Sexta-feira, Agosto 29, 2003

PREMIERE: Entetanto, parece que o Oliver Stone está a fazer uma série de documentários sobre rebeldes anti-americanos. Começou com Fidel e agora queria entrevistar Arafat. Parece que não correu muito bem. Mas o que seria mesmo engraçado era um cineasta cubano fazer uma entrevista amigável com Bush e depois ir passá-la no principal cinema de Havana.
K. 23:37
TERAPIA: José Gameiro, psiquiatra especialista em terapia familiar, deu uma entrevista ao úiltimo DNa. Ainda não ali toda, mas quase nem a preciso tal foi o sucesso que provocou. Ao longo da semana, já a vi citada em vários orgãos da imprensa. Só hoje foi no Público (repetente) e no Independente. Quererá dizer alguma coisa. Vou acabar de ler.
K. 23:33

Quinta-feira, Agosto 28, 2003

LIGA DAS DESILUSÕES: Sou benfiquista assumido! Não vi ontem o jogo do meu clube contra a Lázio, o que me poupou 90 minutos de azia. Sei que apesar da derrota, o Benfica até nem fez má figura. Sei também que ,com um pouco mais de sorte em qualquer dos dois jogos da eliminatória, o "Glorioso" poderia ter alcançado a qualificação. Infelizmente os "ses" contam pouco em futebol. Só os resultados interessam verdadeiramente.
O Sr. Luís Filipe Vieira diz que, a curto prazo, o Benfica será melhor do que o Real Madrid. Costumo dizer que nada é impossível (exceptuando talvez o facto de eu algum dia vir a gostar de telenovelas da TVI), no entanto, há sonhos que parecem algo absurdos, especialmente se o clube nem sequer tem capacidade para contratar um defesa esquerdo. Não adianta tentar ver um "dream team" onde apenas existe uma equipa razoável e um treinador bastante competente.
GB 17:13

Quarta-feira, Agosto 27, 2003

THIS IS THE END (OR NOT): Blogues partem, talvez para voltar, talvez calando para sempre. Como um deles refere em nota publicada no AVIZ, temos este costume (feliz ou infeliz) dos elogios fúnebres. Sugere que aproveitemos o tempo para incentivar aqueles de quem gostamos e ainda estão em funções. Seguirei a sugestão e em breve falarei de alguns blogues que temos visitado aqui na Cartilha. Para os que agora suspendem ou terminam as suas bloguices não acrescento nada ao que já referi noutras oportunidades. Estavam nos nossos Favoritos e isso resume o que poderíamos dizer nesta ocasião.
K. 23:19
CHAMA-LHE NOMES: Leio num artigo no Público de hoje a caracterização da extrema-direita americana. Não quero, obviamente, afirmar que a esquerda radical portuguesa e europeia partilham das opções da extrema-direita americana. Mas ao analisar as suas principais características pensamos de onde é que conhecemos algumas destas posições. José Pedro Zúquete escreve: Recapitulando, a extrema-direita americana é antigovernamental, antiglobalização, isolacionista, xenófoba, anti-semita e conspiracionista. E, claro, "anti-imperialista". Quais destas características assentam a Bush? De tantas barbaridades que se dizem as pessoas vão banalizando o conceito de extrema-direita e, qualquer dia, a extrema-direita chega mesmo ao poder e depois… bem, depois veremos o que lhes havemos de chamar.
K. 20:58
SAUDADES: Já tinha saudades de Pedro Namora. Acabei de o ver na SIC. Em economia de esforço, falou por slogans:"a mim ninguém me cala"; "deixem-me em paz" (que é uma variação de "deixem-me trabalhar") e "tenho confiança na justiça".
K. 20:11

Segunda-feira, Agosto 25, 2003

GREGOS OU TROIANOS: A discussão sobre o Iraque e mais genericamente sobre política internacional tende com alguma facilidade a tornar-se redutora. Acontece sem que nenhum dos lados se possa considerar isento de culpas. Se acontecem acusações de que os contestatários da política americana são todos adoradores de terroristas e adeptos de Saddam (no calor da luta, até a mim já me saíram sugestões semelhantes), não é menos verdade que do outro lado muitas vezes se limita a apelidar quem apoia a política americana ou a intervenção no Iraque de papagaios de Washington. A discussão assumiu, exactamente porque abalou a consciência política das pessoas, proporções quase fanáticas. Isto tendeu inevitavelmente a reduzir o nível do debate. Até a forma como se organizaram comícios para contestar a evolução das coisas permitiu que se assumisse um tom de campanha, de propaganda, em que vale tudo para rebater o lado contrário. E se cá, nos limitámos praticamente ao movimento anti-guerra, nos E.U.A sobretudo, a galvanização da opinião pública para o esforço de guerra, também viveu à custa de muita propaganda.

Relembro uma crónica de Constança Cunha e Sá publicada na última Sexta-Feira, acusando os lados de terem inquinado a discussão, de terem impedido uma discussão séria, dividindo-se automaticamente por lados opostos. Será verdade até certo ponto. Até ao ponto em que competia aos especialistas, às pessoas que estudam estes fenómenos tentarem apresentar factos e evitar as doutrinas. Nem sempre o souberam fazer. Quanto ao resto de nós, aos políticos, aos bloggers, a todos os que se interessaram pelo problema, é bom que nos tenhamos interessado, que procurássemos dar o nosso contributo. É bom que se tenha optado, mesmo que no calor das convicções por vezes a razão nos tenha faltado, porque do confronto também se gera alguma coisa. É bem melhor que passar o tempo a ver telenovelas e futebol. O problema foi vermos o problema como se se tratasse de um jogo de futebol, ou de uma telenovela. Os bons e os maus, os nossos e os outros. Não que eu não tenha optado e escolhido quem eu achei que eram os bons, ou pelo menos os menos maus, os nossos, os pelo menos os mais próximos de nós. Mas o problema é maior, as questões mais profundas e o contexto bem mais complexo que os soundbytes do telejornal.

Neste ponto não me interessa rever a discussão, os nossos argumentos e os deles. Eu acho que tenho razão e acho que eles não têm. Ainda acho, mesmo que admita que algumas coisas não são e não foram como eu pensei, mesmo que admita que os americanos cometeram muitos erros. Mas acho também que pessoas que pensaram o assunto têm uma opinião diferente da minha e que pensam, legitimamente, que têm razão. Leio algumas coisas e percebo que não é agradável chamarem-nos amigos de terroristas porque temos uma determinada opinião, como não é agradável que nos acusem de não termos respeito pelas pessoas, de sermos insensíveis à guerra, de gostarmos de guerra. Proponho a mim mesmo mais respeito pelas opiniões alheias, sem mover processos de intenção, sem generalizações fáceis. Ainda que ache que desculpar o terrorismo é indecente; ainda que por cada manifestação a lamentar as vítimas dos ataques israelitas entenda que se devia fazer outra pelas vítimas dos atentados; que por cada protesto contra Bush se devia protestar duas ou três vezes contra Saddam. O respeito e a tolerância não devem, nem podem, servir para nos escondermos das nossas verdades; para promover a hipocrisia e para agradarmos a gregos e a troianos. Nunca foi possível. Provavelmente nunca há-de ser.
K. 23:48

Quarta-feira, Agosto 20, 2003

MIÚDOS: Então e uma selecção que está a ganhar por cinco zero e permite o empate. Não está ao alcance de todos. Estes miúdos são únicos!
K. 21:19
EXAME DE VERÃO: Numa análise isenta, Alberto João Jardim dá 17 valores ao governo e 17 valores a Marcelo Rebelo de Sousa. Já a Ferro Rodrigues, e por especial favor, devido aos últimos comportamentos meritórios, dá 11 ou 12 valores. E já gozas!
K. 21:10
BOMBEIROS 2: E o que dizer de um bombeiro voluntário que não pode ajudar porque o patrão não o dispensa? Provavelmente pouco. É uma situação à espera de acontecer. O que surpreende é que o estado, tão reclamado por tudo e por nada, não se obrigue a promover corpos de bombeiros profissionais em zonas claramente necessitadas.
K. 20:57
BOMBEIROS 1: Vejo um bombeiro na televisão dizer que foi apedrejado algures, onde se havia deslocado para combater o fogo. Percebo que haverá bombeiros incompetentes, imbecis, faz-me confusão a unanimidade, as vacas sagradas que não podem ser criticadas. Mas apedrejar bombeiros, mesmo que cheguem atrasados, ou não venham quando os chamamos, é uma atitude bárbara, digna dos mesmos energúmenos que perseguiram Assis em Felgueiras. As pessoas, muitas ou poucas não sei, também contribuíram para o descalabro, com comportamentos verdadeiramente aberrantes, ignorando as leis que deviam respeitar porque não há fiscalização e que, verdade seja dita, só as respeitam quando a isso são obrigados.
K. 20:57

Terça-feira, Agosto 19, 2003

INCERTEZAS: Deixei aqui algumas notas, em tempos, sobre o livro de Oriana Fallaci, o panfleto pós 9/11. Ao ler a crónica de hoje de Pedro Mexia no DN, dou com uma referência muito negativa ao livro. Lembro-me que falei do livro e confesso que me preocupei. Não quero, mas penso que os outros passam por aqui os olhos, eventualmente. Boa parte das ideias que lá estão provocam-me urticária, mas não posso deixar de reconhecer que o texto é de uma coragem, que nalguns momentos me seduziu. Não merecerá tantas notas sobre o assunto, mas estas iam beber em temas como o 11 de Setembro e a guerra do Iraque, que aconteceram em épocas em que a Cartilha ainda não existia. Serviu de mote.

Reli os textos por alto e percebo que me demarquei onde sempre me demarcaria. E depois penso, porque reli? Porque me preocupei? Realmente, não me preocupo muito com o que os outros pensam de mim, mas até certo modo com o que pensam do que escrevo. Se é que alguém lê! E depois penso que o Mexia, com quem eu geralmente concordo, critica severamente o livro, e por momentos, penso que deveria ter dito que o livro era mau. Falo das razões de ser mau na minha primeira nota sobre o mesmo, mas não digo que é mau. E é mau, porque é cego, injusto, xenófobo. Foi o que faltou. No resto, serviu para eu dizer coisas que estavam para ser ditas.

Mas insisto, porquê preocupar-me com o que expressei? Chego à triste conclusão que me move uma certa vontade de aceitação. É inevitável, inconsciente, combatida e recalcada, mas que vem à superfície mais vezes do que gostaria. Queria ter boas opiniões, dizer as coisas certas?! Não queria, acima de tudo, parecer ridículo. Li numa entrevista a um publicitário (que já não me recorda o nome) que com o medo do ridículo podia bem. Mas eu não. Fascina-me e repugna-me o medo do ridículo. Por isso falo de futebol, de bandas rock, de televisão e faço piadas sem muita graça, de cinema, que conheço um pouco. Por isso, apesar de ler cada vez mais, falo pouco de literatura, porque receio dizer disparates, porque ainda me parece que conheço pouco. Mas depois parece-me que de nada serve ter um blogue, querer pensar nas coisas, se tenho medo de dizer as sensações que me provocaram, as ideias que defendo. Mas não basta falar das coisas, não chega dizer que quero ser mais assertivo. Falarei quando arranjar coragem, e emudecerei quando me faltar a confiança. Mas que nunca estes silêncios resultem do vazio, do medo do confronto, antes da incerteza sobre a justeza do que digo ou penso. E porque isto tem sempre uma componente de vaidade, de orgulho no que dizemos e como o dizemos, queria fazer isto bem. Porque para fazer assim-assim, já somos muitos. Verdadeiramente, o que me preocupa não é ficar a falar sozinho, o que me assusta é ficar sozinho a dizer alarvidades.
K. 21:19
NOJO: Não me passa pela cabeça ignorar as circunstâncias em que sucede o atentado contra a sede da ONU em Bagdad. No entanto, por uma vez, eu gostava de ver estes atentados condenados sem procurar desculpabilizar os terroristas. O que podem ganhar os terroristas com este atentado: destabilização contestação aos americanos. E o que fazem os paladinos da paz? Condenam os E.U.A. e recomendam que estes deixem o país entregue aos benfeitores dos camiões explosivos.
K. 19:13
GB 15:18
DESABAFOS: Gajas, sexo, nua, Leonor seixas, Pamela Anderson, Kylie Minogue, futebol, cerveja, gajas, Benfica, Sporting, Porto, Angelina Jolie, Madonna, golo, árbitros, Casa Pia, Britney Spears, gajas... Talvez escrevendo sobre estes temas de elevado cariz intelectual, a Cartilha passe a receber mais visitas...
GB 15:16
VOLTEI: O K não estava a brincar quando disse que eu não tinha sido despedido!
Já acabei as férias há uma semana e só agora dou sinais de vida, o que, vindo de mim, não é de estranhar... Estive duas semanas desligado do mundo, mas volto a encontrar quase tudo na mesma. O país continua a arder; o F.C. Porto continua a ganhar; o Benfica continua a não ganhar; as telenovelas da TVI ainda não foram proíbidas, o K mantem-se firme no leme da Cartilha, etc.
A sensação de regressar até costuma ser confortável quando me ausento do país por algum tempo. Desta vez não me agradou tanto. Estranhamente, chego a Portugal e troquei o "que bom chegar a casa", por um "porra, já cá estou outra vez". Felizmente voltei a estar perto de algumas pessoas que me fazem muita falta, mas também voltei a conviver com uma lista infindável de mediocridades que enchem este país. Acho que são os efeitos de uma semana passada em Londres, cidade da qual nunca pensei poder vir a gostar tanto. O que mais me impressionou na capital inglesa foi o espirito aberto das pessoas, o "live and let live", as oportunidades que os individuos têm de potenciar as suas capacidades e ambições. É difícil explicar o choque que senti quando cheguei ao aeroporto da Portela, mas tudo isto me pareceu infinitamente pequeno...
GB 15:11

Segunda-feira, Agosto 18, 2003

ACTORES: Em maré de recordações. Pelas nossas televisões passam dois jovens actores que foram em tempos meus colegas, um na escola secundária, a outra na faculdade. Ambos fazem telenovelas, mas não saíram de nenhuma fornada de modelos convertida em actores. Ou melhor, vejo-os em telenovelas, o que não quer dizer que não façam outras coisas. Quando passo por eles na televisão, quase sempre me fica uma curiosidade, uma pulga atrás da orelha. É que, não sendo propriamente grande amigo de nenhum deles (provavelmente nenhum deles se lembra de mim), falei com ambos algumas vezes (mais com ele do que com ela), e eram pessoas que se destacavam por terem gostos, digamos “alternativos”, tomando a palavra na sua acepção mais neutra; gostavam de coisas de que pouca gente gostava. Não eram, embora em registos diferentes, pessoas com gosto pelos Malucos do Riso e pelo Anjo Selvagem. E, no entanto, aí estão eles. Fazem-no, provavelmente, bem. São, com certeza, bons profissionais. Desconheço se gostam do que fazem, e aqui falo em gostar como se imagina gostar quando temos 15 anos e imaginamos o nosso futuro grandioso. Não sei se gostam, mas gostava de saber. Tenho uma comichão que se alastra quando penso se dizem mal do que fazem, se vêm quando chegam a casa, se acham que dentro do género não é mau, ou se entretanto se renderam ao formato e defendem com unhas e dentes que, na realidade, são produções de grande nível, que não ficam a dever nada a uma peça de Shakespeare, a um filme do Almodôvar, ou a uma série da HBO.
K. 21:53
MEMÓRIAS: Cruzo o olhar sobre uma rapariga que se levanta do seu lugar no autocarro. A sua face parece-me conhecida. Quando está quase a descer, penso que a reconheço. Nem penso em a chamar ou dizer algo, mas parece-me uma colega do secundário. Parece-me, fico na dúvida. Está maior (o que até é compreensível), um pouco mais larga (aceitável também), está loura e era morena (menos recomendável). Acho que era essa colega, que só me recorda a alcunha, “Piri”. Já com o autocarro em andamento, começo a pensar na alcunha, junto algumas caras, trabalhos de casa, conversas, penso na alcunha, “Piri”. Será possível, uma rapariga com a alcunha de “Piri”? Começo a imaginar que por vezes lhe chamávamos “Pirilau”. Não, não é possível. Já quase o autocarro está noutra paragem e ainda me debato sobre o tema. Será possível? Alguém a quem chamávamos “Piri”? Será que era mesmo assim? Será que esta pessoa realmente existia, será que esta alcunha não veio parar por engano ás minhas recordações. Será que existem mesmo estas alcunhas. Não serão invenção da minha pobre memória?!
K. 20:07

Quinta-feira, Agosto 14, 2003

APROVEITAR: Começou a caça aos dividendos dos incêndios. Neste caso partem em vantagem o PCP e o BE, porque nunca foram governo ou há muito que não são. O PS devia ter vergonha, respeito pelas vítimas, e assumir a sua quota-parte de responsabilidades no estado das coisas. O governo tem as responsabilidades próprias de quem governa actualmente mas não lhe podem ser assacadas as culpas de décadas de erros e desleixo. Veremos, daqui por uns meses, quem ainda está preocupado em resolver o problema. Veremos, quando as câmaras e os microfones se afastarem.
K. 21:06
NUNCA FALOU MELHOR: Confesso: gosto de escrever. Desde de pequeno que gosto de escrever e gostava de saber escrever mesmo bem. Mas como ontem ouvi a Fernando Alvim, numa entrevista repetida, sobre um livro que estaria para sair (não sei se já saiu), quanto mais leio, menos vontade tenho de editar o meu livro. É como eu, quanto mais leio, melhor percebo as minhas limitações.
K. 20:41

Segunda-feira, Agosto 11, 2003

PARA QUE CONSTE: Gosto de cerveja; sair com amigos para uma conversa e copos; música e concertos, especialmente se forem bandas que me agradem; fiz alguma merda quando era mais novo e se calhar ainda faço; nunca me orgulhei de ser o maior bêbado do pedaço; nunca festejei os gregórios, o que não quer dizer que não tenham acontecido; já fumei ganzas, mas não faço disso uma bandeira; provavelmente não sou melhor que maioria da carneirada que aí anda, mas pelo menos já me passou a vontade de ser "um ganda maluco". Se calhar isto não é importante, o que o pessoal faz é mais ou menos o que já outros fizeram, passa com o tempo. E, contudo, gostava que fossemos diferentes no futuro, que tornássemos Portugal melhor, mas provavelmente vamos fazer o mesmo que os outros fizeram até aqui.
K. 19:14
BACANOS: Vejo uma reportagem do Festival Sudoeste e dou comigo a vergastar mentalmente na imbecilidade dos bacanos que por lá andam. Já lá fui duas vezes e não tenho nada contra. Nada tenho contra o álcool, contra bebedeiras (desde que não se ponham a guiar um carro a seguir), faz parte. Também já apanhei pielas e, provavelmente fiz figuras menos felizes. O que me faz confusão é esta necessidade de falar nas bebidas, de cada um expor mais e mais a sua bebedeira, e ainda para mais, muitos não bebem assim tanto, as figuras que fazem são naturais. Não sei, se calhar estou a ficar velho e rabugento, mas quando ia regularmente para estas coisas (o que não foi num passado muito longínquo), o pessoal bebia, mas não andava a fazer concursos, nesta exuberância alcoólica, que quase ostraciza quem não quer fazer parte do"show off". Se calhar não estou a ficar velho, talvez aqueles que lá estiveram, muitos com a minha a minha idade e que querem comportar-se como putos de dezoito anos, porque acham que beber até rebentar todas as noites é o supra-sumo do divertimento e o cúmulo do heroísmo, é que são jovens demais para mim. No meu tempo, na faculdade, havia um rapaz que começava a beber cerveja por volta das dez da manhã. Provavelmente, hoje, deve haver competições para ver quem começa mais cedo. Temo que esteja a ceder à generalização baseado em imagens que tendem a ser ilustrativas daquilo que se acha que é mais apelativo para os telespectadores da Sic Radical. Pode nem ser assim, mas juro que me parece que o pessoal quer ser jovem eternamente, ou melhor dizendo, quer ser imbecil, infantil pelo menos até aos quarenta, quer livros do Harry Potter toda a vida, escrever apenas em linguagem de chat cibernético e ver o Porky’s até à exaustão.
K. 19:05

Domingo, Agosto 10, 2003

LEITURAS DE FÉRIAS: As leituras de férias são coisa do passado. Do meu passado. Talvez num passado de quinze anos, quando tinha outras coisas que me entusiasmavam, quando as minhas prioridades se fixavam em jogar à bola, ver filmes do Van Damme e arranjar alguém para jogar no ZX Spectrum. Nessa altura, todos os Verões ia para a terra, a terra do meu pai, perto de um mês, sempre em Agosto. Aí, sem os meus amigos, sem futebol, a tempos até sem televisão, e, definitivamente, sem Spectrum, restava a leitura. Lia policiais, livros do Sherlock Holmes, a colecção “Uma Aventura”, e outras coisas que me iam parando à mão. Recuperava nessas semanas o atraso de quase todo o ano, exceptuando as leituras escolares, e uma ou outra coisa nas férias da Páscoa e do Natal. Este cenário, com a devida evolução de conteúdo, foi-se mantendo até certa altura da minha permanência na faculdade. Entretanto venho lendo cada vez mais. E assim cheguei ao estado em que estou hoje. E hoje parece-me impossível ler mais em férias, antes pelo contrário. Li menos nas duas últimas semanas que por vezes em dois ou três dias, noutras alturas do ano. Li menos, porque necessito de me concentrar, de ter disposição para ler, disposição que francamente me tem faltado, especialmente por causa do calor, mas também porque estive de férias e me dei com maior facilidade ao ócio. Ainda se mantém a tendência, mesmo que já tenha regressado ao trabalho. Ir à praia, sair para um passeio, simplesmente não fazer nada, actividades que têm ganho terreno aos livros. Mas, acima de tudo, o calor. É insuportável e deixa-me sem vontade para nada, este calor opressivo. Assim, leituras de férias só se forem de Natal ou outra época. No Verão não, no Verão só se for férias das leituras, mas isso também não. Olho para eles, para os livros, e não me parece que volte na minha vida a tirar férias dos livros.
K. 22:24

Sábado, Agosto 09, 2003

LUME BRANDO: Enquanto ainda arde não se fala de outra coisa, mas será que ainda nos lembraremos daqui por um ou dois meses. Eu percebo pouco de florestas, de árvores, de reflorestação, de combate a incêndios. E como eu, a maioria das pessoas, até mesmo algumas das que agora debitam opiniões num tom quase científico. Ainda é tempo de apagar os fogos, mais do que de chegarmos às conclusões sobre as responsabilidades a atribuir. Mas, e dando de barato que a nossa floresta, reduzida praticamente a pinheiros e sobretudo eucaliptos, maltratada e abandonada se dá facilmente ao fogo (especialmente nas condições climatéricas que atravessamos), devia promover-se um estudo (ou outra coisa qualquer, chamem-lhe o que quiserem) que sem margem para dúvidas nos explicasse se os incêndios acontecem porque são ateados conscientemente, se se devem a incúria e negligência das pessoas (foguetes, queimadas, cigarros, etc.); se os fogos foram bem combatidos ou mal coordenados; se faltam os meios, ou temos muitos que não são aproveitados. Ligo a televisão, vejo na Internet, foram presos mais não sei quantos presumíveis incendiários; a culpa é das queimadas, dos foguetes; dos interesses da indústria do fogo. A culpa é do tempo, do calor, do anti-ciclone, dos ventos; das árvores, dos guardas florestais que não existem; dos bombeiros sapadores que não estão preparados, dos carros em maus estado. Decidam-se. Ainda que tudo possa contribuir para o desastre, há coisas que influenciam mais que outras, até porque algumas destas razões são incompatíveis entre si, exigem tratamentos diferentes. A culpa que é de todos e de tudo e não é de ninguém é o primeiro passo para continuar tudo na mesma. Em lume brando.
K. 19:03
NOVA ÉPOCA: Ainda sobre o post anterior. Um dia destes a Cartilha vai avançar as suas expectativas sobre a nova época. Sobre a bola, os jogadores, as novas camisolas e os novos estádios. E prometemos que prognósticos só no fim.
K. 18:53
ALVALADE: E lá experimentámos o estádio. Parece que para o jornalistas não correu maravilhosamente. Já o público não se queixa:

Alvalade XXI agora com público
K. 13:31

Quarta-feira, Agosto 06, 2003

IR PARA A BOLA: E agora, a caminho de Alvalade. Vamos lá experimentar o estádio.
K. 18:29
DESCANSO: Alguém ao telefone, regressado de férias, conta a outro alguém que voltou antecipadamente de férias porque se cansa menos no trabalho. Conheço mal a pessoa, e nunca estive na sua casa, mas acredito piamente que é verdade. Pior! Não é a única por ali.
K. 18:15
TEORIAS: Já ouvi, mais ou menos a sério, as mais variadas teorias sobre os fogos. Para uns, foram os espanhóis que nos andaram a incendiar as florestas; para outros, tudo isto serve para distrair as atenções do caso Casa Pia. Se não fosse tão dramático, ainda nos ríamos um bocado.
K. 18:11

Terça-feira, Agosto 05, 2003

GENERAIS: Ninguém recebeu o General Eanes. Prevaleceu o bom senso. O General Eanes percebe, com certeza, mais do que eu de tropa. Mas, para todos os efeitos, a sua opinião não vale, democraticamente, mais que a minha. Publicitar um jantar de ex-militares que se propõe saber das razões da demissão um chefe militar e depois solicitar audiências ao Primeiro-Ministro e Presidente da Repúiblica, passa a ideia de que quer um quer outro têm que prestar satisfações ao General e restantes senadores.
K. 18:47
PASSAMOS A APRESENTAR: E agora, alguns comentários avulso: (look up)
K. 18:41
FÉRIAS, FÉRIAS E MAIS FÉRIAS: Ao contrário de algumas outras paragens da blogosfera a Cartilha não para férias. Cada um na sua vez, os cartilheiros da corte foram gozando os seus diazitos. No entanto o calor aperta, aperta mesmo, e o ritmo é mesmo mais calmo. Não há pachorra para estar muito tempo ao pé da máquina a debitar energia. Não há cérebro que aguente. Lá para o fim do mês, mais ou menos em paralelo com o arranque da época futebolística, esperamos acelerar e apresentar algumas novidades
K. 18:40
OBSTÁCULOS: Máquina mais calma, mas a net mais lenta. No entanto tentaremos cartilhar apesar de tudo (do calor, principalmente).
K. 18:34
MÁQUINAS: A máquina passou por um check up que me levou algumas horas, já que vinha provocando alguns problemas. Espero que agora a Cartilha volte a um ritmo mais animado. Não, ainda não nos cansámos disto.
K. 00:45

Segunda-feira, Agosto 04, 2003

INFERNO: Entre as coisas que sempre me impressionaram está o fogo, os fogos de Verão para ser mais preciso. Felizmente nunca estive em contacto muito próximo com nenhum; já estive na área quando aconteceram mas sem os chegar a ver, e já passei muitas vezes (a caminho da terra do meu pai) por largas zonas negras. No entanto, não fui dizendo nada porque apesar de intuir que muito está por fazer e que muitos interesses se movimentam nestas tragédias, não saberia ser muito assertivo, não evitaria os lugares comuns. Não fui dizendo e, no fundo, não digo mesmo nada, porque não sei e porque agora o mal está feito. Não me entendam mal, o nosso futuro exige que se repense todo este problema, que os responsáveis tomem medidas e ensinem e "obriguem" as pessoas a serem civilizadas; mas o que realmente me ocorre é que o primeiro-ministro estava apenas parcialmente correcto quando disse que esta não era a altura certa para debater. Não é esta a altura, como também não é no futuro. Foi no passado, não particularmente no passado recente, neste Inverno, ou há dois anos, ou cinco, mas desde que o problema se arrasta, foi nessa altura que deixámos passar a oportunidade. Deixou passar a oportunidade este primeiro-ministro, como todos os seus antecessores, como outros políticos, como a comunicação social que só nestas alturas acorda, como todos nós que nos limitamos a lamentar frente à televisão. Haverá com certeza, mas são poucos os que podem ter a consciência tranquila quanto às suas responsabilidades neste inferno.
K. 00:14

Domingo, Agosto 03, 2003

INSUPORTÁVEL: A Cartilha tem andado pouco activa. Para dizer a verdade o calor é insuportável, tudo serve para refrescar o quarto, para evitar o bafo quente. Tem faltado vontade para ligar a máquina e forçar opiniões.
K. 23:58