Quinta-feira, Maio 27, 2004

DIA DE FEIRA: Isto hoje foi uma festa. Patrão fora, dia santo na loja. Mando três mails para fora da companhia, aumento violento de custos. Mas deixem lá, foi um dia sem exemplo. Vou desenvolver mais um bocadinho e daqui a pouco dou um salto à Feira. Do livro, claro!

K. 16:45

QUEM CANTA, SEUS MALES ESPANTA: Os sons de um local de trabalho modificaram-se imenso nos últimos anos. A todo o momento podemos ser interrompidos por uma panóplia muito vasta de sensações. Pode ser a música da Pantera Cor-de-Rosa; pode ser música clássica; pode ser o tema da Missão Impossível; ou até um cântico da Juve Leo. E sem nos apercebermos já estamos a cantarolar a melodia, para desespero dos colegas

K. 15:58

A PRIMEIRA VEZ: Depois de alguns testes ontem à noite, estou a experimentar pela primeira vez escrever para a Cartilha directamente do emprego. Finalmente descobre-se a careca. Passo o dia a mandar e-mails, produtividade: zero! O pior é se isto corre mal e gasto o meu tempo a escrever para o boneco.

K. 12:24
É UMA PENA: Estou muito triste por não permitirem que as urnas no dia 13 só fechem às 22 horas. Eu próprio estou a pensar meditar durante todo o dia, de maneira que não sei se posso ir votar até às sete. E como eu devem estar milhares. Já se fosse depois de jantar, lá para as nove, talvez eu arranjasse um bocadinho para lá dar um salto. Na verdade, eu acho que numa democracia que se preze estas coisas não deviam estar tão espartilhadas. As pessoas deviam ter liberdade para se deslocar à medida das suas necessidades e anseios. Já para não falar dos que só possam depois das dez. E os que não estiverem no país nesse dia? O ideal era deixar as urnas abertas meia dúzia de dias, para toda a gente ter tempo de votar conscientemente. Para distribuir cartões e sorrisos amarelos por toda a gente. O único contra eram os sucessivos especiais eleições nas televisões em que teríamos que diariamente ouvir todos os nossos lideres políticos dizer que estão confiantes e que os resultados representam uma vitória para cada um dos seus partidos.
K. 11:26

Quarta-feira, Maio 26, 2004

TELEGRAMA DE FELICITAÇÕES: Fez ou está para fazer um ano que felicitámos o Porto pela conquista da Taça UEFA. Agora segue a Liga dos Campeões! E eu para o meu irmão: Quando é que o Sporting nos dá uma alegria assim?!
K. 23:25

Terça-feira, Maio 04, 2004

AFINAL ERA ISSO: A Juventude Leonina explicou, em comunicado, que a invasão de campo foi um mal entendido provocado pelos suplentes do Benfica. Basta reparar que fugiram dali, por se sentirem de consciência pesada, não percebendo a intenção dos bravos que se soltaram das amarras e queriam vir festejar o golo com eles.
K. 07:32
ABAIXO O HOMO POLITICUS: É verdade, a Cartilha inaugurou um novo espaço, na esperança de encontrar a sua razão de ser neste nicho de mercado, já que é óbvio que não é no comentário político que vamos atrair multidões.
K. 07:30

Domingo, Maio 02, 2004

HOMO ENGATIENS: Quem acha que só escrevemos posts inspirados em profundas questões existênciais, pode mudar de ideias. A verdade é que um bom "fachizóide" gosta de gajas, por isso vamos deixar aqui, de vez em quando, algumas dicas uteis para qualquer facho latino...

Como engatar uma actriz porno…

“A descoberta”
O vizinho calmeirão do 6º D acaba de sair, depois de me ter chateado o juízo com a conversa do costume. “Os árbitros”, “o sistema”, “o treinador” são os fragmentos que restam, na minha cabeça, dum monólogo de vinte minutos, que pareceu um martírio de vinte anos. É sempre assim, depois dum jogo grande.
Mal a porta se fecha, percebo que ele se esqueceu dum saco de plástico preto, no meu sofá. Parece conter livros ou qualquer coisa que se leia. Será que o gajo adormece com Pessoa ou Camões na cabeceira? Às vezes sou mesmo utópico… E curioso. Vou bisbilhotar e descubro um jornal desportivo, uma revista de automóveis e outra, para adultos. A última chama-me particularmente a atenção. Não que eu precise dessas coisas, porque vejo muitas gajas boas ao vivo e a cores… Claro que vejo! É só estalar os dedos… Mas a modelo da capa é uma brasa! Uma loiraça incrivelmente parecida com a nova vizinha do 3ºC. Parecida, não! É igual! Só pode ser ela! Aquele mulherão que me faz suspirar. A miúda que está a dar-me a volta à cabeça!
Pensando bem, na última reunião de condomínio, à qual o calmeirão faltou, lembro-me de a ter ouvido dizer que era actriz e só fazia filmes alternativos. Filmes para um público, digamos, específico… Agora faz sentido…
“Estou à procura dum grande amor”, é a citação utilizada como título da grande entrevista publicada nas páginas centrais. “Não misturo trabalho com sentimentos”, diz ela mais à frente. “Tenho sofrido muito com namorados ciumentos”, é a frase que sustenta o estado de espírito actual da artista. Fiquei sinceramente comovido com aquela panóplia de emoções, expressa num tão profundo trabalho jornalístico. Fez-me pensar na vida. Na minha e na dela. Tinha de conquistar aquela mulher!

“A conquista”

Primeiro fiz trabalho de pesquisa. Passei a frequentar aquela secção do clube de vídeo, onde já não ia desde a minha puberdade. Vi de fio a pavio, toda a obra cinematográfica da vizinha dos olhos azuis. Ela é mesmo boa… Boa actriz, quero dizer… Tem alguma dificuldade nos diálogos, mas é coisa de somenos importância.
Depois foi só esperar pela próxima reunião de condomínio. Felizmente o chato do calmeirão faltou. Descobri que áquela hora da noite, ele costuma estar na escola de 2ª oportunidade. Abençoada alfabetização que afastou o único gajo capaz de lixar um plano traçado com tanta minúcia!
Lá está ela, à hora marcada. Responsável e pontual, como sempre a imaginei. Espero pelo momento certo e invento um personagem para mim. Digo que sou realizador. Ela mostra-se interessada. Comento que tenho um projecto para filmar no estrangeiro. Ela fica ainda mais interessada. Acrescento que procuro a mulher certa para o papel principal, mas não quero ninguém famoso. Ela abre um sorriso de orelha a orelha e diz – “Sou actriz”. “A sério?” – Perguntei. “A sério. Até lhe posso mostrar alguns trabalhos que fiz… Quer dizer… Podemos falar sobre isso, mais adiante…” – respondeu aquele raio de luz, sob a forma de mulher. “Interessante… Já fez cinema?” – Questionei. “Sim… Quer dizer, nada de especial… Mas posso ir a um casting, se você desejar” – rematou algo atrapalhada. “Tenho uma ideia melhor. Que tal irmos jantar amanhã?... Não. Amanhã tenho uma reunião com os produtores. Pode ser no dia a seguir?” – era a minha derradeira cartada. “Claro que sim!” – concluiu ela entusiasmada.
O jantar correu às mil maravilhas. Disse-lhe que era a única mulher capaz de dar vida à protagonista do meu filme. Ela quis saber mais pormenores sobre o projecto e deixou no ar que tinha alguma aversão a diálogos longos. Antes que eu perguntasse quantas palavras tinha, para ela, um “diálogo longo”, a minha vizinha justificou – “Não que tenha alguma dificuldade em decorá-los, mas… Mas… Mas acho que cortam o ritmo da acção! É isso! Cortam o ritmo da acção!”. “Também acho” – apressei-me em concordar – “Aliás, a tua personagem é uma rapariga surda-muda, com grande talento para as artes. Não tens que abrir a boca e ainda te arriscas a ser nomeada para um Óscar, um Globo d’Ouro, ou qualquer coisa desse tipo”. Acertei na “mouche”! Ela achou-me um homem sensível, com laivos de génio e ficou ansiosa por agarrar a oportunidade.
O resto da noite foi muito agradável e terminou à porta de casa da minha musa. Palavra puxa palavra e às tantas, beijámo-nos. Foi intenso. Muito intenso. Ela sabe o que faz… Tive que usar as mais profundas reservas de sangue frio, para recusar o convite que me aliciava a dar uma olhadela às tapeçarias persas da sala da moçoila. Semear hoje, para colher amanhã.
Fiquei dois dias sem dar notícias, até que finalmente recebi um sinal. Vi o nome dela escrito no visor do telemóvel. Aquela geringonça gritava desesperada, como se estivesse a pedir ajuda. Ignorei o apelo. Fui buscar uma cerveja ao frigorífico e engoli alguns amendoins, para ajudar a passar o tempo. Ao fim de dez minutos, achei que era suficiente. Liguei-lhe e pedi desculpa por não atender, mas era impossível interromper a reunião. Ela estava com saudades e receio de me ter dado a entender que era uma mulher fácil. Ainda não sei bem como, mas convenci-a de que sou rapaz com princípios. Mais um pouco e até eu acreditava!
Combinamos outro jantar. Depois do repasto, faço questão de levá-la a casa, mas desta vez entro. Ela está completamente louca e quer possuir-me. O sentimento é recíproco e não vou fazer-me de caro. Por entre os beijos ela diz que está a apaixonar-se por mim e quer contar-me algo importante. Pouso suavemente os meus dedos sobre os lábios dela e digo que, para já, não quero saber mais nada. Ela sorri e entrega-se, sem reservas.
Seguiram-se cenas de intimidade, semelhantes às que a vi fazer nos filmes “Branca de Neve e os Sete Matulões” e “O Senhor dos Anais”. Ainda bem que ela ainda não sabe que, de realizador, apenas tenho uma cadeira lá em casa…
GB 17:54