Quarta-feira, Novembro 26, 2003

UNS E OUTROS: Tem muita razão Joaquim Fidalgo quando fala de alguns empresários, que é como quem fala de alguns patrões. A esperança de que o estado faça tudo por nós está bem impregnada em todos nós. Só que é só quando nos convém. Queremos todos os serviços, queremos que seja o estado a gerar o emprego que falta, mas queremos impostos mais baixos. Os patrões querem flexibilidade, facilidades, mercado livre, menos impostos, querem que o estado proteja os centros decisão nacionais, mas depois, assim que algo corre mal, querem ajudas, incentivos, subsídios, isenções, pessoal a trabalhar de borla.

E vem isto a propósito de algo que presenciei há alguns dias. A pessoa mais dedicada e trabalhadora da área, com trinta e tal anos de serviço na empresa viu-lhe negada a possibilidade de se reformar antecipadamente, enquanto a outros era facultada essa possibilidade, com o magnífico argumento de que era uma empregada muito boa, sempre com excelentes avaliações. A vontade imediata de todos ma área foi de fazer o menos possível de modo a chegar mais depressa o dia irem para casa. Não está em causa a questão da idade das reformas. Admito o problema que a redução da idade de reforma está a trazer aos nossos serviços sociais, colocando em perigo a sua sobrevivência. Por muito que nos custe, e eu ainda tenho muito anos para vergar a mola como se costuma dizer, é um problema que terá de ser abordado inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde. Mas a questão aqui é a da injustiça, a da mais simples incompetência na gestão das expectativas, no respeito por uma pessoa que deu muito à empresa. Infelizmente, grande parte da falta de produtividade da nossa economia, deve-se às bestas que ingerem as nossas empresas. Dir-me-ão, as associações patronais, que não são todos, mas é mesma conversa dos sindicatos quando juram que nem todos os trabalhadores são pouco dados ao trabalho e à competência. Não são todos, mas são muitos. Esse é que é o drama. Num caso e noutro.
K. 20:13
VITAL REVOLUTIONS: Já agora, duas notas infelizes que não merecem mais que um post: Matrix Revolutions confirma os piores receios deixados com Matrix Reloaded. Gritante falta de ideias, embrulhos e mais embrulhos sem substância, personagens petulantes e vazias e exceptuando a grande batalha com as máquinas, mais do mesmo em efeitos especiais. O Matrix original não merecia sequelas assim. E já que falamos em argumentos falhados, o artigo de hoje de Vital Moreira no Público é simplesmente estonteante (não me ocorre outra palavra). Chegado aqui, não li mais: “Caso isso venha a ocorrer, então cabe mesmo duvidar da vantagem da própria queda da ditadura, sobretudo tendo em conta os enormes custos humanos e materiais sofridos quer pelos ocupantes quer sobretudo pelos próprios iraquianos.”
K. 00:04
VAIDADE E CULPA HUMANA: Já agora, fica a nota, o livro, Human Stain de Philip Roth. Sabem daquelas coisas que não conseguimos largar, lido com a pressa do fim do mundo, com a contenção que se dedica a um prazer efémero. Parece que aí anda ou vai andar a adaptação. E enquanto vou lendo, reparo no aparente acerto do título português, Culpa Humana. Aparente porque ainda nem a meio vou, acerto porque a expressão inglesa é muito mais fascinante que a sua tradição literal, uma nódoa humana, que nos remeteria para alguma comédia dos piores tempos de Adam Sandler. E perguntam vocês (ou nem por isso), que é que aqui estás a fazer? Basicamente, a vaidade, que o JPC lembra em entrevista ao Homem a Dias. E depois, já vinha adiando o regresso. E então regressei. It’s fun. Já tinha saudades.
K. 00:00

Terça-feira, Novembro 25, 2003

AS RUAS E O LIVRO: Primeiro foram os metros, as estações, primeiro à frente, mais para trás, que não chega, que não arranca. Finalmente chego onde quero. Ou será outro sítio? Será que ali quero ficar? Ligo, depois de calcorrear a rotunda, espreito as ruas e nada, espreitei e não vi. Ligo de novo. Atendem, mas não me ouvem. A noite está bonita, se bem que fria. As luzes, dos carros, das lojas, dos candeeiros e também de Natal, daquelas que parece que são menos. Conheço a bela capital, de quem não gostava, mas já gosto. Conheço, será exagero meu. Conheço muito mal, conheço meia dúzia de pontos e aqueles onde passo todo o dia. Mas lá estou, os carros a passarem. Ajeito o sobretudo e prendo o cachecol ao pescoço e ao telefone não consigo saber onde é a estação. Finalmente dou mais uma volta e procuro num daqueles mapas para turista, e como o próprio, em turismo na própria casa, procuro sinal da dita. Desço mais uma rua, com promessa para mim próprio. Se não der com a tal, a estação, volto para o subterrâneo e dou a volta maior, mas conhecida. Não quero perguntar, não sei muito bem porquê. Mais uma voltinha e noutro mapa dou com a malfadada estação. Caminho, mais confiante que nunca e percebo que gosto de andar à noite. Ver ruas que não conheço, e finalmente percebo que é agradável. Já não vou cansado, já não corro com pressa. Mas pressa para quê?! Já sei. Poderia dar mais umas voltas, agora que a tenho em mira, a tal da estação, mas não, sigo em frente. Lá vou. Chego, sento-me e abro o livro. Só o livro me tirava daquelas ruas.
K. 23:31
SPECIAL AGENT DALE COOPER: Acabei de ver um episódio de Twin Peaks e, fascinado pelos polícias, dou comigo a pensar que noutras obras do rapaz as figuras policiais são sempre muito peculiares. Pretexto para rever os filmes. À medida das minhas disponibilidades (não é que trabalhe assim tanto, é que tenho outras coisas com que me entreter) vou revisitar Mullholland Drive, Blue Velvet, O Homem Elefante, entre outros. Se chegar a alguma conclusão, os leitores da Cartilha serão os primeiros a saber. Ou dos primeiros.
K. 23:18
OS TEMPOS DA CARTILHA: Depois do maior interregno até hoje, a Cartilha volta à antena, ou neste caso à rede. Tinha alinhavado um post faz dias sobre a possibilidade de colocar posts com datas diferentes daquelas em que escrevemos. Não me recordo já bem do que dizia, mas era algo que tinha que ver com a ruptura com as dimensões espacial e temporal na comunicação que os meios electrónicos nos têm fornecido, com particular destaque para a Internet. Andei a trabalhar, sensivelmente, sobre o mesmo tema e é curioso que ao regressar ao blogue se coloque a questão. Voltaremos a falar sobre o assunto. E, depois de tanta conversa, não me decido se faço os posts com datas anteriores ou não. Para já seguem algumas coisas em directo. Veremos se outras coisas que me foram passando pela cabeça ainda saltam, entretanto, para as datas em que faziam sentido…
K. 23:13

Quarta-feira, Novembro 05, 2003

QUEM MATOU LAURA PALMER?: Nada de novo, não é bem assim. Hoje regressou à televisão portuguesa a série de televisão: Twin Peaks. Tenho dito.
K. 00:17
VIM VER SE AINDA CÁ ESTAVAM: Volto vários dias depois. Ainda cá está. Acalmo os receios de que o tivessem apagado. Sei lá, talvez diluido na incineradora de blogs mortos do Blogger. Não. Ainda por cá mora. Está ali o último post... até este. Ainda cá estão as nossas palavras. Fizemos seis meses sem comemoração. Ultrapassamos os cem ou duzentos hits sem foguetes. Isto está dificil que a crise é para todos. Mas vai melhorar. Se Deus quiser, lá para o fim do mês retomamos um ritmo irregular, mas mais presente. De qualquer maneira, nada de novo se parece passar...
K. 00:15