Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
PUTAS DAS PROPINAS: Hoje percebi melhor o drama dos estudantes universitários... Um rapaz e uma rapariga, aparentemente estudantes de arquitectura, lamentavam a má sorte de quem tem que pagar propinas. Falavam das noites dos estudante, do ladrão do governo, das borgas, do ladrão do governo, da aquisição duns óculos escuros de uma marca qualquer (muito uteis no Inverno), do ladrão do governo e dos planos para o reveillon no Brasil. Fiquei comovido. O ladrão do governo já nem deixa os universitários fruírem os banais prazeres da vida, porque os obriga a pagar 180 contos por ano!!! É de bradar aos céus! Quem se pode dar ao luxo de se comprazer com tantas coisas dispensáveis à sobrevivência, não pode pagar uma infima parcela do curso superior que o irá valorizar no futuro? Haja decência!
Sei que algumas famílias terão que abdicar de muito, ou quase tudo, para pagarem os estudos dos filhos. Por isso deviam ser compensadas com bolsas de estudo. Se a atribuição dessas bolsas é injusta, então protestem contra isso e não contra o principio do pagamento das propinas.
Não nos podemos esquecer que os serviços sociais são sustentados com dinheiro dos contribuintes. Sendo assim, é justo que a maior fatia da despesa do Ensino Superior seja paga pelas famílias dos que têm o privilégio de tirar um curso e não por quem tem quatro ou cinco filhos para criar, sem que nenhum deles frequente a Universidade.
Se acham que o dinheiro das propinas não serve de nada, passem pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e vejam como aquele estabelecimento funciona num edifício moderno e com boas condições de trabalho para os estudantes. Às vezes, nas antigas instalações, nem havia cadeiras suficientes para todos se sentarem. De onde terá saído este dinheiro? Caiu do céu?
Uma das causas da existência de faculdades degradadas é, com certeza, o facto do valor de propinas cobrado até hoje, ter sido manifestamente insuficiente. É que os alunos pagam 180 contos por ano e o Estado gasta 1000, durante o mesmo período, com cada um deles. Como diziam os futuros arquitectos viajantes do comboio da Fertagus, "Putas das propinas!".
Sei que algumas famílias terão que abdicar de muito, ou quase tudo, para pagarem os estudos dos filhos. Por isso deviam ser compensadas com bolsas de estudo. Se a atribuição dessas bolsas é injusta, então protestem contra isso e não contra o principio do pagamento das propinas.
Não nos podemos esquecer que os serviços sociais são sustentados com dinheiro dos contribuintes. Sendo assim, é justo que a maior fatia da despesa do Ensino Superior seja paga pelas famílias dos que têm o privilégio de tirar um curso e não por quem tem quatro ou cinco filhos para criar, sem que nenhum deles frequente a Universidade.
Se acham que o dinheiro das propinas não serve de nada, passem pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e vejam como aquele estabelecimento funciona num edifício moderno e com boas condições de trabalho para os estudantes. Às vezes, nas antigas instalações, nem havia cadeiras suficientes para todos se sentarem. De onde terá saído este dinheiro? Caiu do céu?
Uma das causas da existência de faculdades degradadas é, com certeza, o facto do valor de propinas cobrado até hoje, ter sido manifestamente insuficiente. É que os alunos pagam 180 contos por ano e o Estado gasta 1000, durante o mesmo período, com cada um deles. Como diziam os futuros arquitectos viajantes do comboio da Fertagus, "Putas das propinas!".
GB 17:36
Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
NO RESTAURANTE TANDORI: Jantares e almoços. Combinam-se hoje, desmarcam-se amanhã. São as pessoas que se vão embora. São as saudades do ano que se vai, o Natal que se aproxima. São os amigos que não se encontravam, e ou outros também. Parece haver uma efervescência comensal no ar. Querem-se experimentar restaurantes: indianos, tibetanos, árabes, alemães, tailandeses ou japoneses. São os chefes que já não são o que eram e querem levar os subordinados para todo o lado. Portugueses, tenham tino! Lembrem-se que estamos em crise e estamos deprimidos. Segundo dizem.
K. 20:43
EFECTIVAMENTE: Definitivamente reconheço o valor dos GNR. Recordo antigos êxitos e percebo as léguas de distância para outras bandas do pop português, da altura e de agora. E Rui Reininho é raro. Faz pop e, no entanto, as suas palavras conseguem ser relativamente soltas e leves, sem se tornarem gastas, vazias e profundamente chatas. E, se não fosse por mais nada, é das poucas pop stars lusas que vale a pena ouvir falar. Se não fosse por mais nada, lia-lhe as entrevistas para ouvi-lo falar de futebol, das idas às Antas, dos golos.
K. 20:27
Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
LISBOA 2012: Ontem voltei a ouvir a ideia peregrina de realizar em Lisboa os Jogos Olímpicos. Não coloco em causa a nossa capacidade para a tarefa. Não ouso contestar as doutas opiniões que acham que seria uma alavanca para o nosso desenvolvimento desportivo. Não posso, nem devo, duvidar das exultantes contrapartidas financeiras que daí advirão para a capital e para o país em geral. Mas ninguém acha vergonhoso que num país onde as pessoas têm de esperar horas, dias ou anos para terem assistência médica; onde os estudantes não têm 180 contos por ano para pagar de propinas e o estado não tem dinheiro para fazer verdadeira assistência social a quem realmente necessita; não parece ligeiramente obsceno propor a realização de algo que soa fundamentalmente a novo-riquismo? Alguém dizia que se os gregos o conseguem fazer, também nós. Não duvido. Da mesma forma que não tenho dúvidas que a Grécia não será a partir dos Jogos Olímpicos mais rica e desenvolvida do que era. À parte de nos poderem esfregar na cara que já organizaram os Jogos, continuarão a bater-se com Portugal pela fuga ao último lugar do pelotão europeu.
K. 18:28
Terça-feira, Dezembro 02, 2003
OPINIÕES: Um dos textos alinhavados que ficou por publicar versava sobre as armadilhas que as nossas convicções nos traçam. Miguel Sousa Tavares, num artigo com duas ou três semanas, a dois tempos elogiava a sapiência do povo europeu ao eleger Israel como maior ameaça mundial à paz, e depois insinuava a parca inteligência dos lisboetas (e por inerência europeus) ao eleger Santana Lopes para Presidente da Câmara. Hoje José Manuel Fernandes reconhece as conclusões sábias dos portugueses sobre a intervenção no Iraque. O curioso é o tom com que abordamos normalmente estas opiniões públicas. Eu próprio já o fiz. Normalmente reconhecemos a inteligência dos nossos pares quando estes concordam com o que pensamos. Sentimo-nos irremediavelmente mais sós e estóicos quando vislumbramos uma verdade que parece escapar a toda a gente. Mas parece que as multidões não sabem o que querem. Podemos questionar o valor concreto destas aferições. Podemos considerar que as mesmas pessoas que votaram em Santana Lopes, acham que Israel é o mais perigoso país do mundo, e podemos, se calhar, concluir que embora com causas diferentes, as pessoas estão sempre sujeitas a imensas influências, a influências diferentes, a influência iguais, que muitas vezes pensam pouco e outras se calhar até pensam demais. Se calhar não percebem nada ou percebem até bem demais. Estas opiniões valem o que valem. Estas sim. As sondagens não valem o que valem, podem estar erradas, mas normalmente valem e muito. As opiniões valem o que valem. Podem estar erradas ou certas, mas são apenas opiniões e não é por serem maioritárias que devem valer mais ou menos. Mas acontece-nos a todos. Até parece que as multidões só estão certas quando pensam como nós. Como eu, melhor dizendo.
K. 23:35
