Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

HOJE NÃO VOU OUVIR UM DISCO DOS DELFINS: Isto da Anabela Mota Ribeiro ir todas as noites ver um filme, uma peça de teatro ou ler um livro já me andava a fazer confusão. Umas vezes eram coisas abstractas. "Uma" peça; "Um" livro. Depois começaram a ser coisas concretas. "Vou ouvir o disco de não sei quem"; "vou a um bailado não se onde". Mas hoje a decadência abateu-se por completo. A Anabela diz que vai ouvir o novo "best of" dos Delfins. E assim se vai a credebilidade de uma televisão.
K. 21:28
SOCIALMENTE: Os ingleses vão pagar quase novecentos contos de propinas. Um sistema de empréstimos (quer para as propinas quer para as despesas da vida nesse período) vai ajudar os estudantes que não poderem pagar. Esses estudantes só pagarão esses empréstimos (com juros bonificados) quando começarem a ganhar mais de 10000 libras anuais. Se nunca atingirem esse valor nunca terão de pagar. Não estudei o sistema a fundo, mas parece-me uma solução muito interessante. Se deixarmos de pensar que a única forma que existe de ser mais justo socialmente é com o estado a pagar tudo, poderemos, provavelmente, encontrar ideias eficazes.
K. 21:26
FEHÉR #2 Quarta feira. São quase três da tarde e a TVI ainda não deu por concluído o jornal da hora de almoço. Porquê? Porque no Domingo à noite morreu um jovem de 24 anos, aparentemente saudável, num campo de futebol. Subitamente. Em directo. Depois de esboçar um sorriso. O canal de José Eduardo Moniz, transmite a cerimónia funebre também em directo, da Hungria. Muita gente a chorar, como se quer. É mais uma romaria de trazer por casa para puxar audiências. O grande público agarra-se à televisão e olha para a morte, enquanto passam, despercebidas, mais algumas horas de vida. Deixem o homem descansar em paz! Olhem para vós e para os que estão à vossa volta. Despachem-se a tentar ser felizes, porque isto não dura sempre. Quanto à TVI, os meus parabéns! A malta de Queluz descobriu uma forma de mobilizar o país, ainda melhor do que as ridículas festas de Verão, com actores das telenovelas. Espero que não se lembrem de mandar matar um jogador, todas as semanas, para darem a banhada ao doutor Balsemão.
GB 15:05

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

FEHER: A tragédia inesperada, inacreditável. É nestas alturas que mais nos custa aceitar a vida. E, por agora, a vida é esta. Por mais parafernália tecnológica que usemos não há forma de saber o que nos vai acontecer daqui a cinco minutos. Os media insistem por um lado, farejam do outro. As pessoas interrogam-se: não estava vigiado, não fazia exames? Será daquelas coisas que eles tomam, será de puxarem demasiado pelo físico? A ambulância não devia ter chegado mais cedo, não devia estar a aparelhagem toda ali junto ao relvado? Não sei. Ninguém sabe e como afirmou um prestigiado médico no telejornal, existe alguma probabilidade de nunca virmos a saber com exactidão. Para já o mais provável é que tenha sido algo de súbito e aparentemente impossível de prever, pelo menos com a ciência de hoje. Por muito que nos custe e nos assuste, neste mundo aparentemente controlado e verificado, muito é o que escapa ao nosso controlo e tanto é o que não sabemos.
K. 21:47

Sexta-feira, Janeiro 23, 2004

OS BAIRROS: Parece haver um brilho em certas coisas, em certos lugares. Ou então é uma luz que está no olhar. É o caso de determinados bairros. De casas. Quando se passa e olha, quando o carro abranda para deixar atravessar a rua e as crianças correm descontraídas junto a paredes de cor diferente, percebe-se. E parece que poderia ser em Almada ou em Alverca, ou no fim do mundo. Parece que os bairros sociais são iguais em todo o lado. E se na realidade o não são (tão diferentes que chegam a ser!) quando se olha para eles nem é preciso que os identifiquem. Ou está lá esse brilho (ou a falta dele) ou não está! E tanto faz que seja em Alverca ou em Almada.
K. 23:58

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

CORAÇÃO: Quando V.S. Naipaul escreveu “Heart” (incluído na colectânea de contos “A Flag on the Island”) esqueceu-se do seu humor. Regularmente aparece-nos imbuído no olhar lúcido mas remido pela insensatez, pelo toque irreprimivelmente patético da vida que é costume encontrar nas suas obras. Quer dizer, no pequeno conto Naipaul não foge às suas personagens desadaptadas, mas o que realmente abala, e realmente abalou, é a crueza com que o autor relata a história do rapaz, do seu cão, dos seus pais, da sua aprendizagem e luta para converter o mundo em algo que lhe esteja subjugado, controlado. A prosa é despida de humor, qualquer que seja, aprofundando paulatinamente a luta das personagens, sempre sem cadenciar a crueldade com o mais pequeno esforço para sentirmos a habitual simpatia pelos personagens nas suas lutas atribuladas e infelizes para se encontrarem.
K. 21:19

Terça-feira, Janeiro 20, 2004

A PROPÓSITO DE DISCUSSÕES: Um ensaio, que ainda não li, despoletou uma contenda entre os seus autores, Paulo Tunhas (PT) e Fernando Gil (FG), e Manuel Vilaverde Cabral (MVC) que assinou uma série de artigos no Diário de Notícias. Além de não ter lido o ensaio, também não li os argumentos de MVC. Li apenas a primeira parte da resposta dos autores, da responsabilidade de PT, dada à estampa no último Expresso. Li ainda o comentário de Eduardo Prado Coelho (EPC) nas páginas do Público de ontem. Vem esta discussão a propósito da fractura entre apoiantes e opositores da intervenção militar no Iraque (o livro chama-se Impasses), a eventual má fé de quem discute, o propalado anti-americanismo. Já tinha lido sobre o livro, mas foi depois de ter lido ontem o comentário de EPC que me resolvi a discorrer sobre o assunto, uma vez que o articulista do Público recusa a discussão sobre a má-fé e tenta desmontar a acusação de anti-americanismo.

Dizem PT e FG que foi do lado dos que se opunham à guerra que existiu maior dose de má-fé na discussão. Dando de barato que esta aconteceu dos dois lados em determinadas ocasiões e que muitos foram acusados injustamente de anti-americanos apenas porque colocavam dúvidas quanto à forma ou à legitimidade do processo, parece-me claro que efectivamente a discussão foi mais vezes viciada por quem se opunha à guerra. É porventura natural que assim tenha sido, uma vez que eram muitos mais os que se opunham à intervenção. A mim basta-me recordar que das poucas vezes em que me envolvi em discussões em público sobre o assunto, havia uma tendência irreprimível para reduzir todos os que pensavam de forma diferente a lacaios de Washington, ou seres desprovidos de sentimentos, a quem era indiferente a sorte de milhões de pessoas. Por oposição, aqueles que se opunham à guerra falavam do alto de uma superioridade moral que lhes garantia a exclusividade dos nobres sentimentos de humanidade e piedade. Na luta das convicções, admito que todos nos excedemos (eu próprio já aqui deixei o meu mea culpa) lançando sobre os outros acusações, processos de intenção, desvarios, injustiças, etc. É mais fácil que isso aconteça quando uma questão abala tão profundamente as convicções das pessoas como aconteceu com a crise iraquiana.

Outro ponto é o do anti-americanismo. E aqui, de tão óbvio, parece-me absurdo que isto seja sequer polémico numa discussão séria. Por muito que muitos dos que se opuseram à guerra reclamem com justiça da injustiça do rótulo que lhes era aplicado, é por demais evidente que grande parte da onda que se gerou, era de pura contestação à América e ao que ela representa, independentemente de Bush ou até, admito, reforçada pela figura de Bush. Mas era de contestação à América. Querer negar isto é como querer dizer que quando se queima uma bandeira americana, é porque Bush está na Casa Branca, como se no tempo de Clinton as não queimassem com igual alegria. Não significa isto que as pessoas não vão ao McDonalds, que não vejam filmes de Hollywood. Significa que se ouve pessoas dizer que “até acho que alguém o deveria tirar de lá (ao Saddam), mas os americanos não”; que se ouve alguém dizer que “o Saddam é um monstro, mas até era bem feito para os americanos que perdessem”. Significa que existem outros conflitos e outros países a movimentarem tropas para cenários de conflitos, não sancionados pela ONU, como a Rússia ou a França, mas que não ouvimos uma onda gigantesca de pessoas a dizer que Puttin é igual aos terroristas chechenos. Este sentimento é até admitido implicitamente quando nos dizem que a América tem que repensar a sua postura porque está a alienar o apoio dos Europeus. São discutíveis as razões deste afastamento, as suas vantagens, as desvantagens, a culpa, quase tudo é discutível. É indiscutível que existe um sentimento crescente de repulsa pelo poder americano e que este sentir extravasa muitas vezes para o puro ódio.

Basta relembrar as previsões catastróficas de milhões de mortos e refugiados que muitos lançaram em jeito de propaganda e que só Miguel Sousa Tavares (que tenha visto) teve a ombridade de reconhecer erradas, admitindo que a guerra tinha sido muito mais limpa e menos sangrenta do que a tinham pintado. Basta relembrar as palavras do rigorosíssimo Prof. Fernando Rosas que afirmou categoricamente que se as armas de destruição maciça não estivessem lá, seriam os americanos que lá as plantariam. As armas não apareceram (com todas as consequências para a legitimidade da intervenção que daí advêm, mas que não vêm ao caso agora) mas o professor ainda não explicou porque foi que os americanos não as colocaram lá. Se isto não é viciar a discussão, não sei o que será.

E eu até compreendo esta forma de ver as coisas. Apresentando-se os currículos de dos contendores qualquer observador imparcial percebe que o cordato Saddam é de muito mais confiança que o macabro Bush.
K. 19:06

Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

QUERO IR A TÓQUIO: Sofia Coppola regressa depois de auspiciosa estreia com As Virgens Suicidas. Lost in Translation, (traduzido para O Amor é Um Local Estranho, a fazer lembrar uma comédia romântica com Meg Ryan) é adorável. Não encontro porventura outra palavra. Retoma as crises interiores que a provecta filha de F.F. Coppola já tinha penetrado no seu primeiro filme. Só que o título em português é enganador, e a aproveitar a frase dir-se-ia que a vida é um local estranho, que leva um estrela de cinema de meia idade a envolver-se com uma jovem perdida e negligenciada pelo marido num hotel de Tóquio, onde nenhum deles sabe o que está a fazer. Sofia Coppola mantém o olhar imbuído de pudor e ternura sobre as suas personagens, um olhar que leva o seu tempo a marcar, envolvido entre um copo e outro no bar do hotel, mas que nos deixa apaixonados pela imagem melancólica e exótica das noites de Tóquio. Mas desta feita a realizadora permite-lhes um volte de face final, uma salvação que não havia sido possível para os protagonistas de As Virgens Suicidas. É uma comédia (onde Bill Murray puxa dos galões), mas é também um drama (onde Bill Murray também puxa de algo muito interessante sempre bem acompanhado pela etérea Scarlett Johansson) e é um romance, num sentido muito amplo, onde este amor, este romance, esta amizade é tudo o que pode aproximar, ligar, duas pessoas que estavam afastadas de tudo. O final é embaraçoso… para o espectador que se vê afastado da intimidade das personagens, o que no entanto não o impede de perceber intuitivamente a felicidade do desenlace. Soffia Coppola soma e segue. E eu arriscaria que depois de Lost in Translation a bitola é ainda mais alta, um degrauzinho acima do ao drama das irmãs Lisbon. A banda sonora destaca-se pela perfeição com que se cola às imagens e no fim só apetece ver outra vez.
K. 21:55

Domingo, Janeiro 18, 2004

REFERÊNCIA: O editorial do Expresso apresenta uma extraordinária teoria. A culpa pelo baixo nível de algum jornalismo é da Internet e dos blogs. A internet é que publica as notícias que não deviam ser publicadas, o que leva os tablóides atrás. Por sua vez as televisões sentem-se autorizadas a pegar nessas notícias e, a partir daí, os jornais de referência (era chegar aqui que o Expresso queria) não podem deixar de cavalgar a onda. Tudo isto era muito bonito, não fosse escandalosamente simplista. Não fosse o facto de que a perda de qualidade e rigor do jornalismo ter muitas explicações e ter começado lá fora há mais tempo, quando não havia sequer internet. Não fosse a questão de que se os outros fazem mal, isso não iliba os jornais de referência das suas culpas. Exactamente por serem mais credíveis é que são chamados de referência. E deveriam?
K. 23:41

Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

FÉ E DIREITO: Pensamos que é e não é. Pensamos que nos vamos enganar no que é público, no que é exterior. Penso eu. E, no entanto. Hoje, alguém me disse que todos os deputados são licenciados em Direito, e que tinham de o ser para serem deputados. Disse-me uma licenciada em Direito. Disse-me a mesma pessoa que me disse, noutra ocasião, que eu não era católico. Ainda hoje estou a meditar sobre o que me disse. A meditar sobre a minha fé e a forma como a vivo. Não soube dar-me aulas sobre a licenciatura que acabou, mas conseguiu colocar-me a pensar sobre a forma como vivo a religião. De onde menos se espera vem o abalo.
K. 23:50

Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

NOITE MAL DORMIDA: No princípio era uma ideia. Um som, intermitente e irreal. Depois uma luz que se ergue. Autómato que se levanta. Que executa. Ora vai, ora vem. Depois corre, anda, sobe e desce. Senta e faz. Faz e desfaz. Sai e arruma. Anda, volta, e de volta ao mesmo sitio que é agora já outro. Regresso, no fim da ideia. Cansado, olha para os outros. Cansados. Todos. Senta e deixa ficar que os olhos se toldam. Que se tolda a luz, e o som, escasso. Não posso mais dormir três horas!
K. 20:38

Segunda-feira, Janeiro 12, 2004

OS MEDIA ENTRE CARTAS, FACTOS, SEGREDOS E JUSTIÇA: Os apelos emocionados do Presidente da República parecem não ter convencido. Desde logo porque os principais visados se apressaram a sacudir a água do capote. Sucederam-se as justificações apressadas. E, de facto, responsabilizar os jornalistas é certamente simplista. Se não fosse tudo o que está para trás, tudo teria começado com uma carta anónima. Uma que não vale nada. Primeiro era indiscutível que nunca deveria ter sido acrescentada ao processo, depois parece que já não é bem assim. Estou fora do meu ambiente, e tal como a maioria dos portugueses, não sei exactamente quem tem razão. Como funciona, ou deveria funcionar, a justiça? Outras coisas percebem-se. Esta fuga de informação, como as outras anteriormente, não são da responsabilidade exclusiva dos jornalistas, mas tem a sua conivência. Estes não são os mensageiros neutros que por vezes nos querem fazer crer que são. Discutir a legalidade de uma carta anónima num processo judicial não implicava divulgar que o nome do Presidente da República estava entre os mencionados. A questão resume-se: defesa e acusação vão, à medida que lhes interessa, fazendo sair informação que os possa beneficiar noutro campeonato, o da opinião pública. E os jornalistas? Quer porque aderem à causa, quer porque as empresas de comunicação entendem que é a melhor forma de se imporem, limitam-se a ser correias de transmissão. Não devemos confundir a parte pelo todo, mas muitas vezes o tão propalado rigor profissional esbate-se perante notícias inconsistentes, ou factos que apesar de verdadeiros apenas existem como forma de suportar uma das barricadas e não porque tenham verdadeiro interesse público. Infelizmente as dúvidas são mais que as certezas. Há que aprender a viver no caos. A viver entre os bons e os medíocres. Entre os agentes da justiça não sei como se resolverá. Nos media, ainda não batemos no fundo. O mercado é pequeno, as cumplicidades muitas, as dependências mais, e esta guerra está aí para ficar. As relações da democracia com os media estão em transformação. São assim lá fora e serão assim cá dentro. Desreguladas e complexas.
K. 23:41

Domingo, Janeiro 11, 2004

VOTOS E ASSINATURAS: Vi neste fim de semana na televisão pessoas a assinarem alegremente, contribuindo para a causa do novo referendo pelo aborto. Assinavam entre um sorriso para a televisão e o orgulho de serem os informados, os esclarecidos. Não deixou de me comover que algumas daquelas pessoas admitissem com a maior desfaçatez que nem sequer votaram no outro referendo. Comovido, ainda, ouvi falar com convicção do erro de nos imiscuirmos nas decisões dos outros. Cada um sabe de si e Deus sabe de todos. A barriga de cada um é de cada um. E o voto de cada um é para ser utilizado conforme cada um entende, nem que seja a passar o dia na praia, enquanto os outros decidem aquilo que tanto me interessa. Já dizia, há algumas semanas, José Júdice que os portugueses se estão cagando para o aborto, tirando aqueles a quem as infelicidades da vida colocou o dito cujo no seu percurso. Veremos, se realmente chegar a existir outro referendo, se voltar a ser um fiasco. Mas a questão é mais complexa do que nos querem fazer parecer. Moralmente não posso deixar de condenar o acto. Não é uma questão de impor a minha moral aos outros, trata-se de entender que a comunidade deve assumir padrões que não tornem o aborto em algo simples e natural. Por vezes, parece-me que é isso que algumas pessoas defendem. E isso soa-me exactamente como a imbecilidade de quem diz que é contra o aborto, como se todos os que admitem a despenalização fossem a favor do aborto. Mas a vida é mais complicada. Há algo que ultrapassa esta posição ideal e inflexível. É a vida que existe. Infelizmente, a vida é como é. E, mais imoral que o aborto é para mim deixar que as mulheres morram, abandoná-las. Deixá-las aos carniceiros. Tratá-las como criminosas, indignas, e indignadas viverem com uma marca que com certeza é já suficientemente pesada. É neste estreito trilho de dúvidas que sobrevive a dúvida. Não sei realmente como responder. Provavelmente, se acontecer outro referendo, votarei como da última vez. Porque, no fim, é uma decisão política. Uma decisão de política. Quem proteger? Proteger a vida. Será proteger as mulheres. Senão protegermos as mulheres não protegemos mais ninguém. Porque não sei. Porque é difícil escolher entre uma vida e outra. Porque é, no entanto, necessário. Porque não sei se estou certo, mas espero que sim.
K. 23:19

Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

A DOIS: Começou há dois dias a 2:. É bom que se mude. É bom que a televisão pública? Se esforce por ser mais do que era. Mas depois dos bons sinais de Segunda-Feira com o regresso de Six Feet Under (aparentemente com episódios novos), hoje vemos regressar a primeira temporada de 24, uma série que passou há alguns meses no primeiro canal, e que nos E.U.A. vai na terceira temporada. Espero a 2: não seja equivalente a programação de segunda.
K. 21:26

Terça-feira, Janeiro 06, 2004

DIA DA SERENIDADE: Após o apelo do Presidente da República, o dia de hoje vai decorrer na mais absoluta das serenidades. Só os jornalistas prometem defender a sua honra e continuar a divulgar todas as cartas anónimas existentes em processos judiciais. Todos os outros agentes do nosso jet-set político e social prometem calma e ponderação. O líder parlamentar do PSD, especialmente compungido, até falou em tom de ameaça, esperando que o PR não precise de puxar outra vez as orelhas aos meninos traquinas. Mas se os jornalistas até se portaram bem, afinal a quem é que são os rufiões?
K. 07:54

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

IMAGENS DE 2003: Edward Norton na última horaVou ser terrivelmente repetitivo. Já ouvi isto nalgum lado. Sê-lo-ia de qualquer modo. Ainda sem ver alguns dos nomes fortes do ano, balanço entre Mystic River e A Última Hora como melhor filme que vi em 2003. Será assim tão importante? O melhor? Não sei. Quando há alguns meses atrás assisti à vigésima Sean Penn em Mystic Riverquinta hora de Spike Lee fiquei fascinado. Curiosamente foi o final do filme de Lee que mais dúvidas me deixou. Ainda hoje estou dividido quanto à justeza cinematográfica da coisa. E é pelo final que os dois filmes mais profundamente se separam. É certo que a amizade dos personagens de Spike Lee funciona em permanência como o antídoto de tudo o que de mal se passa naquelas vidas. A amizade das personagens de Clint Eastwood está em desagregação e funciona, pelo contrário, como factor de implosão dos fantasmas que assaltam o filme. Mas, de qualquer forma, ambos lidam com o que de pior existe nas fraquezas humanas, em ambos os protagonistas estão longe de serem seres moralmente muito recomendáveis. Mas se Spike Lee salva o seu protagonista, salvá-lo-ia sempre, independentemente do final, Clint Eastwood leva até aos limites a torpeza, antes reformulando, a partir da desgraça inicial, a decadência dos seus personagens. A ideia não é que o homem seja absolutamente mau. É-o muitas vezes. Muitas vezes. Mas nem sempre. Não posso escolher. Não o sei fazer.
K. 21:03
NÃO BASTAVA O TRABALHO?: Partilho da angustia do meu colega de cartilha. Regresso ao trabalho, após duas semanas de férias e confesso que não me apetece nada. Como se não bastasse, o Benfica perdeu em casa com o Sporting!
É um facto que estávamos a "levar nas orelhas" aos 8 minutos, graças a um penalti inexistente. Também é verdade que sofrer um golo tão cedo, devido a um erro de arbitragem, pode desestabilizar qualquer um. Mas ainda é mais verdade que, tal contrariedade, afecta muito mais facilmente os débeis! O Benfica de ontem foi um deserto de ideias, o paraíso da insegurança. Infelizmente, o Sporting é um justo vencedor. Gostava de poder dizer "Em Alvalade até os comemos!!!"... Mas sem mariquices, é claro...
GB 15:06

Domingo, Janeiro 04, 2004

E LOGO AGORA QUE SE ESTAVA TÃO BEM: Pois é. Os Cartilhadores do Reino voltam ao trabalho. Agora sim, começa o novo ano. E logo agora que se estava tão bem a repor leituras, a ver filmes em atraso, a fazer nenhum, a ver o futebol e outras coisas verdadeiramente fundamentais… para o equilíbrio mental dos próprios.
K. 23:59

Sábado, Janeiro 03, 2004

DESEJOS: Ainda à volta com as expectativas do novo ano. Tenho ouvido os mais variados desejos e, regra geral, as pessoas insistem em pedir o impossível: que os nossos governantes nos governem bem; que haja saúde para todos; que aconteça paz no mundo. Só falta pedirem que o país se torne no mais rico da União Europeia. Sejam mais comezinhos. Peçam que o Porto seja campeão (no caso de Benfica e Sporting, a tarefa parece ainda utópica); peçam que o dinheiro chegue para irem passar férias ao Algarve. Peçam para a selecção ganhar alguns jogos no Europeu. E não digam que vão daqui.
K. 22:08

Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

ANO NOVO, VIDA VELHA: Arrancou 2004. Parece boa ocasião para voltar aqui. Ao local do crime. Várias vezes arrancamos e logo paramos. Gostávamos de dizer que estamos assoberbados de trabalho. E pontualmente é verdade. Mas também, a verdade, nua e crua como diria alguém, é que nem sempre nos apetece. Às vezes temos mais o que fazer, outras coisas por fazer, coisas com que nos entreter. E depois, valha a verdade, outra vez, falta a atenção. Por vezes sustentamos a ilusão de que fazemos isto sem que ninguém olhe, mas por vezes o facto de ninguém olhar é demasiado pesado para que nos demos ao trabalho.

Ainda assim, continuamos, até acreditarmos, enquanto não for demasiado sem sentido. Enquanto…

E assim, para 2004: previsões, que é o que tradicionalmente se faz nesta época do ano. Pois bem, falhamos rotundamente. Não sei quem vai ganhar o campeonato; não sei quem se vai candidatar a candidato a Presidente da República; não sei o que vai acontecer no Iraque, nem o que vai suceder com Saddam Husseín. Em suma, sei pouco. Mas, à medida que for sabendo mais, posso vir aqui colocar.
K. 23:40