Domingo, Abril 25, 2004
30 ANOS: Queria fazer a reflexão e passá-la para o papel. Neste caso para o disco. É importante explicar, explicar-me a mim próprio, especialmente porque somos inundados neste período por explicações do que é, do que foi, ou do que deveria ter sido o 25 de Abril. E mais ainda porque depois do post do ano passado, que mantenho, achei que me devia explicar melhor. Porque, quer queiramos quer não, é uma data fundamental na nossa história recente. O que vem a seguir não é no entanto nenhum ensaio sobre a data e as suas consequências que pretenda descrever, explicar ou contar a História. São só, e muito mais, as minhas percepções pessoais, as minhas dúvidas e a tentativa de um retrato do que a imagem do 25 de Abril projecta sobre mim, e fundamentalmente sobre mim, mesmo que esteja convencido que não é só sobre mim.
Liberdade. É provavelmente o conceito que mais vezes vemos associado à revolução dos cravos. A relação é, no entanto, ambígua. Sei que é quase um sacrilégio dizer isto, mas é o que a minha percepção me diz. Independentemente do que se passou nos tempos seguintes, o 25 de Abril significa o rompimento com a ditadura, com um regime de poder autoritário e decadente que tinha nas últimas décadas fechado ainda mais o país sobre si próprio, reforçando o atraso e conservadorismo (na sua pior acepção) da sociedade. Se o golpe militar que desencadeou a revolução desencadeou um processo ocupação do poder que tenderia a transformar o regime em algo muito diferente do que hoje vivemos, isso não invalida o facto de que foi, de facto, naquele dia que se rompeu definitivamente com a ditadura. Eu, pela parte que me toca, estou contente que tenha sucedido. Foi o primeiro passo a caminho de uma democracia (porventura o mais difícil). Depois disso, contudo, o seu significado vem-se diluindo, sendo cada vez mais a festa de alguns e dos mesmos. Li há um ano num artigo do historiador Rui Ramos que aquilo que começou com um banho de multidão a festejar a recém conquistada liberdade, vai-se metamorfoseando, aos poucos, num desfile de vaidades, de algumas centenas que deslizam pela avenida, algures entre o júbilo pelo papel que desempenharam e a saudade envergonhada do que a revolução poderia ter sido e, felizmente, nunca chegou a ser totalmente.
Democracia. É curioso que as incongruências de alguns passem sem qualquer referência. Há quem marche ao som de uma melodia heróica, embevecido e sinceramente emocionado com os tempos da luta anti-fascista, e genuinamente felizes por vivermos numa democracia; mas há quem festeje o que deveria ter sido e se não tem saudades dos tempos idos, também não se sente realizado, e a cada ano que se escoa se lamentam, e com razão, de se perderem as conquistas de Abril. E se podem festejar a revolução não por aquilo que ela deu ao país trinta anos depois, mas pelas promessas que no período imediato se viveram, como se aquela fosse a utopia tornada possível, também tenho o direito de não me rever nessas celebrações, pois não era também esse o regime que defendo. E o que o torna impossível este partilhar da data é a cartilha oficial que a esquerda e a extrema-esquerda colam à data, tornando-a propriedade exclusiva deles. A ideia é juntar a ideia do fim da ditadura e da liberdade às forças da esquerda, de modo que qualquer tentativa de se contestar as verdades absolutas, e problematizar o período que se seguiu, transformam automaticamente o seu autor em fascista e saudosista. E o que se ganhou com Abril? Ganhámos a liberdade e muitas outras coisas que deveremos preservar, mas também ganhámos ou estivemos na iminência de ganhar muitas outras (especialmente no domínio económico) que ainda hoje significam atraso para o país. Mas somos ainda um caso mais singular porque depois de Abril se formou uma estrutura que se ocupou da maioria dos lugares e que só a muito custo se deixam desalojar. Um pouco por todo lado, autarcas, políticos, intelectuais, ajudaram a formar o país que somos, com a extraordinária peculiaridade de alguns deles transitarem do estado novo, para serem agora os seus maiores críticos.
Cidadania. Sei que numa discussão hipotética, a seguir dir-me-iam que não dou lições de democracia a nenhum dos que viveram o 25 de Abril. Mas esse é um argumento, nem tanto, um slogan que se atira para o ar. Importa saber o que entendemos por democracia. Muitos dos que lutaram e festejaram o 25 de Abril, independentemente das críticas, vive bem com a democracia tal qual a conhecemos e experimentamos. Outros nem tanto. De quem saneou, de quem queria pela força impor um regime, de quem admira Cuba, não recebo eu lições de democracia. E mais, mesmo tendo vivido toda a minha vida em democracia, não sinto qualquer obrigação moral de me curvar perante os que se bateram contra a ditadura, se depois desejaram e lutaram por ter um país que vai contra aquilo em que eu acredito. Cada um, em cada momento, tem a obrigação de dar um pouco de si pela comunidade, mas esse compromisso pode passar por várias acções, sem que tenha que me sentir inferiorizado perante os que se opuseram à ditadura, como se isso, por si só, lhes valesse a vénia permanente.
Festa. Seja porque a memória do 25 de Abril tem sido conduzida assim, seja porque é o resultado da erosão natural do tempo, o que é certo é que a memória tende a reduzir-se a um simples feriado. À medida que o tempo passa e grande parte da população portuguesa não viveu ou não tem memórias efectivas desses tempos, a significação deste período tende a desgastar-se, o que pode não ser necessariamente mau. Pode ser que permita que a história nos explique melhor o que foi, sem se ver demasiado enredada pelo calor da luta política e da dominância ideológica. Já o li várias vezes, esta data caminha para se tornar num feriado como os outros, representando na mente das pessoas o mesmo que significam o 1º de Dezembro ou 5 de Outubro, se não ocupa já, em grande medida, esse lugar. Para lá das vésperas em que o pessoal aproveita para ir ver, à borla, os Anjos, os Xutos ou o Pedro Abrunhosa, conforme o gosto e a disponibilidade geográfica, no dia seguinte vale a satisfação de não ir trabalhar (este ano, nem isso é relevante). Será que vale a pena festejar? Valerá para quem tiver disposição. É, para todos os efeitos, a marca do arranque para a democracia, que provavelmente levaria muito mais tempo a surgir sem a revolução. Teria sido melhor uma transição pacífica, mas não aconteceu, e, assim sendo, ainda bem que aconteceu o golpe. Qualquer dia ganho à ditadura é um dia ganho. Prefiro ter de passar pelos tempos conturbado do PREC a viver na paz podre da ditadura. Mas quando reflicto sobre Abril, parto de um post do ano transacto. Será o 25 de Abril o passo definitivo para a democracia? Daquilo que me é dado conhecer, não é. Foi uma etapa para uma democracia conquistada posteriormente. A festa não me chateia nada. Não sei é se estamos todos a festejar o mesmo.
Vida. Então, e quando ouves alguém que recorda o que não podia fazer na altura, as sensações porque passou naquele período? Quando oiço, respeitinho. O mesmo respeito que tenho por aqueles que sem serem fascistas, nem brutos, facínoras capitalistas, foram atropelados no processo revolucionário. Porque os há também. Quando oiço uma voz autêntica, quando oiço falar das limitações que tínhamos, da censura, dos livros proibidos, quando sinto que é uma alegria podermos estar hoje a conversar relativamente livres de constrangimentos, quando oiço uma voz assim, remeto-me ao meu canto, remeto-me à minha felicidade por nunca ter experimentado o outro regime. Abril é Evolução? Foi com certeza evolução, mas com revolução e, para sermos mais precisos, foi, primeiro e fundamentalmente, um golpe de estado militar. A propaganda não é mais que isso, ou a tentativa de retirar Abril do espaço restrito da esquerda para a tornar consensual.
Liberdade. É provavelmente o conceito que mais vezes vemos associado à revolução dos cravos. A relação é, no entanto, ambígua. Sei que é quase um sacrilégio dizer isto, mas é o que a minha percepção me diz. Independentemente do que se passou nos tempos seguintes, o 25 de Abril significa o rompimento com a ditadura, com um regime de poder autoritário e decadente que tinha nas últimas décadas fechado ainda mais o país sobre si próprio, reforçando o atraso e conservadorismo (na sua pior acepção) da sociedade. Se o golpe militar que desencadeou a revolução desencadeou um processo ocupação do poder que tenderia a transformar o regime em algo muito diferente do que hoje vivemos, isso não invalida o facto de que foi, de facto, naquele dia que se rompeu definitivamente com a ditadura. Eu, pela parte que me toca, estou contente que tenha sucedido. Foi o primeiro passo a caminho de uma democracia (porventura o mais difícil). Depois disso, contudo, o seu significado vem-se diluindo, sendo cada vez mais a festa de alguns e dos mesmos. Li há um ano num artigo do historiador Rui Ramos que aquilo que começou com um banho de multidão a festejar a recém conquistada liberdade, vai-se metamorfoseando, aos poucos, num desfile de vaidades, de algumas centenas que deslizam pela avenida, algures entre o júbilo pelo papel que desempenharam e a saudade envergonhada do que a revolução poderia ter sido e, felizmente, nunca chegou a ser totalmente.
Democracia. É curioso que as incongruências de alguns passem sem qualquer referência. Há quem marche ao som de uma melodia heróica, embevecido e sinceramente emocionado com os tempos da luta anti-fascista, e genuinamente felizes por vivermos numa democracia; mas há quem festeje o que deveria ter sido e se não tem saudades dos tempos idos, também não se sente realizado, e a cada ano que se escoa se lamentam, e com razão, de se perderem as conquistas de Abril. E se podem festejar a revolução não por aquilo que ela deu ao país trinta anos depois, mas pelas promessas que no período imediato se viveram, como se aquela fosse a utopia tornada possível, também tenho o direito de não me rever nessas celebrações, pois não era também esse o regime que defendo. E o que o torna impossível este partilhar da data é a cartilha oficial que a esquerda e a extrema-esquerda colam à data, tornando-a propriedade exclusiva deles. A ideia é juntar a ideia do fim da ditadura e da liberdade às forças da esquerda, de modo que qualquer tentativa de se contestar as verdades absolutas, e problematizar o período que se seguiu, transformam automaticamente o seu autor em fascista e saudosista. E o que se ganhou com Abril? Ganhámos a liberdade e muitas outras coisas que deveremos preservar, mas também ganhámos ou estivemos na iminência de ganhar muitas outras (especialmente no domínio económico) que ainda hoje significam atraso para o país. Mas somos ainda um caso mais singular porque depois de Abril se formou uma estrutura que se ocupou da maioria dos lugares e que só a muito custo se deixam desalojar. Um pouco por todo lado, autarcas, políticos, intelectuais, ajudaram a formar o país que somos, com a extraordinária peculiaridade de alguns deles transitarem do estado novo, para serem agora os seus maiores críticos.
Cidadania. Sei que numa discussão hipotética, a seguir dir-me-iam que não dou lições de democracia a nenhum dos que viveram o 25 de Abril. Mas esse é um argumento, nem tanto, um slogan que se atira para o ar. Importa saber o que entendemos por democracia. Muitos dos que lutaram e festejaram o 25 de Abril, independentemente das críticas, vive bem com a democracia tal qual a conhecemos e experimentamos. Outros nem tanto. De quem saneou, de quem queria pela força impor um regime, de quem admira Cuba, não recebo eu lições de democracia. E mais, mesmo tendo vivido toda a minha vida em democracia, não sinto qualquer obrigação moral de me curvar perante os que se bateram contra a ditadura, se depois desejaram e lutaram por ter um país que vai contra aquilo em que eu acredito. Cada um, em cada momento, tem a obrigação de dar um pouco de si pela comunidade, mas esse compromisso pode passar por várias acções, sem que tenha que me sentir inferiorizado perante os que se opuseram à ditadura, como se isso, por si só, lhes valesse a vénia permanente.
Festa. Seja porque a memória do 25 de Abril tem sido conduzida assim, seja porque é o resultado da erosão natural do tempo, o que é certo é que a memória tende a reduzir-se a um simples feriado. À medida que o tempo passa e grande parte da população portuguesa não viveu ou não tem memórias efectivas desses tempos, a significação deste período tende a desgastar-se, o que pode não ser necessariamente mau. Pode ser que permita que a história nos explique melhor o que foi, sem se ver demasiado enredada pelo calor da luta política e da dominância ideológica. Já o li várias vezes, esta data caminha para se tornar num feriado como os outros, representando na mente das pessoas o mesmo que significam o 1º de Dezembro ou 5 de Outubro, se não ocupa já, em grande medida, esse lugar. Para lá das vésperas em que o pessoal aproveita para ir ver, à borla, os Anjos, os Xutos ou o Pedro Abrunhosa, conforme o gosto e a disponibilidade geográfica, no dia seguinte vale a satisfação de não ir trabalhar (este ano, nem isso é relevante). Será que vale a pena festejar? Valerá para quem tiver disposição. É, para todos os efeitos, a marca do arranque para a democracia, que provavelmente levaria muito mais tempo a surgir sem a revolução. Teria sido melhor uma transição pacífica, mas não aconteceu, e, assim sendo, ainda bem que aconteceu o golpe. Qualquer dia ganho à ditadura é um dia ganho. Prefiro ter de passar pelos tempos conturbado do PREC a viver na paz podre da ditadura. Mas quando reflicto sobre Abril, parto de um post do ano transacto. Será o 25 de Abril o passo definitivo para a democracia? Daquilo que me é dado conhecer, não é. Foi uma etapa para uma democracia conquistada posteriormente. A festa não me chateia nada. Não sei é se estamos todos a festejar o mesmo.
Vida. Então, e quando ouves alguém que recorda o que não podia fazer na altura, as sensações porque passou naquele período? Quando oiço, respeitinho. O mesmo respeito que tenho por aqueles que sem serem fascistas, nem brutos, facínoras capitalistas, foram atropelados no processo revolucionário. Porque os há também. Quando oiço uma voz autêntica, quando oiço falar das limitações que tínhamos, da censura, dos livros proibidos, quando sinto que é uma alegria podermos estar hoje a conversar relativamente livres de constrangimentos, quando oiço uma voz assim, remeto-me ao meu canto, remeto-me à minha felicidade por nunca ter experimentado o outro regime. Abril é Evolução? Foi com certeza evolução, mas com revolução e, para sermos mais precisos, foi, primeiro e fundamentalmente, um golpe de estado militar. A propaganda não é mais que isso, ou a tentativa de retirar Abril do espaço restrito da esquerda para a tornar consensual.
K. 22:55
Quinta-feira, Abril 22, 2004
E A BURRA A FUGIR-LHE: Provavelmente não voltarei a este assunto tão depressa (não que isso importe a muita gente). Quando há algo de novo a discutir, parece interessante intervir. Quando é para comentar declarações que apontam Durão Barroso como o culpado de algum atentado que venha a ocorrer em Portugal, nem vale a pena a electricidade que se gasta.
K. 23:44
A CONVERSA: O que o Dr. Mário Soares disse, muita esquerda queria dizer, mas não diz. Uma guerra por vezes pressupõe tréguas e a via militar nem sempre o melhor caminho. E com isto já digo que esta guerra ao terrorismo tem de ser combatida em muitas outras frentes que não a militar. Isto, no entanto, não significa qualquer forma de negociação com movimentos terroristas. E neste caso, nem percebo bem o que se poderia negociar com pessoas que acham que a vida dos não crentes não tem qualquer valor e para quem é indiferente as pessoas serem inocentes ou não.
K. 23:42
E ELE A DAR-LHE: Retomo ainda as últimas notas sobre terrorismo que tinha alinhavado. Lá para o 25 de Abril tentaremos uma pequena revolução. Bem, não será exactamente uma revolução...
K. 23:42
ANIVERSÁRIO: É verdade. Por incrível que pareça, já cá andamos há um ano. Vamos a ver o que nos reserva o segundo ano. Gostava de agradecer aos nossos leitores, mas na verdade, nesse campo, não existem grandes agradecimentos para fazer. Ainda assim recebemos 2267 Visitas a que corresponderam 2928 Page views o que deu uma média de 3 visitas e 4 PG por dia desde que o contador foi ligado. Portanto, descontando as nossas 2204 visitas, sobram 63 visitas de público em geral.
K. 23:39
Quarta-feira, Abril 21, 2004
A GUERRA: Eduardo Prado Coelho (EPC) sente-se muitas vezes com os argumentos básicos e ofensivos de quem apoia a acção norte-americana no Iraque. É porque estão sempre a sugerir que quem não está com os E.U.A. está com os terroristas. Já me referi em tempos a esta tendência para no calor da discussão irmos longe demais. Não subscrevo. Por muito que discorde, espero que seja possível proteger esta grande vantagem da democracia, a de nos digladiarmos nos argumentos, mesmo que isso signifique também fraqueza, mesmo que isso signifique nalguns momentos a divisão. Se não podemos virar a cara à luta, também não podemos deixar que esta guerra altere o nosso modo de vida, as nossas liberdades individuais. Prefiro que não se utilizem os expedientes que os americanos e Israelitas têm usado e que não são próprios de uma democracia. O que não significa que lamente a morte (em si) dos líderes o Hamas. O meu coração cristão não chega para tanto.
K. 21:48
ORFÃ DE BLOGGER: Chateia-me o facto de vir poucas vezes à Cartilha e chateia-me especialmente, apenas ter tempo e disponibilidade mental, para escrever meia duzia de merdas sem interesse... Por melhores que sejam as minhas intenções, é tudo o que posso dar neste momento.
Acabei agora de arrumar a mala e às sete da manhã tenho que estar no aeródromo de Tires, para apanhar o avião que me vai levar até Marrocos. Volto no Sábado. Por essa altura a Cartilha já fez um ano e eu, como em muitas outras ocasiões, estava longe e sem tempo. Sem tempo para isto e para muitas outras coisas. Passo a vida a correr na esperança de fazer o nosso PIB subir umas décimas, mas até à data não tenho tido sorte. O K diz na brincadeira que eu devia ser tributado na Alemanha. Deixa estar... A Manuela ainda vai ouvir falar de mim...
Em suma, espero poder acompanhar mais de perto o segundo ano de vida deste fantástico blog e não gorar as espectativas dos nossos 0,37 leitores mensais. Desistir nunca me passou pela cabeça e prometo que, em breve, surgirão novidades! A primeira é que já tenho net em casa, o que é meio caminho para ter uma presença mais assídua no burgo.
Acabei agora de arrumar a mala e às sete da manhã tenho que estar no aeródromo de Tires, para apanhar o avião que me vai levar até Marrocos. Volto no Sábado. Por essa altura a Cartilha já fez um ano e eu, como em muitas outras ocasiões, estava longe e sem tempo. Sem tempo para isto e para muitas outras coisas. Passo a vida a correr na esperança de fazer o nosso PIB subir umas décimas, mas até à data não tenho tido sorte. O K diz na brincadeira que eu devia ser tributado na Alemanha. Deixa estar... A Manuela ainda vai ouvir falar de mim...
Em suma, espero poder acompanhar mais de perto o segundo ano de vida deste fantástico blog e não gorar as espectativas dos nossos 0,37 leitores mensais. Desistir nunca me passou pela cabeça e prometo que, em breve, surgirão novidades! A primeira é que já tenho net em casa, o que é meio caminho para ter uma presença mais assídua no burgo.
GB 00:29
Terça-feira, Abril 20, 2004
A RETIRADA: Ultrapassada, por impossível de confirmar, a questão da motivação do voto espanhol, sobram dois factos incontornáveis. O primeiro é que o atentado provocou alterações no resultado eleitoral espanhol. O segundo é que, por mais que Zapatero tenha toda a legitimidade em mandar retirar as tropas espanholas do Iraque, a sua decisão imediata transmite a ideia para o outro lado (mesmo que incorrecta) que o golpe de Madrid fez Espanha ceder. Penso que Zapatero não comprometeria a sua honestidade política se aguardasse para ver o que passava nos próximos meses e fizesse um esforço para ser mais multilateral, como tantas vezes exigem que os E.U.A. sejam.
K. 21:05
QUE SAUDADES QUE EU JÁ TINHA: Que saudades que eu já tinha disto. Cabalas, solidariedades. Só falta aparecer alguém a dizer que põe as mãos no fogo pelo Valentim e que é tão corrupto quanto ele. E os adeptos do Gondomar estão firmemente convencidos de que foram os Dragões Sandinenses a orquestrar toda a operação do apito douradinho.
K. 20:23
DOURADINHO: Desde já sugiro que se promova o autor do título Apito Dourado.
K. 20:23
Segunda-feira, Abril 19, 2004
A VITÓRIA: Atribuir a vitória do PSOE ao medo ou encomendar-lhes medalhas pela sua coragem e lucidez em castigar as mentiras e dissimulações do PP é, de todo em todo, um acto de fé. Existem que podem servir as duas teses. Mas nenhuma delas exclui a outra, nem tão pouco existem quaisquer factos concretos que permitam saber exactamente o que ia na cabeça das pessoas. Provavelmente um pouco de tudo. Prefiro salientar o voto maciço e realçar a força da democracia. Como defendi noutras alturas, independentemente das escolhas que se façam em determinada altura, o importante continua a ser que o Ocidente encontre alguma forma de se unir e defender o seu modo de vida.
K. 19:57
PONTO DA SITUAÇÃO: Algumas notas que fui alinhavando nas últimas semanas sobre as questões de Madrid, Iraque e terrorismo, mas que ainda não tinha tido disposição para vir carregar no computador. Seguir-se-ão nos próximos dias e lá para o fim de semana, em plena festa, uns textos maiores sobre outras coisas.
K. 19:55
INFELICIDADES: Não se encontra na Cartilha qualquer post meu sobre futebol em que tenha vindo falar dos árbitros. E também não seria desta, não fosse o descaramento dos nossos dirigentes. Um responsável pela arbitragem vem dizer que o que influenciou o jogo foi a infelicidade de jogadores do Sporting em lances sucessivos. Ainda hoje dizia a um amigo leão que tenho pena que o Sporting não tenha reagido com mais personalidade e sangue frio às infelicidades do Paixão, mas isso sou eu que sou do Sporting. O responsável pela arbitragem devia era estar preocupado em perceber como é que um árbitro manifestamente incompetente (mas não é o único) pode cometer erros tão grosseiros e demonstrar uma atitude tão prepotente na relação com os jogadores e continuar a apitar jogos desta importância. O resto são cantigas. O Sporting perdeu, pagou caro pelos erros que cometeu e pelos que não cometeu, e agora tem é que se preocupar em ganhar o próximo e esquecer isto. Os erros dos árbitros fazem parte do jogo e há que aprender a viver com isso.
K. 19:38
Terça-feira, Abril 13, 2004
PRODUTIVIDADE: Serei eu que, orgulhoso do meu profissionalismo, me deparo com uma baixa de produtividade irresponsável. Escrevinho. Posts, outras bagatelas, coisas que me passam na ideia. Antes do pequeno almoço; depois de um café; um pouco antes do almoço. Entre um trabalho e o outro, um comentário de um colega e o chamamento do chefe. Entre um papel debaixo de outro e o envelope fora de uso, a caneta no bolso para aproveitar a viagem. Escrevinho. Gosto. E o dia rendeu um pouco menos. Lá se vai a produtividade.
K. 23:17
Segunda-feira, Abril 12, 2004
EU BLOGO, TU BLOGAS, ELE(A) BLOGA…: Chegou-me aos ouvidos que apareceu para aí um novo blog. G.B. voltará com mais informações, ou não. Pensando bem, publicidade aqui na Cartilha pode ser considerada publicidade negativa, e os autores podem, muito justamente, não estar interessados em ser prejudicados.
K. 20:45
Quinta-feira, Abril 08, 2004
MAS DEPOIS ACORDEI: Para quem ficou preocupado, cumpre-me informar que era tudo um pesadelo. Mas que parecia tão real!
K. 22:53
Quarta-feira, Abril 07, 2004
QUERES VER QUE OS TRIPEIROS AINDA VÃO GANHAR A LIGA DOS CAMPEÕES?!!!: O Porto está nas meias-finais da Liga dos Campeões. Parabéns são devidos. Palavras para quê. Os resultados falam por si. Resta-nos (lampiões e lagartos) que o Baía jogue mais vezes como em Barcelos e menos como em Lyon.
K. 23:20
Terça-feira, Abril 06, 2004
PESADELO SURREAL: Agora não se ouve uma conversa que não seja sobre como devo endireitar a minha vida. Eu sei que está decadente, é como a Cartilha, que só pia de três em três semanas. Não me pagam o suficiente, tratam-me mal, não ouvem o que eu digo e estou cada vez mais deprimido. Pode-se dizer que me ando a cagar para tudo, assim sem dinheiro para ir ao solário e viajar nas férias da Páscoa. E para cúmulo, agora, toda a gente fala disso. Abro o jornal e vem uma crónica, uma resposta, um elogio; ligo a televisão e estão a falar dos meus vícios; vou a uma livraria e estão a dar uma palestra. Até na fila do Mini-Preço os ouvi a comentar. E tudo porque o meu tio mais idoso se lembrou que o problema era que não tinha dinheiro suficiente (?!!!). E vai daí, disse-me para arranjar mais (!!!). E o que é que ele propõe? Não é bem propor, ele lembrou-se que se eu deixasse de comer poupava um monte de dinheiro. E até me disse que quem passa fome não tem problemas destes. Escreveu um livro e chamou-lhe: “Ensaio no Rugby – Três Pontos Para o País de Gales”. Porque que é que se chama assim, não sei, mas também ainda não o li. O que é facto é que agora não sei se hei-de deixar de comer ou simplesmente assaltar um banco para ter uma vida melhor.
K. 23:12
Segunda-feira, Abril 05, 2004
AND HAVE A HANG-OVER: Parece que faz hoje dez anos que morreu Kurt Cobain. Aqui e ali surgem os memoriais, as recordações, as biografias, e tudo o resto. Tudo aquilo de que, provavelmente, ele mais fugia. O meu irmão meteu o cd e eu também recordei os Nirvana. Mas esta data é muito mais uma memória de um período da minha vida que uma efeméride musical.
K. 22:30
COMO HÁ UM ANO: Há quase um ano escrevi sobre o primeiro dia de calor de 2003. Hoje, senti calor a sério pela primeira vez este ano, mas os corpos, feliz ou infelizmente, ainda andaram muito cobertos. Tal como há um ano o G.B. não está cá. Mas deve ter mais calor que eu.
K. 22:29
