There (O Barbeiro em Portugal) dos irmãos Coen, que vi este fim-de-semana. Tinha lido as críticas que se dividiam, mas parece-me um título excepcionalmente certeiro, e o seu melhor filme desde Fargo (se bem que não ao mesmo nível). O protagonista consegue passar ao lado de toda a sua vida (bem à justa) e quando finalmente se propõe tomar as rédeas do destino o tiro sai pela culatra (magnifica a cena com Birdy no regresso da audição com o professor de piano, em que a jovem rapariga se atira, literalmente, para o colo de Billy Bob Thorton). Só fiquei com dúvidas sobre as conclusões finais. Quer-me parecer que eram dispensáveis.
K. 20:32
PARECE QUE ESTOU DE FÉRIAS: Nunca como nestes dias tenho ouvido falar em aeroportos, check in’s, malas, lembranças, praias, água quente, passeios, museus, câmaras, fotos, álbuns. Inclusive, eu.
K. 20:31
MANCHAS NA CAMISA: É em dias destes que penso seriamente que gosto mais do Inverno. Tenho saudades do frio a bater-me nas orelhas, das golas altas, de sobretudos e casacos de malha, o céu fechado e o hálito transformado em vapor. Hoje, quando cheguei a casa, parecia o Camacho nos jogos do Mundial.
K. 20:31
Segunda-feira, Julho 28, 2003
AVISO PÚBLICO: Ao contrário do que possa parecer o GB não foi despedido da Cartilha, nem se demitiu. Nem foi de férias, ainda. Esteve ocupado para poder deixar o trabalho por mãos alheias entretanto. Como a sua máquina caseira está com doença prolongada, agora que está no seu merecido gozo de férias laborais está complicado de dar aqui um salto. Mas melhores dias virão e lá para o fim do mês, entre melhorias tecnológicas e ideias que andamos a germinar, GB voltará em força.
K. 22:28
TUDO NA MESMA: E pronto, cheguei. Ainda estou a recuperar os blogues que costumo acompanhar. E, no regresso, tudo parece igual. Os escândalos ainda são os mesmos, a televisão é mesma, o FCP está na mesma, enfim. Vejo uma perseguição jornalística aos arguidos do caso moderna em que parece estar a dar-se um leilão, estava à espera de 13 anos?, e cinco, oito...?! Ontem aparece um atrasado mental a justificar o injustificável, o street racing. E na reportagem é ainda melhor, alguém sugere que se não querem que o pessoal corra nas estradas públicas, arranjem (o estado com certeza) um sítio onde o possam fazer. Até entre os loucos com a mania que são bons e tendências suicidas a subsidio-dependência é regra.
K. 22:21
JORNAIS: Fazemos as malas. Quando vou para fora e volto, fica sempre esta sensação. É possivelmente, sinal de provincianismo de quem sai pouco. É estranho. Sinto-me bem aqui, gostava de estar de molho mais uns dias. Mas reconheço que sinto falta de algumas pessoas. E sinto falta, ao fim destes dias, do computador, de um pouco de Tv, de outra música sem ser a que veio comigo e… dos jornais, que me abstive de comprar enquanto aqui estive. Regresso e compro o Independente (é dia de Indy). É o recomeço dos fins-de-semana de imprensa.
25/07/2003
25/07/2003
K. 22:12
DORES: Hoje o sol brilhou o dia todo. Provocou longos banhos e caminhadas, subidas e descidas. Agora reparo, para minha tristeza, quão sedentária é a vida que levo. Dói-me o corpo todo.
22/07/2003 (later, later on)
22/07/2003 (later, later on)
K. 21:29
VIRGEM: Quase 48 horas depois vejo televisão. O telejornal da TVI: a nova feira popular; a Libéria e a falta que os americanos fazem; uma criança hiperactiva; “os virgens”. “Os virgens”? Sim, “os virgens”, e “as virgens”! Volta e meia vejo estas reportagens e sempre me debato com a defesa da virgindade até ao casamento. Não será natural? Se calhar não é. Isso é muito relativo. A questão é que as razões tendem a ser quase sempre o contrário do que se enuncia inicialmente. Se me disserem que acreditam num Deus que lhes ensina a levar assim a vida, por mim, encantado da vida. Mas, que o sexo não é o importante? Claro que é, disso tenho a certeza. Se não fosse, não o guardavam para um momento específico das suas vidas. A minha costela liberal diz-me que, lá em casa, a cada um como lhe aprouver. E se alguns gostam de agrupamentos, látex e algemas; a outros agrada-lhe a calendarização e a posição de missionário. O problema deve estar nas reportagens que quase sempre empurram quem opta por levar assim a vida para uma defesa agressiva das suas opções. Eles é que são os iluminados que conhecem a via virtuosa. E, provavelmente, a maioria nem pensa assim. Fazem o que lhes parece melhor, simplesmente. Mas uma coisa temos que reconhecer. É preciso ter convicções para um homem vir à televisão dizer que ainda é virgem.
22/07/2003
22/07/2003
K. 21:28
SÃO SEMPRE OS MESMOS: Passou uma reportagem sobre blogs na RTP. Como já li no Dicionário do Diabo, são sempre os mesmos, mas enquanto forem estes mesmos, a Cartilha dá-se por bem representada.
K. 21:05
ISOLADO, OU NEM TANTO: Não tenho televisão, rádio, Internet. E se bem que veja pouca televisão, oiça pouca rádio, fazem-me falta. O ruído e a luz principalmente. As horas. Ligo, está a dar o programa X, são x horas. Sem programas, sem horas (sempre tenho um relógio) o tempo parece perdido do seu lugar. Confesso, cresci com a televisão sempre acesa. Vejo pouco, mas é algo muito presente no meu dia a dia, na minha rotina, abundam as televisões em minha casa. Assim, restam os livros, as palavras. As histórias, e o som da música; só música, não tenho rádio. E sem rádio, sem televisão, sem internet (até me estar a saber bem não ter disponível o vicio do computador), estou sem notícias do mundo. Tenho telemóvel, é verdade, não estou em fuga da civilização, mas mesmo falando ao telefone, não vou perguntar aos amigos, à mãe, ao irmão: então já prenderam mais alguém?; ou, o Portas já comprou mais submarinos? Assim não sei como vai esta coisa, sem ser aqui em G., mas também se algo de grave acontecer acho que alguém me avisa.
21/07/2003 (later on)
21/07/2003 (later on)
K. 20:40
COM FALINHAS MANSAS: Seguia no autocarro para G., no nosso interior, e o motorista segue em amena cavaqueira com os passageiros mais chegados. Um velhote, grisalho, postura austera mas que de algum modo me inspira rectidão, eleva a voz e diz, referindo-se à mulher, que (a mulher) tinha que lhe servir o jantar e com falinhas mansas. Nestas alturas quase me sinto um gajo de esquerda. De bengala, cambaleando enquanto subia o autocarro, o ancião parecia-me, no entanto, de uma lisura que nasce de uma concepção romântica da gente do campo, das histórias que me contavam quando era pequeno, da honestidade da gente de bem e às direitas, de gente da terra. E depois diz-me uma coisa daquelas, saída da grunholandia portuguesa que se perpetua mais do que queremos acreditar. Queria, inadvertidamente, ver uma figura pitoresca; e estupidamente dou comigo a criticar alguém que não conheço, que se calhar até não é má pessoa, se calhar até é melhor pessoa que eu. Não lhe quero mal. É uma concepção de vida, é uma educação, uma escala de valores, uma vida que lhe foi ensinada. Até será bom marido, no género; até a mulher gostará dele assim e leva também a vida que sempre lhe ensinaram a levar. Até, porventura, discute com a filha que estuda em Lisboa e vê a Sic Mulher, ou, porventura, não… O motorista lá continuou, sempre sem dar descanso à língua, mas verdade seja dita, quase levou todos os passageiros à porta de casa. Faltou-me lata para lhe pedir que me deixasse à porta do meu destino.
21/07/2003
21/07/2003
K. 19:28
I'M BACK: E, uma semana depois, a Cartilha é de novo alimentada. Voltei das curtas vacanças. And now: work. E também ideias, pensamentos, brincadeiras, leituras e destilar sob o calor. Antes de mais, breves sensações sobre as férias.
K. 19:27
Segunda-feira, Julho 21, 2003
ENTREGUE AOS BICHOS: Ouvi dizer que a actualização da Cartilha está a meu cargo... Que depende da minha disponibilidade... Temo que este negócio esteja entregue aos bichos!
GB 14:05
Domingo, Julho 20, 2003
VACANÇAS: Não tenho nada contra um pouco de sol e calor, antes pelo contrário. E, assim sendo, vou para banhos. Por poucos dias já que, infelizmente, tenho que voltar para ser explorado pelas classes opressoras. Bem sei que isto é uma variação de uma piada que já por aqui circulou, mas o que é que querem? É ou não é a silly season?! O GB fica aos comandos e promete ir actualizando isto na medida do possível.
K. 23:43
PREGUIÇA: É inevitável. Desde de o instante em que lançámos a Cartilha, nos mais variados momentos do dia lembro-me de um post para publicar. Nem sempre está à mão a tecnologia. Hoje até estava mas venceu a inércia, a preguiça, que é um pecado de que sofro, feliz ou infelizmente. Algumas coisas que li em blogues ficam para depois.
K. 23:31
DIÁRIO DE MARIA: Ao contrário do meu peixe (que realmente existe), não estou a passar por tais dificuldades.
Li em alguns blogues comentários sobre o alegado celibato dos bloggers induzido pela omissão de referências às suas relações amorosas. E, de facto, nos blogues que leio habitualmente não se fazem muitas referências às namoradas/mulheres/companheiras/consortes (leio habitualmente homens), conforme a situação. Até por aqui, não abundam as referências. Mas existem, estão aí para trás, espalhadas nos postezitos que vamos fazendo. Se calhar haverão mais, se calhar não. Acho que só nos interessa falar disso na medida em que interessar para outro tópico que queiramos abordar.
Como combinámos ao começar a Cartilha, há coisas de que não vale a pena falar muito, até porque para falar de forma incontinente já bastam as nossas conversas, não precisamos de importunar o nosso leitor habitual. O critério é, mais ou menos, falar de coisas que nos possam interessar ler noutro sitio, e, para dizer a verdade, não me interessa muito ler sobre as rotinas diárias dos blogueiros cá da praça, a não ser que isso possa relacionar-se com uma ideia, uma sensação que se queira expor. Consequentemente não deve interessar muito a ninguém ler sobre a minha vida amorosa.
E mais uma coisa, tenho para mim que a vida privada é feita de pequenas coisas que devem ser exactamente privadas. Tenho para mim que por mais que uma relação se imagine sólida, a exposição dos seus pormenores a pode prejudicar. Os pequenos vícios, as manias, as teimosias, são para serem amadas e odiadas por cada um dos envolvidos. Voltamos ao mesmo. Se bem que efectivamente lido por meia dúzia de pessoas, o que escrevo aqui é escrito na presunção da existência de leitores. E há coisas que não quero partilhar. Isto não é um diário de vida, não é escrito só para mim, mas para mim também. É uma faceta pública, se bem que intimista a espaços.
Li em alguns blogues comentários sobre o alegado celibato dos bloggers induzido pela omissão de referências às suas relações amorosas. E, de facto, nos blogues que leio habitualmente não se fazem muitas referências às namoradas/mulheres/companheiras/consortes (leio habitualmente homens), conforme a situação. Até por aqui, não abundam as referências. Mas existem, estão aí para trás, espalhadas nos postezitos que vamos fazendo. Se calhar haverão mais, se calhar não. Acho que só nos interessa falar disso na medida em que interessar para outro tópico que queiramos abordar.
Como combinámos ao começar a Cartilha, há coisas de que não vale a pena falar muito, até porque para falar de forma incontinente já bastam as nossas conversas, não precisamos de importunar o nosso leitor habitual. O critério é, mais ou menos, falar de coisas que nos possam interessar ler noutro sitio, e, para dizer a verdade, não me interessa muito ler sobre as rotinas diárias dos blogueiros cá da praça, a não ser que isso possa relacionar-se com uma ideia, uma sensação que se queira expor. Consequentemente não deve interessar muito a ninguém ler sobre a minha vida amorosa.
E mais uma coisa, tenho para mim que a vida privada é feita de pequenas coisas que devem ser exactamente privadas. Tenho para mim que por mais que uma relação se imagine sólida, a exposição dos seus pormenores a pode prejudicar. Os pequenos vícios, as manias, as teimosias, são para serem amadas e odiadas por cada um dos envolvidos. Voltamos ao mesmo. Se bem que efectivamente lido por meia dúzia de pessoas, o que escrevo aqui é escrito na presunção da existência de leitores. E há coisas que não quero partilhar. Isto não é um diário de vida, não é escrito só para mim, mas para mim também. É uma faceta pública, se bem que intimista a espaços.
K. 01:53
AQUÁRIO: O meu peixe está a ficar, preocupantemente, negro. Era laranja, está a escurecer, numa reacção tardia ao falecimento relativamente recente da sua esposa, a cândida peixinha. Será por solidão? Acho que o vou presentear com uma amiga. Afinal, apesar de estar perto do PC não tem acesso aos chats e aos blogues e não pode espalhar livremente o seu charme pelos oceanos da informação, em busca da peixita da sua vida.
K. 01:23
CONHECER PESSOAS: Sempre que passo pelo canal 18, não evito a lembrança daquela actriz que dizia que tinha enveredado por esta indústria para conhecer pessoas. mas como outro entrevistado se queixava da dificuldade dos diálogos não sei se ficou a ganhar muito. Ou talvez ganhasse. Mais uma achega para o problema da solidão.
K. 01:16
Sábado, Julho 19, 2003
RABOS E INCENTIVOS: Ao contrário das expectativas iniciais, Lance Armstrong não está tão forte, e o Tour está ao rubro. E os comentários são um primor. Hoje, não me recordo se estava a ver na RTP ou na EuroSport, quando um espectador se atravessa na frente de um ciclista com o rabo à mostra, o comentador disse logo que o ciclista assim não ia mais depressa porque não se ia sentir muito incentivado. Ainda se fosse uma moçoila dos Pirinéus.
K. 22:57
Sexta-feira, Julho 18, 2003
PRAGAL A CONCELHO: Já não me recordo que terrinha é (mas não é o Pragal), mas acabei de ouvir que não sei onde a vontade objectiva da população (seja lá o que isso for) é que a terrinha seja elevada a concelho. Prometem esperar até Setembro (acho que é Setembro) e depois, já se sabe, prometem outras formas de luta (mais valia dizer que vão cortar estradas, incendiar urnas, etc.). Desde já os aconselho a partirem para os boicotes, porque só chegarão a concelho quando algum político lá for para ganhar votos ou evitar perdê-los.
K. 21:37
FUGITIVOS: Quase a chegar ao meu bairro social reparo que não lugares para estacionar carros. Está tudo ocupado. E depois lembro-me do que o GB me disse quando reparou que as agências de viagens quase não têm vagas nos seus programas (pelo menos nos mais acessíveis). De carro ou de avião, o pessoal quer é fugir da crise.
K. 21:31
PECADOS: Alguém diz a outro, um pouco atrás de mim, "então, estás aí?!" E repete, "então, estás aí." Entre dentes, digo que não. Mas depois penso que sei perfeitamente o que a pessoa queria dizer. Por vezes sucumbo à vontade de me julgar mais inteligente que os outros.
K. 21:27
DÚVIDA IMPORTANTE: Afinal, o Rochemback é Roxemback ou Rocanback. Já estava com saudades dos jogadores de futebol que têm um nome diferente em cada rádio e televisão.
K. 00:14
DON'T IMITATE, INOVATE: E já agora, Junta Militar de Salvação Nacional?!!! Já era tempo de actualizarem a nomenclatura deste tipo de movimentos. Sei lá, inovem: a Assalto, ou talvez a Golpada! Algo que fique no ouvido. Talvez Okupas. Não, acho que já alguém se lembrou deste nome primeiro. Pensem nisso.
K. 00:10
PODER: Claro que o comentário mais repetido nos comentários sobre o golpe de estado tinha a ver com o petróleo e como este é o grande causador da crise. Longe de mim ignorar o forte apelo do ouro negro. Mas, vá se lá saber porquê, teimo em associar boa parte destes golpes ao poder, per si. Podia haver menos petróleo, podia ser outra coisa qualquer, podiam ser diamantes, ou podia nem haver nada, palpita-me que ainda assim haveria quem quisesse mandar.
K. 00:00
Quinta-feira, Julho 17, 2003
RECOMEÇAR: Conheço pessoas de S. Tomé e Príncipe. Algumas com familiares em S. Tomé, familiares na Administração Pública. E vi-os, embora preocupados, com uma serenidade que de alguma forma me surpreende. Não estou a falar de algum dom superior, as pessoas são o que são: estou a falar de uma atitude prática, sempre prontos a começar de novo.
K. 23:56
Quarta-feira, Julho 16, 2003
GOSTO MAS NÃO LEIO: Vê-se que Durão Barroso tem o mérito de aprender com os erros dos outros. Diz que gosta muito de ler e gosta muito de jornais, que é para não irritar e até passar a mão pelo lombo dos nossos jornalistas; mas diz que não tem muito tempo para os ler (aos jornais), não vá alguém acusá-lo de trabalhar pouco, de se preocupar demasiado com a imagem, com o marketing.
K. 22:10
Terça-feira, Julho 15, 2003
D. SEBASTIÃO: Mas temos que entender. Lula é a nova grande coqueluche da esquerda, a nova esperança (ainda para mais depois da implosão da terceira via). Sendo brasileiro, funciona para a esquerda, um pouco como o craque que a vai tornar de novo campeã. Talvez uma reinvenção do Sebastianismo, para o povo canhoto.
K. 19:29
O CONTEXTO: As palavras de Mota Amaral ainda dão que falar. Acho que foram despropositadas naquela situação. Mas o que eu me divertiria a ver os detractores de agora a elogiarem o político açoriano se o visitante fosse Bush e as palavras pusessem em causa as políticas conservadoras ou neo-liberais (decidam-se). Aí seria um exemplo da direita inteligente.
K. 19:23
GUERRAS: Mas voltando aos Americanos. Sendo que eu entendo que a guerra se justificava num receio legítimo do Ocidente e dos americanos do que Saddam poderia estar a fazer (ou preparar-se para fazer), é indubitável que o optimismo das teorias conservadoras americanas que defendem uma democratização forçada, arriscava dar nisto. Acho sempre bem quando cai uma ditadura, mas tem de haver outras razões que justifiquem estes processos. A boa vontade messiânica de se querer tornar o mundo noutro melhor, muitas das vezes acaba assim. Muitas das maiores monstruosidades cometidas neste século nasceram de utopias ignóbeis. Esperemos que não seja o caso.
K. 19:18
ARGUMENTOS DE DESTRUIÇÃO MACIÇA: Perante as turbulências que os americanos estão a encontrar no Iraque (e que aparentemente, de forma inconsciente) não previram, e a dificuldade em encontrar as famosas ADM, os mesmos que nunca reconheceram que a guerra e os horrores que daí advieram não foram nada do que tinham previsto, continuam a mistificar boa parte do que vai acontecendo. Chega-se ao extremo de dizer que o Iraque não estava a violar as resoluções da ONU, até contra a opinião do mais recente herói Hans Blix.
K. 19:07
HÁ MAIS: Posso não ter sido suficientemente explícito. Havana tem muitos encantos, o principal dos quais será o toque humano, artesanal, patente em quase todas as construcções. O problema é que grande parte delas estão a cair de podre! Não será muito agradável para quem lá vive... ou sobrevive.
GB 18:04
SENSAÇÃO DE JARDIM ZOOLÓGICO: As crónicas sobre Cuba, voltam à carga! A esta velocidade, em Setembro, ainda estarei a escrever sobre uma viagem que fiz entre finais de Junho e princípios de Julho.
"Esta cidade tem uma beleza rara"; "Não encontramos uma zona urbana como esta, em mais parte nenhuma do mundo". Estas são expressões que ouvi frequentemente, de pessoas que viajaram comigo, à terra de Fidel. Os comentários são alusivos à capital, Havana. Subscrevo as anteriores frases, mas não as seguintes: "Quando os americanos cá chegarem vão dar cabo disto", "os centros comerciais vão estragar tudo"; "Graças aos americanos, Havana ainda vai ser uma cidade horrível". Não sou grande apreciador dos valores culturais americanos, nem de centros comerciais. No entanto, parece-me que a visão romântica que os europeus têm de Havana, não se coaduna com a realidade. É verdade que a cidade é mais bonita sem centros comerciais e sem aberrações arquitectónicas próprias do progresso. Mas também é verdade que o progresso não é um visitante indesejado pelos poucos cubanos com quem falei. Até podem ter gostos duvidosos, mas eles querem ter acesso a mais bens, a mais alternativas. Sonham em fugir às limitações impostas pela repressão. Aspiram também a viver com o mínimo de dignidade, em casas que não respirem degradação. "Lá se vai a beleza de Havana", dirão alguns. Talvez seja verdade para nós, que visitamos aquele país como quem vai a um Jardim Zoológico, mas talvez não o seja para quem lá vive ou sobrevive. Há necessidades mais urgentes do que ter um país muito pictórico, para os turistas visitarem.
"Esta cidade tem uma beleza rara"; "Não encontramos uma zona urbana como esta, em mais parte nenhuma do mundo". Estas são expressões que ouvi frequentemente, de pessoas que viajaram comigo, à terra de Fidel. Os comentários são alusivos à capital, Havana. Subscrevo as anteriores frases, mas não as seguintes: "Quando os americanos cá chegarem vão dar cabo disto", "os centros comerciais vão estragar tudo"; "Graças aos americanos, Havana ainda vai ser uma cidade horrível". Não sou grande apreciador dos valores culturais americanos, nem de centros comerciais. No entanto, parece-me que a visão romântica que os europeus têm de Havana, não se coaduna com a realidade. É verdade que a cidade é mais bonita sem centros comerciais e sem aberrações arquitectónicas próprias do progresso. Mas também é verdade que o progresso não é um visitante indesejado pelos poucos cubanos com quem falei. Até podem ter gostos duvidosos, mas eles querem ter acesso a mais bens, a mais alternativas. Sonham em fugir às limitações impostas pela repressão. Aspiram também a viver com o mínimo de dignidade, em casas que não respirem degradação. "Lá se vai a beleza de Havana", dirão alguns. Talvez seja verdade para nós, que visitamos aquele país como quem vai a um Jardim Zoológico, mas talvez não o seja para quem lá vive ou sobrevive. Há necessidades mais urgentes do que ter um país muito pictórico, para os turistas visitarem.
GB 17:49
Segunda-feira, Julho 14, 2003
VIAJAR: Logicamente, se tudo está já e desde sempre dentro de nós, é inútil viajar, para conhecer outros povos, outros costumes, outras sensações, porque nada do que encontrarmos deixaria de ter existido sempre em nós. Ressalta maior em mim esta observação – mesmo que a não subscreva – porquanto nunca saí do país e vivemos numa época em que as viagens se tornaram moda, quase obrigatória, orgulho, sinal de status, mais um carimbo no passaporte, mais uma ideia de um povo, de uma terra que julgamos conhecer.
K. 23:28
MORNO: O tempo contraria o que nós nos propúnhamos viver por estas alturas. É ver as pessoas a sonhar com um sol abrasador que volte sobre nós, é queixarem-se que só faz sol durante a semana, que amua no fim-de-semana. E, no entanto, não contraria, obedece aos seus humores muito próprios, muito condicionados pelas transformações desta terra. E, como sempre, queixamo-nos que o Verão é pobre, para depois nos queixarmos do calor, quando este, irremediavelmente, se voltar sobre nós.
K. 23:22
COLORIDO: Depois dos sacos azuis, agora querem livros brancos para as autarquias portuguesas.
K. 18:10
MAIS UMA: Mais uma cabala. Parece que andam a perseguir o clã, peço desculpa, a família Soares. É um bocado caricato quando poucos são os assuntos que passam sem a sentença do Rei Soares, ansiosamente aguardada, ou do Príncipe, mais oferecida que procurada (a opinião).
K. 18:07
Sábado, Julho 12, 2003
ESCOLHAS: Não foi propriamente uma descoberta, mas torna-se mais óbvio. Gosto muito mais ler as coisas que (alguns) outros escrevem que as minhas. Assim sendo, tenho lido muito e postado pouco. Hasta.
K. 15:18
NINGUÉM NOS LIGA: É tempo de confessar. Só nos calham coisas assim no nosso mail: "PERMISSION TO REMIT US $21 MILLION INTO YOUR COMPANY OR PRIVATE ACCOUNT"; blogues choque; "Sono alla ricerca di un compagno virtuale".
K. 15:17
LINKS, AGAIN: O que formos descobrindo, se não se tornar passagem obrigatória, estará na rúbrica "De Passagem".
K. 15:08
Sexta-feira, Julho 11, 2003
OPINIÕES: Valha-nos o sucesso das nossas telenovelas em Cuba para compensar a má opinião que têm de nós em França e Itália ex-governantes e pessoas comuns desses países, segundo Gilberto Gil, o ministro da cultura brasileiro.
K. 20:18
O DÓLAR QUE ALIMENTA A FAMÍLIA Outro mendigo pediu um dólar a alguém que estava no meu grupo. Teve sorte. Disse em seguida que aquele dólar seria suficiente para alimentar a família durante três dias. Esta declaração faz-me pensar numa série de situações:
1. Nos restaurantes onde me levaram, aquele dólar não daria sequer para pagar uma piñacolada.
2. Só na última noite que estive em Havana (depois de ter passado por Cayo Coco e já estar atrasado para seguir até Varadero) é que jantei num restaurante da periferia, onde vi pratos (muito bons) a três dólares. Estes locais estão bem camuflados dos turistas, para eles não os encontrarem.
3. Uma cubana dizia-me que a melhor profissão, naquele país, era a de pedinte. "Os turistas são uns otários" dizia-me ela. "Dão dinheiro a essa gente, porque pensam que estão a morrer de fome, mas a verdade é que eles ganham 20 ou trinta dólares por dia, o equivalente ao que muita gente ganha por mês".
1. Nos restaurantes onde me levaram, aquele dólar não daria sequer para pagar uma piñacolada.
2. Só na última noite que estive em Havana (depois de ter passado por Cayo Coco e já estar atrasado para seguir até Varadero) é que jantei num restaurante da periferia, onde vi pratos (muito bons) a três dólares. Estes locais estão bem camuflados dos turistas, para eles não os encontrarem.
3. Uma cubana dizia-me que a melhor profissão, naquele país, era a de pedinte. "Os turistas são uns otários" dizia-me ela. "Dão dinheiro a essa gente, porque pensam que estão a morrer de fome, mas a verdade é que eles ganham 20 ou trinta dólares por dia, o equivalente ao que muita gente ganha por mês".
GB 16:17
O CUBANO QUE VÊ TELENOVELAS PORTUGUESAS: Gostei de Havana. É uma cidade a fugir para o degradado, mas tem algum charme. Agrada-me o ar artesanal daquele sitio. Fico com a sensação de que se tivesse podido escapar ao roteiro obrigatório, a que me obrigou o trabalho, era capaz de ter gostado mais. O povo tem uma alegria contagiante, uma energia pouco vulgar para quem se habituou ao estilo europeu. Apesar do que já disse, acrescento que todos os elogios que faço à capital cubana carecem de uma confirmação, de uma viagem feita à minha maneira, para ganharem mais consistência.
Não gostei do já referido roteiro turistico. Aquela beleza que encerra algo de romântico e artesanal, dilui-se num embutido de atracções foleiras idealizadas para encher os olhos dos "camones". Os preços das refeições correspondem a metade do salário mínimo do país. Abundam os vendedores clandestinos de charutos de qualidade duvidosa. Até os mendigos parecem ter sido estratégicamente colocados neste cenário, pelo tio Fidel.
Um desses mendigos pediu-me um dólar. Eu disse-lhe que não. Pediu-me um cigarro. Respondi-lhe que não tinha. O rapaz mudou de estratégia... Disse-me que gostava muito de Portugal e nunca perdia um episódio das nossas telenovelas. Desconfiado, inquiri-o acerca das preferências. Ele redarguiu que gostava de todas. Resolvi insistir... Perguntei-lhe qual era a que ele gostava mais. O rapaz disse que não se lembrava do título. Finalmente deixei-o em paz (e ele a mim) e cheguei à conclusão que se as telenovelas portuguesas fossem realmente emitidas em Cuba, podiam revelar-se numa importante fonte de entrada de divisas naquele país. Imaginem um turista viciado nas esplendorosas obras da NBP! Seria meio caminho andado para ficar amigo do simpático pedinte que falou comigo e deixar-lhe meia dúzia de dólares. Para terminar a festa podiam dissertar sobre um final feliz, enquanto bebiam shots de rum, pagos pelo "tuga". Para mim seria desastroso! Uma verdadeira humilhação! É que o cubano saberia, melhor que eu, o que as personagens do Ricardo Pereira, da Sofia Alves ou do Pedro Lima, fizeram no capítulo anterior...
Não gostei do já referido roteiro turistico. Aquela beleza que encerra algo de romântico e artesanal, dilui-se num embutido de atracções foleiras idealizadas para encher os olhos dos "camones". Os preços das refeições correspondem a metade do salário mínimo do país. Abundam os vendedores clandestinos de charutos de qualidade duvidosa. Até os mendigos parecem ter sido estratégicamente colocados neste cenário, pelo tio Fidel.
Um desses mendigos pediu-me um dólar. Eu disse-lhe que não. Pediu-me um cigarro. Respondi-lhe que não tinha. O rapaz mudou de estratégia... Disse-me que gostava muito de Portugal e nunca perdia um episódio das nossas telenovelas. Desconfiado, inquiri-o acerca das preferências. Ele redarguiu que gostava de todas. Resolvi insistir... Perguntei-lhe qual era a que ele gostava mais. O rapaz disse que não se lembrava do título. Finalmente deixei-o em paz (e ele a mim) e cheguei à conclusão que se as telenovelas portuguesas fossem realmente emitidas em Cuba, podiam revelar-se numa importante fonte de entrada de divisas naquele país. Imaginem um turista viciado nas esplendorosas obras da NBP! Seria meio caminho andado para ficar amigo do simpático pedinte que falou comigo e deixar-lhe meia dúzia de dólares. Para terminar a festa podiam dissertar sobre um final feliz, enquanto bebiam shots de rum, pagos pelo "tuga". Para mim seria desastroso! Uma verdadeira humilhação! É que o cubano saberia, melhor que eu, o que as personagens do Ricardo Pereira, da Sofia Alves ou do Pedro Lima, fizeram no capítulo anterior...
GB 16:00
Quinta-feira, Julho 10, 2003
MILHÕES: Estou preocupado. Primeiros eram dez milhões de euros, depois oito e agora oiço que o Barcelona vai pagar para ter Quaresma na sua equipa seis milhões e meio. A este ritmo, se o negócio não se concretiza depressa, o Sporting ainda vai ter que pagar ao Barcelona para ficar com o jogador.
K. 21:25
Quarta-feira, Julho 09, 2003
UMA CLÍNICA DENTÁRIA EM HAVANA: "Última chamada... Voo para Varadero..." Quase perdi o avião por causa de complicações na alfândega (não era contrabando, apenas material electrónico). Mal entrei e pensei em compensar as horas que devia ter dormido à noite, as hospedeiras começaram a agitar-se com os carrinhos onde transportavam o almoço. Não foi mau de todo. Até nem sabia muito a plástico. O pior é que fracturei um molar! Racheio-o até à gengiva. Ainda não tinha chegado a Cuba, mas a semana prometia...
Primeiro pensei, "uma semana não é assim tanto tempo e posso consultar o meu dentista, quando regressar". Puro equivoco! As dores aumentaram e a primeira coisa que fiz ao chegar a Havana (depois de oito horas de voo e duas de autocarro, desde Varadero), foi procurar uma clínica dentária. No hotel, aconselharam-me. Segui a sugestão e rumei ao centro hospitalar "Cira Garcia".
É sempre bom ter alguém que nos anime e, de vez em quando, alguém que minimize os nossos problemas. A recepcionista da clínica deve levar estes postulados à letra. Perguntou-me se eu tinha muitas dores. Quase tentou convencer-me que se eu não pensasse mais naquilo, curar-me ia em seguida. Por momentos imaginei que a frase seguinte seria "vá à praia e beba uns mojitos, que isso passa". Quando já pensava que atrás daquele balcão, estava a perder-se um talento da psicologia, a simpática rapariga revela as suas verdadeiras motivações: "O especialista não se encontra e ainda vai demorar!". Eram 20h00 em Havana, 01h00 em Portugal.
Para meu espanto, o dentista tardou apenas 15 minutos. O diagnóstico foi rápido: Era preciso arrancar a metade do molar inutilizada. Correram-me suores frios. Nunca tinha arrancado um dente, em toda a minha vida. "Ainda por cima, nem conheço este gajo", pensei. As alternativas eram poucas. Era confiar nele ou ficar uma semana naquele estado. Decidi-me pela primeira opção.
Rápida, pouco dolorosa, eficaz e extremamente barata (até para um português)! Assim se resume a intervenção do doutor Martinez. Quase pensei importá-lo para Portugal porque o meu dentista já está a precisar de substituição... depois pensei que, se viajar de Havana a Miami num barco de borracha é difícil, chegar a Portugal será quase impossível. Lá ficou o doutor Martinez, em Cuba, com metade do meu dente.
P.S.: Felizmente até nas ditaduras há taxistas simpáticos. No caminho para a clínica paguei oito dólares pelo transporte. No regresso, só me pediram 2,90 USD. Deve ter sido um desconto...
Primeiro pensei, "uma semana não é assim tanto tempo e posso consultar o meu dentista, quando regressar". Puro equivoco! As dores aumentaram e a primeira coisa que fiz ao chegar a Havana (depois de oito horas de voo e duas de autocarro, desde Varadero), foi procurar uma clínica dentária. No hotel, aconselharam-me. Segui a sugestão e rumei ao centro hospitalar "Cira Garcia".
É sempre bom ter alguém que nos anime e, de vez em quando, alguém que minimize os nossos problemas. A recepcionista da clínica deve levar estes postulados à letra. Perguntou-me se eu tinha muitas dores. Quase tentou convencer-me que se eu não pensasse mais naquilo, curar-me ia em seguida. Por momentos imaginei que a frase seguinte seria "vá à praia e beba uns mojitos, que isso passa". Quando já pensava que atrás daquele balcão, estava a perder-se um talento da psicologia, a simpática rapariga revela as suas verdadeiras motivações: "O especialista não se encontra e ainda vai demorar!". Eram 20h00 em Havana, 01h00 em Portugal.
Para meu espanto, o dentista tardou apenas 15 minutos. O diagnóstico foi rápido: Era preciso arrancar a metade do molar inutilizada. Correram-me suores frios. Nunca tinha arrancado um dente, em toda a minha vida. "Ainda por cima, nem conheço este gajo", pensei. As alternativas eram poucas. Era confiar nele ou ficar uma semana naquele estado. Decidi-me pela primeira opção.
Rápida, pouco dolorosa, eficaz e extremamente barata (até para um português)! Assim se resume a intervenção do doutor Martinez. Quase pensei importá-lo para Portugal porque o meu dentista já está a precisar de substituição... depois pensei que, se viajar de Havana a Miami num barco de borracha é difícil, chegar a Portugal será quase impossível. Lá ficou o doutor Martinez, em Cuba, com metade do meu dente.
P.S.: Felizmente até nas ditaduras há taxistas simpáticos. No caminho para a clínica paguei oito dólares pelo transporte. No regresso, só me pediram 2,90 USD. Deve ter sido um desconto...
GB 15:52
CONFISSÕES: Perdoem as confissões anteriores. Tornam-se necessárias, por vezes, para exprimir pontos de vista. Mas são-me tão incómodas. Imagino que cada pessoa com um cinismo irrepreensível, ao ler, está a imaginar que eu sou exactamente o contrário do que ali descrevi.
K. 00:01
Terça-feira, Julho 08, 2003
CAMINHOS: Chego atrasado porque a conversa já se adiantou e deriva agora para outros aspectos. No entanto, aqui ficam ideias ou sensações, depois ler as questões no Guerraepas, sobretudo no que diz respeito aos comportamentos em sociedade.
Posso estar enganado, mas parece-me que as nossas sociedades tenderão a ser mais igualitárias e consequentemente mais niveladas por baixo. É como a televisão. Fazemos o que fazemos com a desculpa de que os outros também o fazem.
Percebo P., mas parece-me inevitável. Conheço casos de faculdades, em cursos de humanidades com cadeiras de matemática, com professores que deixam fazer tudo. Conheci uma pessoa que sabia daquilo, por quem copiavam grupos de outros que nada sabiam, e sei que essa pessoa foi confrontar o professor no seu emprego, fora da faculdade, por ter chumbado quando quase todos os outros passaram. Sei que há cadeiras que há décadas têm o mesmo currículo e professores que repetem palavra por palavra o que dizem ano após ano. O acesso generalizado às coisas (à falta de melhor termo) tende a baixar o seu nível médio. Pelo que oiço dizer, porque não conheço o suficiente para falar, cada vez publica-se mais em Portugal mas com menor qualidade. Posso continuar. Já me falaram, sem maldade, mas com condescendência porque não segui as sugestões de aldrabices para obter subsídios relativos a alojamentos, seguros de saúde e coisas do género. Perante este tipo de iniquidades a minha alma hesita. Quero ser íntegro (como está esta palavra desvirtuada, hoje em dia) e, no entanto, temo ter telhados de vidro.
Copiei e algumas vezes terei beneficiado de situações como a que atrás descrevi anteriormente. Podemos fazer tudo com a desculpa de que toda a gente faz o mesmo. Podemos, também, recusarmo-nos, levar a nossa avante, dar uma volta maior. Percorrer o caminho mais longo. Estava para dizer que isso fica com cada um (ao nível da discussão, quero dizer, não me reconheço grande jeito para discursar sobre moral), mas não quero, absolutamente, que as minhas palavras revelem esse individualismo de que Guerraepas falava.
Sou o mais exigente possível comigo, especialmente quando nas minhas relações com os outros. Não que me interessem muito as suas opiniões. Mas procuro que ninguém tenha razões de queixa de mim. Se não me podem elogiar como excepcional, pelo menos, penso que a maioria das pessoas com quem contacto não vê a sua vida dificultada por minha culpa. Faço o que tenho a fazer, procuro cumprir as minhas obrigações e sigo uma ideia, mais ou menos implícita: que ninguém que comigo trata tenha que me apontar algo. Sigo esta ideia num sentido abrangente e não estritamente legalista. Não é só o chegar a horas ao emprego, esperar o meu lugar nas filas, etc.. É sobretudo não ser mal educado; é não negar uma ajuda se está ao meu alcance; é fazer o meu trabalho o melhor que sei e não me limitar ao suficiente, ao indispensável.
Não gosto de falar nestes termos porque já fiz muitas coisas mal feitas, podia já acusar-me de alguns dos pecados de que falo antes. Mas não faço deles feitio, aceito os meus erros e defeitos, mas recuso-me a repeti-los sem os tentar corrigir. Constato que muita gente não o faz. Não sei como soará a afirmação seguinte, mas é o que sinto: sou tão reles como tanta gente, mas não o quero ser, enquanto tantos outros esperam apenas a oportunidade de fazer aquilo que publicamente desprezam, mas sonham concretizar.
Melhor faria este texto ater-se àquilo que queria aflorar inicialmente, constatar que o caminho parece inexorável. Num mundo massificado, o igualitarismo mesquinho é rei. E, tristemente o digo, ainda bem que assim é, porque as alternativas não são famosas. Escondidas na multidão, e perante uma sociedade com tendência para valorizar o desenrasca e a esperteza saloia e que tem dificuldades em lidar com a exigência de rigor, tendemos para o caminho mais fácil. Em Portugal poucos ditados populares são tão seguidos: onde fores ter, faz como vires fazer. O pior é que depois todos nos queixamos, como o outro que enquanto rouba a TV Cabo se queixa que o serviço deles é péssimo.
Posso estar enganado, mas parece-me que as nossas sociedades tenderão a ser mais igualitárias e consequentemente mais niveladas por baixo. É como a televisão. Fazemos o que fazemos com a desculpa de que os outros também o fazem.
Percebo P., mas parece-me inevitável. Conheço casos de faculdades, em cursos de humanidades com cadeiras de matemática, com professores que deixam fazer tudo. Conheci uma pessoa que sabia daquilo, por quem copiavam grupos de outros que nada sabiam, e sei que essa pessoa foi confrontar o professor no seu emprego, fora da faculdade, por ter chumbado quando quase todos os outros passaram. Sei que há cadeiras que há décadas têm o mesmo currículo e professores que repetem palavra por palavra o que dizem ano após ano. O acesso generalizado às coisas (à falta de melhor termo) tende a baixar o seu nível médio. Pelo que oiço dizer, porque não conheço o suficiente para falar, cada vez publica-se mais em Portugal mas com menor qualidade. Posso continuar. Já me falaram, sem maldade, mas com condescendência porque não segui as sugestões de aldrabices para obter subsídios relativos a alojamentos, seguros de saúde e coisas do género. Perante este tipo de iniquidades a minha alma hesita. Quero ser íntegro (como está esta palavra desvirtuada, hoje em dia) e, no entanto, temo ter telhados de vidro.
Copiei e algumas vezes terei beneficiado de situações como a que atrás descrevi anteriormente. Podemos fazer tudo com a desculpa de que toda a gente faz o mesmo. Podemos, também, recusarmo-nos, levar a nossa avante, dar uma volta maior. Percorrer o caminho mais longo. Estava para dizer que isso fica com cada um (ao nível da discussão, quero dizer, não me reconheço grande jeito para discursar sobre moral), mas não quero, absolutamente, que as minhas palavras revelem esse individualismo de que Guerraepas falava.
Sou o mais exigente possível comigo, especialmente quando nas minhas relações com os outros. Não que me interessem muito as suas opiniões. Mas procuro que ninguém tenha razões de queixa de mim. Se não me podem elogiar como excepcional, pelo menos, penso que a maioria das pessoas com quem contacto não vê a sua vida dificultada por minha culpa. Faço o que tenho a fazer, procuro cumprir as minhas obrigações e sigo uma ideia, mais ou menos implícita: que ninguém que comigo trata tenha que me apontar algo. Sigo esta ideia num sentido abrangente e não estritamente legalista. Não é só o chegar a horas ao emprego, esperar o meu lugar nas filas, etc.. É sobretudo não ser mal educado; é não negar uma ajuda se está ao meu alcance; é fazer o meu trabalho o melhor que sei e não me limitar ao suficiente, ao indispensável.
Não gosto de falar nestes termos porque já fiz muitas coisas mal feitas, podia já acusar-me de alguns dos pecados de que falo antes. Mas não faço deles feitio, aceito os meus erros e defeitos, mas recuso-me a repeti-los sem os tentar corrigir. Constato que muita gente não o faz. Não sei como soará a afirmação seguinte, mas é o que sinto: sou tão reles como tanta gente, mas não o quero ser, enquanto tantos outros esperam apenas a oportunidade de fazer aquilo que publicamente desprezam, mas sonham concretizar.
Melhor faria este texto ater-se àquilo que queria aflorar inicialmente, constatar que o caminho parece inexorável. Num mundo massificado, o igualitarismo mesquinho é rei. E, tristemente o digo, ainda bem que assim é, porque as alternativas não são famosas. Escondidas na multidão, e perante uma sociedade com tendência para valorizar o desenrasca e a esperteza saloia e que tem dificuldades em lidar com a exigência de rigor, tendemos para o caminho mais fácil. Em Portugal poucos ditados populares são tão seguidos: onde fores ter, faz como vires fazer. O pior é que depois todos nos queixamos, como o outro que enquanto rouba a TV Cabo se queixa que o serviço deles é péssimo.
K. 23:56
LITERATURA: Depois do livro de José Mourinho seguem-se as seguintes edições:
Octávio Machado: Tudo O Que Eu Sabia ou Os Big Ladens do Futebol --- Ensaio
Luis FIlipe Vieira: Como Tornar Um Clube Quase Falido No Maior Clube Do Mundo --- Auto-ajuda
Dias da Cunha: Os Azulejos --- Romance de terror.
Octávio Machado: Tudo O Que Eu Sabia ou Os Big Ladens do Futebol --- Ensaio
Luis FIlipe Vieira: Como Tornar Um Clube Quase Falido No Maior Clube Do Mundo --- Auto-ajuda
Dias da Cunha: Os Azulejos --- Romance de terror.
K. 21:00
ÉTICA: O excelentíssimo Sr. Doutor que se predispôs a comentar na televisão (não me recorda agora o nome) a separação das gémeas até pode ter muita razão, mas, a mim, parece-me muito pouco ético que um médico critique outro sem ter um conhecimento exaustivo da situação concreta. Que ele explicasse em termos teóricos o que estava a acontecer, o que poderia ou não ter acontecido é aceitável. Fazer julgamentos, mesmo que ressalvando não ter toda a informação, do género "não percebo porque é que" ou "é muito estranho que" ou ainda "aconteceu que" parecem-me muito pouco curiais.
K. 20:51
MÃES: Não sei se significa alguma coisa ou não. Outros poderão opinar mais apropriadamente que eu. O que é certo é que a maioria das criancinhas são levadas pelas mães. Ou como a maternidade ainda é algo que a nossa sociedade valoriza muito nas mulheres.
K. 20:12
PRIMATAS: Outra variante dos hábitos “filhos no trabalho” é o de levar as crianças recém nascidas para apreciação geral. Uma das coisas que se aprende na Primatologia, ramo da Antropologia, é que entre os macacos a chegada de uma nova criança é sempre festejada efusivamente por toda a comunidade. Entre nós (entendidos como primatas à parte) é o mesmo, para desgosto das criancinhas que berram desmesuradamente, enquanto quase toda a classe trabalhadora os saúda e lhes diz, com um sorriso nos dentes, que bonitos que são, mesmo que sejam perfeitamente horríveis.
K. 20:08
VONTADES: Sempre nos sucede. Será destino ou feitio? Queremos sempre o que não temos e ansiamos estar onde não estamos. Para lá do lugar comum, reparo numa colega de trabalho que, ultimamente, quase todos os dias, leva algum dos filhos com ela. Quando era pequeno (menos que na canção) fazia o mesmo na companhia da minha mãe. E adorava, era um dia especial. Passava lá o dia todo. Agora, evito o local, tem muita gente, é uma canseira. Vejo os miúdos ali satisfeitos e os graúdos a quererem estar em casa. Mudam-se as perspectivas, as percepções. Contaram-me: ao visitar a escola primária, as carteiras pareciam tão pequenas. Será que chegaremos a alguma altura da nossa vida em que percebemos bem o que vamos querer, que teremos a certeza das rejeições que fazemos, ou, pelo menos, temos consciência do que vamos sentir falta?
K. 00:15
Segunda-feira, Julho 07, 2003
CUBA LIBRE: Fontes crediveis garantem-me que GB avança amanhã com as crónicas de Cuba Libre. Aguardemos com serenidade.
K. 18:42
GAJAS NUAS: Isto dos visitantes é muito engraçado. Quase todos os dias vem cá alguém convencido que encontrará fotografias da Leonor Seixas nua. Lamento. E como tal, lamento ainda, mas também não temos fotos da Catarina Furtado nua, nem da Marisa Cruz nua, nem da Alexandra Lencastre nua, nem da Fernanda Serrano nua, nem da Monica Bellucci, da Angelina Jolie, etc., etc. Não há fotos de gajas nuas! Perdoem o linguajar.
K. 18:38
Sábado, Julho 05, 2003
TOUR DE FORCE: Arranca hoje o Tour. Sempre tive um interesse especial pelo ciclismo. Lembro-me do Marco Chagas, do ciclismo do Sporting, de ver as etapas da serra pregado ao televisor. Lembro-me de equipas, nacionais e estrangeiras, que entretanto desapareceram. O ciclismo é, numa análise sem cuidado, a modalidade mais dura que conheço e sempre me pareceu uma tarefa hercúlea pedalar aquelas horas todas, subir aquelas montanhas, só comparável talvez à maratona, embora em moldes diferentes. Continuo a acompanhar as principais competições. Quanto mais não seja vou sabendo quem vai na frente, quem ganhou a etapa de hoje. Mesmo que hoje a Volta a Portugal não tenha metade da graça e o Tour teime em ter vencedores antecipados.
K. 22:52
Sexta-feira, Julho 04, 2003
MÊ TÊ VÊ: A provar que a crise está a passar, como disse o nosso primeiro, Portugal já tem uma MTV só sua. Isto é que é progresso. Mais um motivo para o tão propalado Orgulho Nacional.
K. 23:36
FRUTO REAL: À mesa, falávamos de antigas marcas de refrigerantes que desapareceram do nosso imaginário. Kaprisone (não faço a mínima ideia se era assim que se escrevia), Laranjina C (acho que era assim), Sneppy, Fruto Real. Espera! Fruto Real? Desse ninguém se lembra! Só uma pessoa se lembra. Deves ter sonhado, ou então só se vendia no teu bairro. Mas não. Já confirmei e Fruto Real existia mesmo. Podes estar descansado. Não sonhaste.
K. 23:32
I PLAYED ALONG, WITH MY BIRTHDAY SONG: Os jantares de aniversário são ocasiões, não raras vezes, deprimentes. Mais deprimentes para mim que nunca os faço (aos jantares) e nos poucos a que vou, verifico, não sem experimentar instantes de inveja, que dificilmente reuniria tantas pessoas num jantar para mim. Mas quando me passa a gulodice pelos amigos alheios (não confundir com amigos do alheio), o que resta é ainda uma melancolia, talvez maior, que só se explica porque mesmo que tivesse tantos amigos não quereria fazer jantares, nem almoços. Custa-me mais a ir, e quando volto procuro lembrar o meu amigo aniversariante e as conversas que tivemos, e não me lembra de nada. Quase não trocámos duas palavras. Mas o mais imbecil é que enquanto comia, estava alegre e contente (estou quase sempre bem disposto, guardo os meus humores para mim), falava de banalidades e ria por tudo e por nada. Confundo-me, blend in, que é uma expressão que me agrada. Longe vão os tempos em que me entusiasmava com reuniões enormes, com mesas que dão a volta, com curvas e contra curvas, em que uma ponta do repasto quase toca na outra. E, no entanto, não falto, aqui e ali, a estas celebrações, ou faço por não faltar, porque os poucos amigos devem conservar-se, porque mesmo que naquela ocasião poucas palavras troquemos, o seu convite significa mais que uma temporada de férias nas termas, mais que a inauguração do novo estádio do Sporting. Mas este não é um texto sobre a amizade, é, sobretudo, uma constatação de factos; uma crónica invídia de jantares de sucesso, de colecções de amigos. Conheço indivíduos que juntam dezenas de pessoas nos seus aniversários, e se alguns reúnem as pessoas que lhes interessam e querem preservar, outras há, que reúnem todo e qualquer conhecido que consigam repescar. Qualquer indivíduo com quem trocaram uma palavra, e as namoradas e os namorados, e os amigos dos amigos dos conhecidos, setenta e oito pessoas numa mesa. Um amigo íntimo mais próximo, outro uns metros mais para o lado e depois outro, que chegou atrasado, e ficou ao fundo e com quem trocamos um abraço ao cair do pano. Juntamos cinquenta e uma prendas que, honestamente, não cobiçámos, mas que secretamente nos enchem de orgulho – porque aqui com toda a propriedade podemos falar do orgulho de construir e conquistar amizades; talvez menos de mantê-las – dos nossos feitos. Somos queridos, somos amados. E, por milagre, não antevemos à espreita, numa esquina, a triste face da solidão que nos empurra para os braços dos amigos. É como ir ao cinema, namorar, estar ao computador. Quando falamos no isolamento dos nossos dias, falamos do contrário, falamos da presença permanente. A imagem do marrão que se senta ao computador e nunca sai do seu quarto é um mito. Boa parte das pessoas dos chats reúne-se em jantares, quem joga em rede na net reúne-se em jantares; aliás não conseguem evitar a compulsão de comunicar com alguém, de jogar com alguém, vão ao cinema juntos, comem juntos, parecem ter medo de ficar sós, de estarem apenas consigo próprios. E como conheço gente que convida este mundo e o outro para os jantares de aniversários, também conheço quem a toda a hora procure um namorado ou uma namorada; quem crie, estimule, alimente uma relação que depois morre e, logo de seguida, em sofrimento por nunca encontrar a sua cara metade (que expressão tão foleira), se projecta sobre os bons partidos, volte à caça, numa busca incessante. Pode ser um objectivo, pode ser a meta de uma vida. Sós com os outros, experimentamos a solidão no meio da multidão, enquanto levamos o garfo à boca.
K. 23:17
Quinta-feira, Julho 03, 2003
PRÓXIMOS CAPÍTULOS: Ontem deu-me para a nostalgia. Devia ser da falta de mojitos.
Passando ao que interessa... Só vou poder contar as minhas aventuras com o substrato autóctone cubano, quando chegar ao nosso humilde burgo lusitano. Mesmo assim deixo um aperitivo dos próximos episódios.
- Um dia numa clínica dentária em Havana...
- O cubano que via telenovelas portuguesas...
- O dólar que alimenta uma família por três dias...
- Uma hora de bicicleta sem vislumbrar nada que não fossem hotéis...
- Morón. Finalmente o país real, com gente que não limpa quartos, nem carrega bagagens...
- Ciego Ávila e a estacão de televisão com as cassetes contadas...
- A tasca de Ciego Ávila. Rum e bowling à borla!
- Casamento de 15 anos...
Já chega! Isto de estar num resort, agarrado a um computador, é coisa de doidos. Vou beber mais uma pinacolada... com rum, é claro...
Passando ao que interessa... Só vou poder contar as minhas aventuras com o substrato autóctone cubano, quando chegar ao nosso humilde burgo lusitano. Mesmo assim deixo um aperitivo dos próximos episódios.
- Um dia numa clínica dentária em Havana...
- O cubano que via telenovelas portuguesas...
- O dólar que alimenta uma família por três dias...
- Uma hora de bicicleta sem vislumbrar nada que não fossem hotéis...
- Morón. Finalmente o país real, com gente que não limpa quartos, nem carrega bagagens...
- Ciego Ávila e a estacão de televisão com as cassetes contadas...
- A tasca de Ciego Ávila. Rum e bowling à borla!
- Casamento de 15 anos...
Já chega! Isto de estar num resort, agarrado a um computador, é coisa de doidos. Vou beber mais uma pinacolada... com rum, é claro...
GB 23:17
EU ME PENITENCIO: Mais uma coisa. O post do GB já foi corrigido. Portanto se subsistirem erros podem fustigar-me à vontade.
K. 19:41
PÚBLICAS CONFISSÕES: Temo pela segurança do meu amigo. Confissões públicas (mesmo se considerarmos que os visados são dos poucos que lêem estas palavras) deste quilate não são habituais no GB. Estará a ser pressionado? Será da tal felicidade que extravasa? Não interessa. Volta, estás perdoado!
K. 19:39
SAUDADES: Esta palavra tipicamente portuguesa, parece-me, quase sempre, demasiado lamechas. Esta é daquelas raras ocasiões em que não consigo evitar senti-las. Estou em Cuba, a trabalhar num local que, para muitos, é um paraíso de férias, mas sinto falta das pessoas mais importantes da minha vida. Não é por não estar habituado a sair de casa. Viajo com bastante frequência e já conto algumas dezenas de deslocações ao estrangeiro nos últimos três anos. É porque estou numa fase diferente da minha humilde existência. É porque tenho mais vontade do que nunca, de passar tempo de qualidade com essas pessoas por quem era capaz de dar a minha vida. É porque me sinto num patamar de felicidade sem paralelo. Começo por mencionar aquela pita maravilhosa, que é a grande surpresa dos últimos 26 anos e teima em não me deixar pensar noutras gajas. O chato do K., por manter a cartilha (só por isso e nada mais). Um tótó de 1,96 m. A minha madrinha. E acabou... Chega e sobra de gente em quem eu penso frequentemente!
Ah... A net aqui é uma fortuna! Nunca vi comunas com tanto instinto capitalista!
P.S. Estou num teclado desconfigurado, por isso não se escandalizem com os erros.
Ah... A net aqui é uma fortuna! Nunca vi comunas com tanto instinto capitalista!
P.S. Estou num teclado desconfigurado, por isso não se escandalizem com os erros.
GB 05:26
Quarta-feira, Julho 02, 2003
ADORADORES: Não sei se o nucleoduro já passou por aqui (se não, paciência). Com o Dicionário do Diabo a aparecer na categoria de herói, vamos rapidamente ser promovidos ao nível de adoradores do diabo. A alteração dos links fica adiada mais alguns dias, não vá o nucleoduro passar por aí e achar que nós já não apreciamos o Mexia. Além disso, se apreciar o que ele escreve e mencioná-lo como uma referência (para nós) na blogosfera é torná-lo guru, então seja.
K. 08:12
É FAZER AS CONTAS: Ainda no Guerra e Pas, que bem se vê me agradou de sobremaneira, o autor faz a contabilidade aos livros que terá lido. Não, não vou fazer a minha contabilidade que posso garantir é mais modesta. Mas lembrei-me de fazer a do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa que, a julgar pela sua coluna na revista Os Meus Livros (que já foi alvo de comentários em vários blogues) e pelos comentários nas TVI, deve ler para cima de cem livros por mês. Agora é só fazer as contas.
K. 02:29
CITAÇÕES: No Guerra e Pas não se defendem as citações e P. confessa que apesar de muito ler, quando lhas pedem (as citações) nunca se lembra de uma (citação) que faça a sua glória. Aqui já coloquei algumas, mas são coisas que me passam pelos olhos e publico de imediato ou tomo nota (física ou mental) para mencionar mais tarde. De resto, e mesmo contando que li consideravelmente menos, também raramente me lembro de alguma (citação) de cor. Relembro até um episódio, em que, por me verem regularmente com livros, me pediram uma frase para juntar a uma mensagem de parabéns e para desilusão geral não me recordei de nada.
K. 02:24
RESSALVA: O GB não está por cá, mas mesmo que tivesse não tem, nesta altura, muita disponiblidade para estas coisas dos links. Por isso, até ver sou eu o responsável pela área. Mas assim que for possível o meu confrade revelará, ou não, os seus gostos bloguísticos (mais uma palavra para o vocabulário dos blogues) que se juntarão à coluna da esquerda.
K. 02:18
BLOGUES QUE DÁ GOSTO LER: Fiz a ronda por alguns blogues que não se devia prolongar, devido ao adiantado da hora, mas que se arrastou por mais de uma hora. Vai dai, gasto mais alguns minutos, e resolvo deixar agradecimentos, não sei bem se o serão, talvez mais testemunhos do prazer que me trazem estas leituras, e me mantêm acordado até estas horas, tendo que me levantar daqui por pouco mais que cinco.
Assim li tudo o que ainda estava por ler no Aviz. E tanto gosto me dá que daí segui algumas sugestões e entre elas o Guerra e Pas. Gostei e com certeza vou voltar. Passei por outros e li os mandamentos do blogger no Valete Frates!. E depois quando finalmente decido que tenho que desligar, fica sempre a sensação (mais vincada do que é habitual) de que sei tão pouco. Mas não é uma má sensação, é antes um descobrir de coisas novas. Não é o discurso do coitadinho, também leio e tenho as minhas ideias e sei umas coisitas, mas nos blogues, e é isso que verdadeiramente me fascina neles, existe uma discussão que fractura e alarga os campos (como as questões relativas ao sionismo no Aviz ou, em tempos, discussões sobre liberalismo e conservadorismo na saudosa Coluna Infame). E existe muita gente que sabe do que fala, que conhece e referencia, que divulga (e os blogues que eu mais frequento nem sequer são de divulgação cultural ou outra), acho que se pode mesmo falar em divulgação. Bem sei que a imprensa tradicional também mantém algumas destas funções, que eu acompanho em parte, mas aqui na blogosfera, há um cunho pessoal, um tom de tertúlia, que se equilibra entre a superficialidade da imprensa do dia-a-dia e a austeridade e hermetismo dos artigos mais profundos e específicos de alguma imprensa mais especializada. Enfim, os blogues terão com certeza muitos defeitos, mas por agora, são mais as virtudes.
Posto isto, anuncio nova reorganização nos links à minha esquerda (e à sua também). Daqueles, só três ou quatro visito diariamente (ou quase), os outros visito regularmente procurando não perder muito do que por lá se passa. Mas são todos bons e recomendam-se. Assim, em breve, passarão a figurar três ou quatro que me são indispensáveis e depois uma lista mais extensa com os locais por onde passei e por onde conto voltar.
Assim li tudo o que ainda estava por ler no Aviz. E tanto gosto me dá que daí segui algumas sugestões e entre elas o Guerra e Pas. Gostei e com certeza vou voltar. Passei por outros e li os mandamentos do blogger no Valete Frates!. E depois quando finalmente decido que tenho que desligar, fica sempre a sensação (mais vincada do que é habitual) de que sei tão pouco. Mas não é uma má sensação, é antes um descobrir de coisas novas. Não é o discurso do coitadinho, também leio e tenho as minhas ideias e sei umas coisitas, mas nos blogues, e é isso que verdadeiramente me fascina neles, existe uma discussão que fractura e alarga os campos (como as questões relativas ao sionismo no Aviz ou, em tempos, discussões sobre liberalismo e conservadorismo na saudosa Coluna Infame). E existe muita gente que sabe do que fala, que conhece e referencia, que divulga (e os blogues que eu mais frequento nem sequer são de divulgação cultural ou outra), acho que se pode mesmo falar em divulgação. Bem sei que a imprensa tradicional também mantém algumas destas funções, que eu acompanho em parte, mas aqui na blogosfera, há um cunho pessoal, um tom de tertúlia, que se equilibra entre a superficialidade da imprensa do dia-a-dia e a austeridade e hermetismo dos artigos mais profundos e específicos de alguma imprensa mais especializada. Enfim, os blogues terão com certeza muitos defeitos, mas por agora, são mais as virtudes.
Posto isto, anuncio nova reorganização nos links à minha esquerda (e à sua também). Daqueles, só três ou quatro visito diariamente (ou quase), os outros visito regularmente procurando não perder muito do que por lá se passa. Mas são todos bons e recomendam-se. Assim, em breve, passarão a figurar três ou quatro que me são indispensáveis e depois uma lista mais extensa com os locais por onde passei e por onde conto voltar.
K. 02:13
Terça-feira, Julho 01, 2003
ORGULHOS: Não tenho especial orgulho em ser português. Como não sou especialmente orgulhoso de ser alto, mais gordo ou mais magro. Já tenho, no entanto, um orgulho desmedido por algumas pessoas da minha vida; e orgulho-me, admito, dos êxitos do Sporting. Se formos por este caminho, todos os orgulhos que não são resultado directo das nossas acções podem classificar-se como absurdos. E o Orgulho Gay tão absurdo como um Orgulho Straight. E se o orgulho é forma de afirmação, então, de facto, precisamos de nos orgulhar de ser portugueses. E os gordos precisam de se orgulhar. E daí em diante. O que não faltam são pequenas misérias de cada um, que nos fazem de algum modo minoria, que escondemos e, secretamente, lamentamos. Devemo-nos orgulhar! E eu que até nem tenho grande orgulho em ser hetero.
K. 18:45
ORWELL E A FELICIDADE: Eu explico, leio a opinião do Público de Domingo quase sempre à Terça-Feira, porquê não vem ao caso. Assim, hoje, encontrei num texto uma expressão de George Orwell que, de certo modo, resume o meu entendimento da procura da felicidade: "os seres humanos só podem ser felizes quando não partem do princípio que o objectivo da vida é a felicidade".
K. 18:26
PASSEIOS NOCTURNOS: Não tenho carro, nem sequer carta. Não é propriamente porque não queira ter, até porque é muito penoso frequentar a maioria dos transportes públicos em hora de ponta. Mas, apesar de tudo, há uma nostalgia simpática em atravessar a cidade aceleradamente, nas trevas, evitando a noite festiva, os aglomerados e os sítios iluminados. Sem a preocupação de conduzir, observar as sombras que se formam, os trabalhadores solitários que regressam na carreira da meia-noite, o vigilante do turno da noite, o cão vadio, e o Tejo?! No último cacilheiro, não adivinhar o fim ao rio, imaginar um oceano imenso e ver a lua esbatida, melancólica nas águas. Qualquer dia compro um carro, que o resto das viagens é um suplício. Mas à noite, só à noite, deixo-o em casa.
K. 01:10
