Quarta-feira, Junho 30, 2004
OS DIAS DO EURO # 18: “Portugal e os melhores” Eis se não quando Portugal está à beira de disputar uma meia-final de um campeonato da Europa. É certo que estávamos na mesma situação faz agora quatro anos, mas ainda assim não é, de todo, uma situação habitual. Toda a gente corre a apoiar, a desejar mundos e fundos e a esperança parece ilimitada.
Mas quem foram até ontem realmente os melhores neste Europeu?! O melhor futebol foi o da Rep. Checa, seguida por alguns bons jogos de Portugal e Dinamarca. Para o melhor jogador vacilo entre o Milan Baros e o Ricardo Carvalho (seguramente o melhor defesa-central do torneio). Porque marca golos escolhia o checo, porque é português escolhia o Ricardo. O nível das arbitragens tem sido muito bom, diria mesmo um dos melhores que se tem visto em torneios deste género e a festa e a animação têm sido uma constante à volta dos jogos.
Então e quem vai seguir para a final?! Que queria que fosse Portugal e Rep. Checa. Mas quem vai ser, pode ser uma questão inteiramente diversa. Dos jogos vistos até aqui Portugal parece estar mais forte que a Holanda, mas num jogo tudo pode acontecer, especialmente se o adversário tem jogadores da categoria de Van Nitelrooy ou Seedorf. Portugal tem de ser agressivo e muito humilde para poder seguir em frente. Quanto aos gregos, que Gabriel Alves julgava saciados com a qualificação para os quartos-final, quererão continuar, quase sem se dar por eles, a afastar adversários mais cotados, mas a Rep. Checa revelou frente à Dinamarca uma argúcia táctica que os caracteriza como a selecção que melhor parece aliar a beleza do futebol com a necessidade de por vezes se jogar feio. Resta saber se a caixa de surpresas dos gregos já se esgotou.
Falta esperar pelos jogos. Comer, dormir e sonhar futebol e sem cinismos aproveitarmos a alegria que este momento tem trazido a muitos para quem, realmente, pouca coisa mais poderia alegrar deste modo. Que ganhem os melhores, ou Portugal.
Mas quem foram até ontem realmente os melhores neste Europeu?! O melhor futebol foi o da Rep. Checa, seguida por alguns bons jogos de Portugal e Dinamarca. Para o melhor jogador vacilo entre o Milan Baros e o Ricardo Carvalho (seguramente o melhor defesa-central do torneio). Porque marca golos escolhia o checo, porque é português escolhia o Ricardo. O nível das arbitragens tem sido muito bom, diria mesmo um dos melhores que se tem visto em torneios deste género e a festa e a animação têm sido uma constante à volta dos jogos.
Então e quem vai seguir para a final?! Que queria que fosse Portugal e Rep. Checa. Mas quem vai ser, pode ser uma questão inteiramente diversa. Dos jogos vistos até aqui Portugal parece estar mais forte que a Holanda, mas num jogo tudo pode acontecer, especialmente se o adversário tem jogadores da categoria de Van Nitelrooy ou Seedorf. Portugal tem de ser agressivo e muito humilde para poder seguir em frente. Quanto aos gregos, que Gabriel Alves julgava saciados com a qualificação para os quartos-final, quererão continuar, quase sem se dar por eles, a afastar adversários mais cotados, mas a Rep. Checa revelou frente à Dinamarca uma argúcia táctica que os caracteriza como a selecção que melhor parece aliar a beleza do futebol com a necessidade de por vezes se jogar feio. Resta saber se a caixa de surpresas dos gregos já se esgotou.
Falta esperar pelos jogos. Comer, dormir e sonhar futebol e sem cinismos aproveitarmos a alegria que este momento tem trazido a muitos para quem, realmente, pouca coisa mais poderia alegrar deste modo. Que ganhem os melhores, ou Portugal.
K. 19:31
Segunda-feira, Junho 28, 2004
OS DIAS DO EURO # 17: “Um dia normal” E ao décimo sétimo dia, o primeiro dia de folga para o público. Um dia sem jogos. Para os portugueses já não é uma coisa normal. Para as conversas que não versam sobre outros assuntos, para os novos adeptos, como a minha mãe que até me pergunta pelos resultados dos jogos. Para as lojas que têm de se embandeirar ou correm o risco de serem apelidados de traidores, para os críticos do fenómeno da bola que nos últimos dias tinham que comer e gostar da selecção de todos nós. Para todos este é um dia como os que havia antes. Ou quase, porque o nervoso miudinho para o jogo de quarta-feira já aí está.
O Euro tem sido agradável, tem alguns heróis e tem tido bons jogos. O povão anda alegre e pelo que algumas reportagens de televisão querem fazer passar, nem estão aí para a mudança de primeiro-ministro. A preocupação é absoluta com o destino da selecção.
O Euro tem sido agradável, tem alguns heróis e tem tido bons jogos. O povão anda alegre e pelo que algumas reportagens de televisão querem fazer passar, nem estão aí para a mudança de primeiro-ministro. A preocupação é absoluta com o destino da selecção.
K. 23:17
Domingo, Junho 27, 2004
OS DIAS DO EURO # 16: “A estrela Baros” A República Checa continua imparável e despachou os dinamarqueses para casa. Pela manha, na Ribeira, os adeptos dinamarqueses ainda sonhavam com as meias-finais e mais, com a final contra Portugal, mas nem a sua superioridade numérica nas bancadas lhes valeu para travar o conjunto checo. E como é que os checos resolveram a questão? Entraram contidos, muito rigorosos, bloqueando quase sempre o acesso dos dinamarqueses aos extremos e mantendo Tommasson bem debaixo de olho. Foram levando o jogo tranquilamente, com um outro bom lance, apenas não conseguindo estender o seu jogo o suficiente para colocar em cheque a equipa dinamarquesa, que terminou o jogo com muito mais posse de bola. O golo de Koller logo a abrir a segunda parte foi a chave que faltava. A partir daí foi ver os checos ganharem confiança e o Baros a abrir o livro.
E por falar em Baros. Estamos perante a estrela maior do torneio, pelo menos até ver. É o único que marcou em todos os jogos e, quanto a mim, pelos menos quatro desses golos são fenomenais.
Os quartos-final já lá vão. Finalmente vamos entrar todos de folga. Agora a bola só volta a rolar na quarta-feira e durante dois dias vamos assistir a mil e trinta e duas previsões técnico-tácticas para o jogo com a Holanda e desejos para o vencedor do Grécia- Rep. Checa. Vamos acompanhar cada treino lusitano com toda a atenção e cada mazela com desusada preocupação. Até lá, talvez o povão até tenha tempo para ver o que se passa pelo resto do país.
E por falar em Baros. Estamos perante a estrela maior do torneio, pelo menos até ver. É o único que marcou em todos os jogos e, quanto a mim, pelos menos quatro desses golos são fenomenais.
Os quartos-final já lá vão. Finalmente vamos entrar todos de folga. Agora a bola só volta a rolar na quarta-feira e durante dois dias vamos assistir a mil e trinta e duas previsões técnico-tácticas para o jogo com a Holanda e desejos para o vencedor do Grécia- Rep. Checa. Vamos acompanhar cada treino lusitano com toda a atenção e cada mazela com desusada preocupação. Até lá, talvez o povão até tenha tempo para ver o que se passa pelo resto do país.
K. 22:42
OS DIAS DO EURO # 15: “A laranja em vez da loura” E agora a Holanda! Uma mancha laranja irá invadir o Alvalade XXI na quarta-feira. Esperemos que saia de lá completamente exprimida. Van Nistelrooy teve um dia não, falhou algumas ocasiões que normalmente não desperdiça, mas nos penaltys lá se safaram, para infelicidade dos suecos. Nestas ocasiões é sempre fácil e irrelevante fazer previsões sobre o que poderá ser melhor para a nossa equipa. Os holandeses têm grandes jogadores, mas são mais parecidos com a nossa maneira de jogar, e francamente continuam nos jogos que já disputaram a demonstrar algumas deficiências, como uma equipa que joga aos safanões, que liga e desliga, que passa apaticamente grande parte do tempo de jogo. Para os suecos acabou, mas ficou o entusiasmo que colocavam nos jogos e alguns dos melhores golos da competição.
Hoje, debaixo deste calor absolutamente insuportável, Dinamarca e Rep. Checa discutem o lugar que falta nas meias. Tenha muita curiosidade em ver o jogo. Ambas as selecções têm feito um campeonato muito interessante, provavelmente com o futebol mais bonito e interessante. È uma pena que uma tenha de ficar pelo caminho, mas é mesmo assim.
E por hoje é tudo, que outros afazeres chamam. Com a redacção reduzida, o sacana do GB está de vacanças, não há tempo para mais, mas para dizer verdade também não me ocorre muito mais que precise de ser dito. E, assim sendo, mais vale estar calado. Esperemos pelos jogos.
Hoje, debaixo deste calor absolutamente insuportável, Dinamarca e Rep. Checa discutem o lugar que falta nas meias. Tenha muita curiosidade em ver o jogo. Ambas as selecções têm feito um campeonato muito interessante, provavelmente com o futebol mais bonito e interessante. È uma pena que uma tenha de ficar pelo caminho, mas é mesmo assim.
E por hoje é tudo, que outros afazeres chamam. Com a redacção reduzida, o sacana do GB está de vacanças, não há tempo para mais, mas para dizer verdade também não me ocorre muito mais que precise de ser dito. E, assim sendo, mais vale estar calado. Esperemos pelos jogos.
K. 13:19
Sábado, Junho 26, 2004
OS DIAS DO EURO # 14: “O lado espiritual do Euro” No dia da ressaca, todas as conversas em todos os momentos, em todos os lugares eram sobre o Euro, eram sobre a vitória portuguesa. Até quando tentei marcar um trabalho, do outro lado me disseram que podia ser qualquer dia ao fim da tarde, menos na quarta-feira. As bandeiras multiplicam-se, as bandeiras e não só, panos, lenços, cachecóis, tudo serve, nas janelas, nas antenas dos carros, amarrados às malas das senhoras ou nas varandas, e pelo menos até quarta-feira não descolam.
Entretanto o pessoal ficou muito ofendido com a atitude de Figo. Pelos vistos queriam que ele ficasse feliz coma substituição. Mas parece que o problema afinal era espiritual. Junta à nossa senhora do Scolari, este vai ser o europeu da fé.
Do jogo do dia nada a dizer, basicamente porque não deu para ver. Os campeões europeus caíram, quase de forma tão inglória como no último Mundial. É caso para dizer que não fosse aquela reviravolta frente aos ingleses, perfeitamente inesperada, e os franceses poderiam ter ido para casa ainda mais cedo. Não deixam saudades, tal a pobreza do futebol apresentado. Quantos aos gregos, e mesmo contra a previsão do grande Gabi de que os Gregos já tinham feito o que vinha fazer, ele lá resolveram continuar por cá.
E dos grandes nomes habituais no velho continente, nada resta, e nomes semi-sonantes, apenas restam Portugal e Holanda. Numa das meias-finais, a Grécia vai encontrar Rep. Checa ou Dinamarca. Acredito que pouca gente vaticinava esta meia-final.
Entretanto o pessoal ficou muito ofendido com a atitude de Figo. Pelos vistos queriam que ele ficasse feliz coma substituição. Mas parece que o problema afinal era espiritual. Junta à nossa senhora do Scolari, este vai ser o europeu da fé.
Do jogo do dia nada a dizer, basicamente porque não deu para ver. Os campeões europeus caíram, quase de forma tão inglória como no último Mundial. É caso para dizer que não fosse aquela reviravolta frente aos ingleses, perfeitamente inesperada, e os franceses poderiam ter ido para casa ainda mais cedo. Não deixam saudades, tal a pobreza do futebol apresentado. Quantos aos gregos, e mesmo contra a previsão do grande Gabi de que os Gregos já tinham feito o que vinha fazer, ele lá resolveram continuar por cá.
E dos grandes nomes habituais no velho continente, nada resta, e nomes semi-sonantes, apenas restam Portugal e Holanda. Numa das meias-finais, a Grécia vai encontrar Rep. Checa ou Dinamarca. Acredito que pouca gente vaticinava esta meia-final.
K. 11:26
Sexta-feira, Junho 25, 2004
OS DIAS DO EURO # 13: “O verdadeiro épico” Hoje (ontem) é um dia com muito a dizer. O jogo foi como tudo o mais: cheio, emocionante, delirante, exagerado e cansativo. Nas ruas quando me aproximo de casa, pouco, pouquíssimo movimento, já as primeiras buzinas soluçam, os cafés fecham, parece que toda a gente emigrou. Depois, é o extravasamento, a euforia, é a acumulação de emoções que explode em plena avenida, em praças, estátuas. Em todos. Menos eu. Quando terminou estava quase tão cansado como os jogadores. E eu até me sinto como o menos português dos portugueses, eu que não quero ir para o meio da multidão, não quero saltar no meio da rua, nem carregar na buzina (até porque não tenho). Mas durante o jogo o enervamento é grande, a atenção prende-se no pequeno ecrã e não larga enquanto não está tudo decidido.
E como custou decidir! Se contra a Espanha fizemos um jogo mais bonito, especialmente na meia-hora inicial, hoje contra uma Inglaterra muito forte, colectivamente muito consistente e que contra opiniões que tenho ouvido na televisão poucas vezes se deixou realmente abalar, a nossa selecção foi a selecção da luta, do sacrifício e do nervo. Os ingleses justificaram as preocupações, viram-se em vantagem e geriram o jogo, até em períodos permitindo o domínio português mas criando problemas à nossa defesa (especialmente enquanto o Rooney esteve em campo). Só no prolongamento conseguimos verdadeiramente abanar a estrutura inglesa e o assalto à baliza de James chegou a ser feroz. A forma como os Ingleses depois de se deixarem ultrapassar conseguiram ainda reagir diz tudo sobre a força desta selecção britânica. Mas Portugal foi mais longe e merece totalmente a sorte com que foi protegido na ponta final.
O que é certo é que este é daqueles jogos épicos, daquele material que se estivéssemos na América dava para um filme sobre heróis do desporto. A alternância no marcador, o empate perto do fim, o grande golo de Rui Costa que parecia selar a nossa passagem, mas que ainda foi traído num pontapé de campo, e, finalmente, o momento do clímax com Ricardo a defender o penalty sem luvas e de seguida a marcar o pontapé que definitivamente nos coloca nas meias. Daqui por alguns anos quando se falar dos grandes jogos do Euro, este será com certeza um destes.
Depois do jogo as emoções acalmam, tudo parece acontecer, há tantas coisas que sucedem e que podíamos retratar, mas mais vale ficarmos pelo contentamento, e pelas novas conversas sobre o que aí vem. E já se sabe, agora os ingleses têm de mudar de música: “We are going home!”
E como custou decidir! Se contra a Espanha fizemos um jogo mais bonito, especialmente na meia-hora inicial, hoje contra uma Inglaterra muito forte, colectivamente muito consistente e que contra opiniões que tenho ouvido na televisão poucas vezes se deixou realmente abalar, a nossa selecção foi a selecção da luta, do sacrifício e do nervo. Os ingleses justificaram as preocupações, viram-se em vantagem e geriram o jogo, até em períodos permitindo o domínio português mas criando problemas à nossa defesa (especialmente enquanto o Rooney esteve em campo). Só no prolongamento conseguimos verdadeiramente abanar a estrutura inglesa e o assalto à baliza de James chegou a ser feroz. A forma como os Ingleses depois de se deixarem ultrapassar conseguiram ainda reagir diz tudo sobre a força desta selecção britânica. Mas Portugal foi mais longe e merece totalmente a sorte com que foi protegido na ponta final.
O que é certo é que este é daqueles jogos épicos, daquele material que se estivéssemos na América dava para um filme sobre heróis do desporto. A alternância no marcador, o empate perto do fim, o grande golo de Rui Costa que parecia selar a nossa passagem, mas que ainda foi traído num pontapé de campo, e, finalmente, o momento do clímax com Ricardo a defender o penalty sem luvas e de seguida a marcar o pontapé que definitivamente nos coloca nas meias. Daqui por alguns anos quando se falar dos grandes jogos do Euro, este será com certeza um destes.
Depois do jogo as emoções acalmam, tudo parece acontecer, há tantas coisas que sucedem e que podíamos retratar, mas mais vale ficarmos pelo contentamento, e pelas novas conversas sobre o que aí vem. E já se sabe, agora os ingleses têm de mudar de música: “We are going home!”
K. 00:49
Quinta-feira, Junho 24, 2004
OS DIAS DO EURO # 12: “Procurando uma televisão” E ao décimo segundo dia ficou completo o quadro de apurados para os quartos-final. Alguns favoritos já caíram, outros aguentam, e entre a qualificação grega, e o atractivo futebol nórdico, emerge a República Checa como o expoente máximo das surpresas ou revelações. Não que se ignorasse a capacidade da selecção checa, mas convenhamos que pouca gente (sem contar eventualmente com os checos) acreditaria que estes ganhariam o grupo com tamanha e convicção e seriam nesta fase a única equipa só com vitórias. Ontem sem alguns dos seus titulares, resistiu à pressão alemã e com o golpe final do excelente Baros (vai somando grandes golos), atirou com os alemães para fora do Euro.
Eu diria que o Europeu não tem decepcionado. Tem tido alguns grandes jogos, os das equipas nórdicas, o Holanda-Rep. Checa, o próprio Portugal-Espanha, e tem tido golos de se lhes tirar o chapéu. E se ontem Van Nistelrooy não marcou nenhum golo de levantar o estádio, já soma quatro. Se nós colaborarmos hoje e afastarmos o Rooney, o holandês perfila-se como grande candidato a melhor marcador do torneio.
Resta saber como será hoje na Luz. Com mais ou menos ingleses, com mais ou menos ais, arranca hoje a fase decisiva. Reconheço que estou mais confiante. Frente à Espanha apresentámo-nos muitos furos acima do que até então e se os Ingleses estão muito fortes, nós também estamos em crescendo. No entanto, é preciso por água na fervura. Nesta fase, tudo é muito subjectivo, não há segundas hipóteses, não há falsos arranques. É o tudo ou nada e tudo se decide em noventa (ou um pouco mais) minutos. Os jogadores serão os esperados, as pessoas estarão nas esplanadas, em casa, juntos dos ecrãs gigantes, e até na Tunísia os portugueses almejam uma televisão onde possam acompanhar a selecção. Tudo estará a postos, assim a nossa inspiração e talento queiram colaborar.
Eu diria que o Europeu não tem decepcionado. Tem tido alguns grandes jogos, os das equipas nórdicas, o Holanda-Rep. Checa, o próprio Portugal-Espanha, e tem tido golos de se lhes tirar o chapéu. E se ontem Van Nistelrooy não marcou nenhum golo de levantar o estádio, já soma quatro. Se nós colaborarmos hoje e afastarmos o Rooney, o holandês perfila-se como grande candidato a melhor marcador do torneio.
Resta saber como será hoje na Luz. Com mais ou menos ingleses, com mais ou menos ais, arranca hoje a fase decisiva. Reconheço que estou mais confiante. Frente à Espanha apresentámo-nos muitos furos acima do que até então e se os Ingleses estão muito fortes, nós também estamos em crescendo. No entanto, é preciso por água na fervura. Nesta fase, tudo é muito subjectivo, não há segundas hipóteses, não há falsos arranques. É o tudo ou nada e tudo se decide em noventa (ou um pouco mais) minutos. Os jogadores serão os esperados, as pessoas estarão nas esplanadas, em casa, juntos dos ecrãs gigantes, e até na Tunísia os portugueses almejam uma televisão onde possam acompanhar a selecção. Tudo estará a postos, assim a nossa inspiração e talento queiram colaborar.
K. 07:50
Quarta-feira, Junho 23, 2004
OS DIAS DO EURO #11: "Mau perder" - A Itália foi eliminada. Suécia e Dinamarca seguem para os quartos de final. A imprensa transalpina e alguns jogadores da "squadra azurra" apressaram-se a levantar suspeitas sobre os nórdicos. Dizem que o resultado do jogo talvez tenha sido combinado.
Tentei investigar, mas a malta do DIAP não me emprestou aqueles aparelhozitos de escuta, para eu ouvir eventuais conversas secretas entre suecos e dinamarqueses... A seguir telefonei à Maya e perguntei-lhe se sabia de alguma conspiração dos Vikings, mas ela cagou para mim. Bem... Sem recurso a tecnologias ou bolas de cristal, sou obrigado a acreditar naquilo que se passou em campo. O Suécia-Dinamarca foi um jogo bem disputado e com resultado incerto até ao fim. O 2-2 assenta bem naquela partida. Além do mais, seria muito arriscado para os dinamarqueses combinarem um empate. É que se a Itália tivesse ganho por três golos de diferença, ter-se-ia qualificado.
A equipa de Trapatonnni acusou o desgaste duma dura época no "calcio", mas evidenciou também um futebol pouco entusiasmante, ao qual já me tinha referido num post anterior. No último minuto marcou o 2-1 e os jogadores acreditarem que se tinham qualificado. O problema é que cerca de 30 segundos antes, os suecos tinham feito o golo do empate contra a Dinamarca. As três equipas acabaram com cinco pontos, mas as formações escandinavas têm melhor "goal average".
Da Bulgária, só me apetece dizer que é a única equipa a sair de Portugal apenas com derrotas. Um golo marcado e nove sofridos. Provavelmente a pior formação do Euro, rivalizando apenas com a Suiça. Note-se que coloco a Letónia num patamar superior.
Tentei investigar, mas a malta do DIAP não me emprestou aqueles aparelhozitos de escuta, para eu ouvir eventuais conversas secretas entre suecos e dinamarqueses... A seguir telefonei à Maya e perguntei-lhe se sabia de alguma conspiração dos Vikings, mas ela cagou para mim. Bem... Sem recurso a tecnologias ou bolas de cristal, sou obrigado a acreditar naquilo que se passou em campo. O Suécia-Dinamarca foi um jogo bem disputado e com resultado incerto até ao fim. O 2-2 assenta bem naquela partida. Além do mais, seria muito arriscado para os dinamarqueses combinarem um empate. É que se a Itália tivesse ganho por três golos de diferença, ter-se-ia qualificado.
A equipa de Trapatonnni acusou o desgaste duma dura época no "calcio", mas evidenciou também um futebol pouco entusiasmante, ao qual já me tinha referido num post anterior. No último minuto marcou o 2-1 e os jogadores acreditarem que se tinham qualificado. O problema é que cerca de 30 segundos antes, os suecos tinham feito o golo do empate contra a Dinamarca. As três equipas acabaram com cinco pontos, mas as formações escandinavas têm melhor "goal average".
Da Bulgária, só me apetece dizer que é a única equipa a sair de Portugal apenas com derrotas. Um golo marcado e nove sofridos. Provavelmente a pior formação do Euro, rivalizando apenas com a Suiça. Note-se que coloco a Letónia num patamar superior.
GB 13:48
Terça-feira, Junho 22, 2004
OS DIAS DO EURO #10: "Que venham os ingleses" - Alto aí, malta do holliganismo!... Não se trata dum desafio para uma batalha campal! É apenas alguma bazófia dum tuga que acha que podemos recambiar Beckham (só o David, porque a Victória se quiser pode ficar por cá) e companhia para terras de Sua Majestade.
A equipa de Eriksson arrumou a Croácia (4-2) e é o próximo adversário de Portugal. O onze britânico é muito forte, mas parece-me que está ao nosso alcance. Wayne Rooney pode ser a grande dor de cabeça. O miudo de 18 anos já marcou quatro golos na prova. É melhor mandá-lo para casa, senão o Nuno Gomes ou o Pauleta, ficam sem hipóteses de ganhar o troféu de melhor marcador...
A França continua, estranhamente, a jogar muito mal. Contra a Suiça valeu-lhes o génio do fabuloso Henry, para alcançarem uma vitória por 3-1. Palpita-me que se continuarem como até agora, não resistirão a um adversário mais forte. A ver vamos...
Para terminar, resta-me anunciar a grande novidade. Vitor Baía foi convocado à última hora, para jogar na equipa das quinas. É verdade! Fui ontem a um posto Galp, atestei o depósito com gasolina a 1,06 euros/litro (que dor!)e ganhei um monte de cromos da nossa selecção. O primeiro a saír da embalagem foi o do guarda redes do FC Porto. Rejubilei! Afinal Scolari perdoou o rapaz...
A equipa de Eriksson arrumou a Croácia (4-2) e é o próximo adversário de Portugal. O onze britânico é muito forte, mas parece-me que está ao nosso alcance. Wayne Rooney pode ser a grande dor de cabeça. O miudo de 18 anos já marcou quatro golos na prova. É melhor mandá-lo para casa, senão o Nuno Gomes ou o Pauleta, ficam sem hipóteses de ganhar o troféu de melhor marcador...
A França continua, estranhamente, a jogar muito mal. Contra a Suiça valeu-lhes o génio do fabuloso Henry, para alcançarem uma vitória por 3-1. Palpita-me que se continuarem como até agora, não resistirão a um adversário mais forte. A ver vamos...
Para terminar, resta-me anunciar a grande novidade. Vitor Baía foi convocado à última hora, para jogar na equipa das quinas. É verdade! Fui ontem a um posto Galp, atestei o depósito com gasolina a 1,06 euros/litro (que dor!)e ganhei um monte de cromos da nossa selecção. O primeiro a saír da embalagem foi o do guarda redes do FC Porto. Rejubilei! Afinal Scolari perdoou o rapaz...
GB 14:41
Segunda-feira, Junho 21, 2004
OS DIAS DO EURO # 9: “Um jogo de futebol, ou muito mais” Qualquer alma menos informada que saísse ontem à noite à rua pensaria que o Euro já terminara e com a vitória portuguesa. Mas ainda não. Os portugueses deram largas à sua satisfação e não vá o diabo tecê-las, festejaram já o suficiente por eliminatórias, meias-finais e final, todas juntas. Era vê-los na beira estrada a saudar quem passava, e quem passava a buzinar, incentivando o público dos passeios. Aí já havíamos esquecido o sofrimento e Scolari adquirido o estatuto de treinador inteligente.
Antes foi um jogo intensíssimo, dividido numa primeira parte muito boa de Portugal (de algum modo surpreendente, perante as insuficiências que a equipa vinha mostrando) e uma segunda parte menos brilhante, mas mais eficaz. Ronaldo fez quarenta e cinco minutos magníficos, mas toda a selecção sob a batuta de Deco e especialmente na primeira meia-hora, imprimiu um ritmo e uma capacidade de permanentemente pressionar e desequilibrar os espanhóis que provavelmente estes não estariam à espera. Depois foi o sofrimento típico, numa outra metade mais emocionante do que bem jogada.
Depois a explosão, a satisfação, a ilusão e outras coisas deste género. Depois foi sair à rua e não conseguir andar. Depois foi ver os espanhóis lamentarem e a imprensa de nuestros hermanos queixar-se do enésimo falhanço da selecção espanhola (onde é que nós já ouvimos isto). E foi quase esquecer que os gregos perderam com a Rússia, o que no entanto não chegou para levar os espanhóis connosco para a fase seguinte. Levamos a esperança para os quartos-de-final que vitória ibérica já ninguém nos tira.
Antes foi um jogo intensíssimo, dividido numa primeira parte muito boa de Portugal (de algum modo surpreendente, perante as insuficiências que a equipa vinha mostrando) e uma segunda parte menos brilhante, mas mais eficaz. Ronaldo fez quarenta e cinco minutos magníficos, mas toda a selecção sob a batuta de Deco e especialmente na primeira meia-hora, imprimiu um ritmo e uma capacidade de permanentemente pressionar e desequilibrar os espanhóis que provavelmente estes não estariam à espera. Depois foi o sofrimento típico, numa outra metade mais emocionante do que bem jogada.
Depois a explosão, a satisfação, a ilusão e outras coisas deste género. Depois foi sair à rua e não conseguir andar. Depois foi ver os espanhóis lamentarem e a imprensa de nuestros hermanos queixar-se do enésimo falhanço da selecção espanhola (onde é que nós já ouvimos isto). E foi quase esquecer que os gregos perderam com a Rússia, o que no entanto não chegou para levar os espanhóis connosco para a fase seguinte. Levamos a esperança para os quartos-de-final que vitória ibérica já ninguém nos tira.
K. 07:45
Domingo, Junho 20, 2004
OS DIAS DO EURO #8: "Já nos safámos" - Infelizmente este título ainda não é dedicado à selecção portuguesa, mas sim à checa. Aqueles rapazes com nomes estranhos fizeram uma grande jogatana contra a Holanda e são os primeiros com lugar marcado nos quartos de final. Estiveram a perder 0-2, mas acabaram por ganhar 3-2. Foi provavelmente o melhor desafio do Euro 2004. Como diria o Gabriel Alves, com incerteza no resultado. As estrelas holandesas têm agora que ganhar à Letónia e esperar que a Alemanha não vença a Republica Checa. A primeira premissa parece-me mais ou menos garantida, a segunda, nem tanto. Não é que eu ache a formação de Ballack e Kahn superior à de Poborsky e Nedved, pelo contrário. Mas se os checos já asseguraram o primeiro lugar do grupo, terão necessidade de entrar em campo com a equipa titular? Parece-me que não.
A qualificação prematura dos checos pode ser a sorte da Alemanha, que não mostrou argumentos, perante uma Letónia sempre incómoda, mas algo limitada. Face ao nulo final, apetece-me dizer que cada um tem o que merece e estas duas selecções não merecem mais.
De tricas e intrigas entre portugueses e espanhóis, nem quero saber. Em campo é que se conseguem as vitórias e estou confiante para o jogo de amanhã. Se os espanhóis ganharem, cá estarei, pronto a engolir estas palavras. Posso estar com uma azia do tamanho do mundo, mas darei-lhes os parabéns... Ainda assim, espero que isso não seja mesmo preciso, se é que me entendem...
A qualificação prematura dos checos pode ser a sorte da Alemanha, que não mostrou argumentos, perante uma Letónia sempre incómoda, mas algo limitada. Face ao nulo final, apetece-me dizer que cada um tem o que merece e estas duas selecções não merecem mais.
De tricas e intrigas entre portugueses e espanhóis, nem quero saber. Em campo é que se conseguem as vitórias e estou confiante para o jogo de amanhã. Se os espanhóis ganharem, cá estarei, pronto a engolir estas palavras. Posso estar com uma azia do tamanho do mundo, mas darei-lhes os parabéns... Ainda assim, espero que isso não seja mesmo preciso, se é que me entendem...
GB 01:13
Sábado, Junho 19, 2004
OS DIAS DO EURO # 7: “Quem joga e quem não joga” Mantenho algumas dores musculares. Não sei como, mas tenho de recuperar e estar apto para amanhã. Não é decisivo, mas tenho de continuar a empreitada. Até para ter um bom arranque, não posso começar já a atrasar-me. Mas ao contrário do que possa imaginar-se não vou participar em nenhum jogo do Euro, nem amanhã, nem noutro dia qualquer. O meu campeonato é outro, as minhas lutas são outras, e remetem para outro plano estes dias do Europeu.
E o que é certo é que nem eu os vi jogar, nem o GB sabia quem andava a jogar. Mas já sabemos que a Dinamarca arrumou os búlgaros e a Itália ficou, já perto do fim, em maus lençóis ao permitir o empate dos suecos. O Itália-Suécia ao que consta (e pelo que se percebeu pelo resumo) foi um bom jogo e os italianos estiveram muito acima do primeiro jogo. Mas ainda não vi a Itália jogar e é melhor ver o último jogo, porque se não ganharem por três golos, arriscam-se seriamente a ir para casa. Mas curioso realmente será observar o duelo final entre os nórdicos que têm surpreendido pelo seu futebol entusiasmante. E no top 3 dos grandes golos do certame, levam dois, um de Larsson, e outro, o de hoje do Ibrahimovic. Ainda assim atrás do fantástico golo de Van Nistelroy.
Enquanto isso continuamos a aguardar pelo o outro duelo, o Ibérico. E nisto aprendem-se coisas todos os dias. Afinal são alguns jornalistas espanhóis e não os jogadores ou o técnico que estão nervosos com o jogo que se aproxima. Que lá como cá, e provavelmente um pouco por todo o lado, a comunicação social continua a achar que mais que relatar, tem que combater activamente as decisões de quem tem a responsabilidade de dirigir. Um antigo jogador, agora comentador na RTP, elucidou-me que no Sábado jogou apenas a selecção do Scolari e que este mudou quarta-feira para nos agradar a todos e não porque entendeu que tinha que mudar alguma coisa. E com o Secretário, desvaneceu-se a minha ilusão, porque afinal não agrada ainda a todos. Para boa parte dos adeptos do Porto, justamente inchados com o sucesso do seu clube, a selecção só será a deles quando todas as posições forem preenchidas por jogadores do FCP.
E o que é certo é que nem eu os vi jogar, nem o GB sabia quem andava a jogar. Mas já sabemos que a Dinamarca arrumou os búlgaros e a Itália ficou, já perto do fim, em maus lençóis ao permitir o empate dos suecos. O Itália-Suécia ao que consta (e pelo que se percebeu pelo resumo) foi um bom jogo e os italianos estiveram muito acima do primeiro jogo. Mas ainda não vi a Itália jogar e é melhor ver o último jogo, porque se não ganharem por três golos, arriscam-se seriamente a ir para casa. Mas curioso realmente será observar o duelo final entre os nórdicos que têm surpreendido pelo seu futebol entusiasmante. E no top 3 dos grandes golos do certame, levam dois, um de Larsson, e outro, o de hoje do Ibrahimovic. Ainda assim atrás do fantástico golo de Van Nistelroy.
Enquanto isso continuamos a aguardar pelo o outro duelo, o Ibérico. E nisto aprendem-se coisas todos os dias. Afinal são alguns jornalistas espanhóis e não os jogadores ou o técnico que estão nervosos com o jogo que se aproxima. Que lá como cá, e provavelmente um pouco por todo o lado, a comunicação social continua a achar que mais que relatar, tem que combater activamente as decisões de quem tem a responsabilidade de dirigir. Um antigo jogador, agora comentador na RTP, elucidou-me que no Sábado jogou apenas a selecção do Scolari e que este mudou quarta-feira para nos agradar a todos e não porque entendeu que tinha que mudar alguma coisa. E com o Secretário, desvaneceu-se a minha ilusão, porque afinal não agrada ainda a todos. Para boa parte dos adeptos do Porto, justamente inchados com o sucesso do seu clube, a selecção só será a deles quando todas as posições forem preenchidas por jogadores do FCP.
K. 00:06
Sexta-feira, Junho 18, 2004
OS DIAS DO EURO # 6: “O Euro Ibéria” E ao sexto dia a Cartilha não pode comentar os jogos. Resta-nos o resto. E o resto são alguns adeptos ingleses que são sempre notícia. Quer ganhem, quer percam, quer joguem, quer não joguem, aparecem sempre nas notícias. É ainda o comportamento de Totti que espera pela sua selecção nas meias-finais. O resto são também as contradições dos sentimentos nacionais. Bem vi na televisão carros a circular em festejos, bem ouvi as buzinadelas, mas ainda não falei com ninguém a quem a exibição portuguesa tenha enchido as medidas. A imprensa espanhola já arranjou um culpado para a derrota espanhola, que ainda é o que me deixa mais optimista, mas no Domingo é que vamos ver o destino que as bandeiras vão ter.
O mais engraçado é o jogo decisivo ser com os espanhóis. Para este mar de gente, ou para uma parte, no Domingo, vai estar em jogo muito mais que a continuação no Euro. Nós e os nossos complexos em relação aos espanhóis vamos jogar aqui também um certo orgulho, um escape para outras impotências. De alguma forma, ganhar aos espanhóis vai valer por uma vitória na competição. E mandá-los para casa, então seria ouro sobre azul.
Já me esquecia. Não vimos os jogos, mas sabemos os resultados. Os franceses, rezam as crónicas, não deslumbraram, mas o certo é que estão a um pequeno passo da qualificação. Os ingleses, sem convencerem, impuseram uma pesada derrota aos suíços, mas tem que se resolver no último jogo. O bom senso diz-nos que franceses e ingleses deverão estar a caminho dos quartos-final, mas teria a sua graça um golpe de teatro na última jornada. E mais não digo.
O mais engraçado é o jogo decisivo ser com os espanhóis. Para este mar de gente, ou para uma parte, no Domingo, vai estar em jogo muito mais que a continuação no Euro. Nós e os nossos complexos em relação aos espanhóis vamos jogar aqui também um certo orgulho, um escape para outras impotências. De alguma forma, ganhar aos espanhóis vai valer por uma vitória na competição. E mandá-los para casa, então seria ouro sobre azul.
Já me esquecia. Não vimos os jogos, mas sabemos os resultados. Os franceses, rezam as crónicas, não deslumbraram, mas o certo é que estão a um pequeno passo da qualificação. Os ingleses, sem convencerem, impuseram uma pesada derrota aos suíços, mas tem que se resolver no último jogo. O bom senso diz-nos que franceses e ingleses deverão estar a caminho dos quartos-final, mas teria a sua graça um golpe de teatro na última jornada. E mais não digo.
K. 07:58
Quinta-feira, Junho 17, 2004
OS DIAS DO EURO #5: "Perestroika" - Scolari promoveu uma "Perestroika" na selecção nacional. Fez quatro alterações na equipa que entrou em campo contra a Grécia e ganhou o jogo. Na defesa, apenas Jorge Andrade resistiu. De resto, Miguel, Nuno Valente e Ricardo Carvalho entraram para os lugares de Paulo Ferreira, Rui Jorge e Fernando Couto. No meio campo, Deco substituiu Rui Costa. O luso-brasileiro foi determinante no arranque poderoso de Portugal e consequente obtenção do primeiro golo. Como é diferente a equipa das quinas, com o nº 20 em campo!
A vencer por 1-0 e a jogar contra dez (após expulsão quanto a mim, injusta do guarda redes Ovchinokov), Portugal entregou-se a uma inexplicavel letargia. Preencheu mal os espaços em campo, enquanto defendia e "esqueceu-se" que podia e devia "matar o jogo". A Russia nunca criou verdadeiro perigo, mas a nossa selecção também nunca esteve realmente descansada. Só após a entrada de Cristiano Ronaldo, a 15 minutos do fim, conseguimos encostar o adversário às cordas. O "brinca na areia" sabe mesmo jogar à bola. Apesar de precisar de melhorar a objectividade, arrancou algumas jogadas espectaculares, que abriram verdadeiros buracos numa defesa, até aí razoavelmente organizada. Contra os gregos ele já tinha feito algo parecido... Nessa partida marcou um golo (e provocou um penalty contra Portugal)... Desta vez assistiu Rui Costa para o segundo tento.
Em conclusão; Portugal não fez um grande jogo, mas também não esteve assim tão mal. Melhorou em relação à estreia e, sobretudo, conseguiu a vitória que a mantém na corrida para os quartos de final. Espero sinceramente que haja mais melhorias... se é que estamos interessados em ganhar à Espanha...
"Nuestros hermanos" empataram com os helénicos. Menos mal. Antes isso do que uma vitória de Raúl e companhia. Basta-lhes agora um empate contra Portugal, na derradeira partida. Nós somos obrigados a ganhar... De qualquer modo, eu e a nação novamente eufórica, não conseguimos vislumbrar outro resultado que não a vitória.
A vencer por 1-0 e a jogar contra dez (após expulsão quanto a mim, injusta do guarda redes Ovchinokov), Portugal entregou-se a uma inexplicavel letargia. Preencheu mal os espaços em campo, enquanto defendia e "esqueceu-se" que podia e devia "matar o jogo". A Russia nunca criou verdadeiro perigo, mas a nossa selecção também nunca esteve realmente descansada. Só após a entrada de Cristiano Ronaldo, a 15 minutos do fim, conseguimos encostar o adversário às cordas. O "brinca na areia" sabe mesmo jogar à bola. Apesar de precisar de melhorar a objectividade, arrancou algumas jogadas espectaculares, que abriram verdadeiros buracos numa defesa, até aí razoavelmente organizada. Contra os gregos ele já tinha feito algo parecido... Nessa partida marcou um golo (e provocou um penalty contra Portugal)... Desta vez assistiu Rui Costa para o segundo tento.
Em conclusão; Portugal não fez um grande jogo, mas também não esteve assim tão mal. Melhorou em relação à estreia e, sobretudo, conseguiu a vitória que a mantém na corrida para os quartos de final. Espero sinceramente que haja mais melhorias... se é que estamos interessados em ganhar à Espanha...
"Nuestros hermanos" empataram com os helénicos. Menos mal. Antes isso do que uma vitória de Raúl e companhia. Basta-lhes agora um empate contra Portugal, na derradeira partida. Nós somos obrigados a ganhar... De qualquer modo, eu e a nação novamente eufórica, não conseguimos vislumbrar outro resultado que não a vitória.
GB 00:50
Terça-feira, Junho 15, 2004
OS DIAS DO EURO # 4: “O Fado do Zé Manel” Num barbeiro o Euro acompanha-se de uma forma muito particular. Rodada a cadeira para a televisão, o importante deixa de ser observar como vai o cabelo ganhando a forma desejada, mas descobrir o resultado do jogo do momento. Não sei ainda se o barbeiro de serviço (também mestre na arte da viola a acompanhar o fado e ex-jogador amador de futebol) deslocou o centro de gravidade para a televisão (habitualmente a transmitir no Canal História) porque queria ir dando um olho ao jogo, ou se percebeu no meu olhar uma qualquer desesperada necessidade de descobrir o resultado da partida. Entre as tesouradas e os acordes dos fadistas da casa a ensaiar o fado lá percebi que a Letónia estava a ganhar à República Checa. Foi só o tempo de pagar e chegar a casa. Quando dei por isso já os checos tinham vergado a resistência adversária.
Mas nem só de golos se faz a festa. Durão Barroso diz que Blair lhe telefonou a dar os parabéns pela organização, mas queixou-se de não termos “organizado” o resultado britânico. Barroso disse-lhe que não tinha controle sobre os resultados, mas quem sabe trocando por um apoio dos ingleses à candidatura do Tó Vitorino noutro Euro. Antes porém, o primeiro vai amanhã torcer pela selecção, não querendo acreditar que tudo lhe continue a correr tão mal que Portugal amanhã não limpe os Russos. Ao longo destes dias já foram avançadas várias hipóteses, até que demos a volta completa e hoje se admite que Portugal mantenha exactamente a mesma equipa que começou com a Grécia.
Os holandeses, num registo táctico semelhante ao nacional sentiu hoje grandes dificuldades frente aos alemães e apenas quando arriscou conseguiu desequilibrar a máquina alemã, que mesmo sem verdadeiros artistas (têm, no entanto, alguns jovens com um futuro promissor) mantém uma coesão, uma competitividade, uma eficácia, que tornam a formação germânica sempre um candidato natural. Os holandeses não conseguiram fazer funcionar os extremos até perto do fim, mas em boa hora fizeram a bola chegar a Van Nistelroy, para o golo mais belo da competição até ao momento.
E agora, como os patrocinadores oficiais do Euro não oferecem este post, são horas de recolher, que há muito mais para ver e viver que o jogo da bola.
Mas nem só de golos se faz a festa. Durão Barroso diz que Blair lhe telefonou a dar os parabéns pela organização, mas queixou-se de não termos “organizado” o resultado britânico. Barroso disse-lhe que não tinha controle sobre os resultados, mas quem sabe trocando por um apoio dos ingleses à candidatura do Tó Vitorino noutro Euro. Antes porém, o primeiro vai amanhã torcer pela selecção, não querendo acreditar que tudo lhe continue a correr tão mal que Portugal amanhã não limpe os Russos. Ao longo destes dias já foram avançadas várias hipóteses, até que demos a volta completa e hoje se admite que Portugal mantenha exactamente a mesma equipa que começou com a Grécia.
Os holandeses, num registo táctico semelhante ao nacional sentiu hoje grandes dificuldades frente aos alemães e apenas quando arriscou conseguiu desequilibrar a máquina alemã, que mesmo sem verdadeiros artistas (têm, no entanto, alguns jovens com um futuro promissor) mantém uma coesão, uma competitividade, uma eficácia, que tornam a formação germânica sempre um candidato natural. Os holandeses não conseguiram fazer funcionar os extremos até perto do fim, mas em boa hora fizeram a bola chegar a Van Nistelroy, para o golo mais belo da competição até ao momento.
E agora, como os patrocinadores oficiais do Euro não oferecem este post, são horas de recolher, que há muito mais para ver e viver que o jogo da bola.
K. 23:27
Segunda-feira, Junho 14, 2004
OS DIAS DO EURO #3: "Os gajos com cornos na cabeça" - O dia no trabalho foi monótono. Passei horas à frente do computador, mas produzi menos do que é habitual e muito menos do que a minha agenda exige neste momento. É do cansaço. Felizmente falta uma semana para ir de férias. Mas enquanto o gongo não soa para me salvar, o "Euro 2004" continua.
Continua e parece ser o único acontecimento que tira os portugueses da letargia. Senão vejamos: As pessoas presentes no meu humilde local de labuta, obedeciam a um registo cinzento e monocórdico, até que alguém foi à janela e exclamou "Olha aqueles gajos com uns cornos na cabeça". A malta acordou do transe, assomou-se à janela e perdeu alguns minutos a olhar para os adeptos suecos. Comentaram-se os cornos, as camisolas amarelas e as "camones". Já que a selecção não nos dá alegrias, que ao menos venham daí umas loiraças de 1,80m. Não sei porquê, mas ninguém falou das eleições?... Que estupidez! Às vezes sou tão utópico, nem pareço um facho!... Eleições de quê?... Ah! Europeias!... Mas o pessoal também tinha que votar?...
Quanto aos jogos, não vi nenhum, por isso deêm-me o desconto... Embora o empate no Itália-Dinamarca, seja de certa forma uma surpresa, devo dizer que a selecção transalpina não é das que mais me entusiasma. O futebol que tradicionalmente apresenta está longe de deslumbrar, para além de apresentar uma equipa recheada de jogadores sériamente desgastados por uma temporada demolidora.
Ouvi dizer que a Suécia deu um festival de futebol. Afinal eles é que tinham os cornos, mas os bulgaros é que levaram. Paciência... Ah... E o Henrik Larsson, aquele que muitos diziam ser velho para vir para o Benfica, só marcou dois golos. Resultado final: Suécia-5, Bulgária-0
Continua e parece ser o único acontecimento que tira os portugueses da letargia. Senão vejamos: As pessoas presentes no meu humilde local de labuta, obedeciam a um registo cinzento e monocórdico, até que alguém foi à janela e exclamou "Olha aqueles gajos com uns cornos na cabeça". A malta acordou do transe, assomou-se à janela e perdeu alguns minutos a olhar para os adeptos suecos. Comentaram-se os cornos, as camisolas amarelas e as "camones". Já que a selecção não nos dá alegrias, que ao menos venham daí umas loiraças de 1,80m. Não sei porquê, mas ninguém falou das eleições?... Que estupidez! Às vezes sou tão utópico, nem pareço um facho!... Eleições de quê?... Ah! Europeias!... Mas o pessoal também tinha que votar?...
Quanto aos jogos, não vi nenhum, por isso deêm-me o desconto... Embora o empate no Itália-Dinamarca, seja de certa forma uma surpresa, devo dizer que a selecção transalpina não é das que mais me entusiasma. O futebol que tradicionalmente apresenta está longe de deslumbrar, para além de apresentar uma equipa recheada de jogadores sériamente desgastados por uma temporada demolidora.
Ouvi dizer que a Suécia deu um festival de futebol. Afinal eles é que tinham os cornos, mas os bulgaros é que levaram. Paciência... Ah... E o Henrik Larsson, aquele que muitos diziam ser velho para vir para o Benfica, só marcou dois golos. Resultado final: Suécia-5, Bulgária-0
GB 23:55
Domingo, Junho 13, 2004
OS DIAS DO EURO # 2: "No fio da navalha" Ao segundo dia, um jogo fantástico. Não porque tenha sido sempre bem jogado, ou mantido um ritmo elevado do princípio ao fim. Foi, no entanto, sempre disputado com grande intensidade, com um público apaixonante e teve aqueles condimentos, até com um twist final, próprio das grandes produções de Hollywood. Quem não deve ter achado muita graça foram os ingleses. Depois de terem enchido a capital e assistido às marchas, não mereciam tão desgostoso desfecho. Não mereciam a traição do Gerard.
E que dizer de Zidane? Preparava-me para dizer que tinha jogado quase tão bem como o Rui Costa ontem, mas fez a diferença quando foi necessário. Que dizer daquele livre e do penalty que cobrou com a tranquilidade e classe que faltou a Beckam? Convém não embandeirar em arco, Zidade fez durante noventa minutos uma exibição pálida e desinteressante, mas num pormenor, no instante decisivo, esteve lá. Muitas vezes, é uma distância curta, demasiado curta, a que separa o sucesso do insucesso.
O resto do dia foi pouco importante, apenas as eleições, que a grande maioria optou por positivamente desertar, um outro jogo, tão desinteressante para o público do Euro, quanto os discursos dos políticos para o povo. Pouco mais. É verdade que as bandeiras ainda se aguentam firmes nas varandas, mas o país já não está tão suspenso. Diria que depois do balde de água fria, que soube tão bem com este calor, a claque caiu um pouco em si. Ninguém quer desistir, mas até passar o jogo da Espanha, esta selecção já não se livra da desconfiança. Amanhã é o primeiro dia de Euro no trabalho. Amanhã é dia de repetir as conversas, analisar de novo o fracasso inicial. Amanhã é dia de outros aparecerem e de começar a imaginar o jogo com a Rússia. Depois, logo se verá.
E que dizer de Zidane? Preparava-me para dizer que tinha jogado quase tão bem como o Rui Costa ontem, mas fez a diferença quando foi necessário. Que dizer daquele livre e do penalty que cobrou com a tranquilidade e classe que faltou a Beckam? Convém não embandeirar em arco, Zidade fez durante noventa minutos uma exibição pálida e desinteressante, mas num pormenor, no instante decisivo, esteve lá. Muitas vezes, é uma distância curta, demasiado curta, a que separa o sucesso do insucesso.
O resto do dia foi pouco importante, apenas as eleições, que a grande maioria optou por positivamente desertar, um outro jogo, tão desinteressante para o público do Euro, quanto os discursos dos políticos para o povo. Pouco mais. É verdade que as bandeiras ainda se aguentam firmes nas varandas, mas o país já não está tão suspenso. Diria que depois do balde de água fria, que soube tão bem com este calor, a claque caiu um pouco em si. Ninguém quer desistir, mas até passar o jogo da Espanha, esta selecção já não se livra da desconfiança. Amanhã é o primeiro dia de Euro no trabalho. Amanhã é dia de repetir as conversas, analisar de novo o fracasso inicial. Amanhã é dia de outros aparecerem e de começar a imaginar o jogo com a Rússia. Depois, logo se verá.
K. 23:05
CABAZADA: Os resultados estão aí. E, como por vezes se diz, cada um tem o que merece. Uns apressam-se, sem pudor, a relevar qualquer objectivo ao nível de políticas europeias que as eleições tenham, para afinal descobrirem que todos os que votaram hoje, o fizeram exclusivamente como se estivessem a votar legislativas. Do outro, pretende-se que este resultado não tenha qualquer leitura nacional, numa afirmação que só pode ser atribuída, de tão mentecapta (peço desde já desculpa se alguém se sentiu ofendido), ao nervosismo e emoção de dia de eleições. As motivações ficam um pouco com cada um, mas a realidade é só esta: toda a gente percebe que a incompetência graça no governo, que a disponibilidade inicial deu a lugar a profundos equívocos, o que aliado a algumas políticas que apesar de necessárias, são impopulares, só podia dar nisto. Contudo, isto dito, o que o governo tem de fazer é governar melhor, não é propriamente mudar de políticas (como pede o PS). Para isso haverá eleições daqui por dois anos. Agora o PS ganhou mais mandatos no Parlamento Europeu e em vez de estar a lançar insinuações para o ar, devia festejar a confiança que estão a receber e começar a pensar como vão em Bruxelas representar Portugal e trabalhar para uma tal de Europa Social que ouvi alguém dizer que era o que os separava do PSD. Deve ter sido por isso que ganharam.
K. 20:50
OS DIAS DO EURO # 1: "Whisfull Thinking" E assim começou o Europeu. Portugal perdeu e a Espanha ganhou. Foi o primeiro embate entre o que pensámos, desejámos, e a dura relaidade.
Quando se percorriam as ruas nos minutos que precediam o início do jogo a euforia continua à solta. Ouvi foguetes, bandeiras de última hora a conquistarem o seu lugar na varanda; até um rapaz que enquanto conduzia o carro com a mão esquerda, acenava o cachecol com a direita. Isso era antes. Depois os gregos trocaram as voltas ao Scolari e aos jogadores, a equipa entrou a dormir e sofreu um golo. Demorou uma eternidade a reagir e quando o fez, em contra pé, sofreu outro. O resto foi muita parra e pouca uva. A equipa atacou, com o Deco começou finalmente a jogar, mas desperdiçou as poucas situações que criou contra uma equipa extremamente organizada.
Presumo que depois se tenha sentido, um pouco por todo o lado, a ambiguidade de das emoções. Ora resvalavam para a imperícia nacional, ora para a insistência no apoio. Na verdade não sei quantas bandeiras caíram das varandas, mas a julgar pelos poucos comentários que ouvi aos especialistas, a tendência foi quase sempre a de desancar. Tanto que até fiquei desaustinado. Contra a minha convicção, e sentado tranquilamente a ler uma revista, oiço ao meu lado confirmarem ao telefone que sim, que a nós (homens) custa sempre muito mais. Eu que até tinha aceitado o resultado com bastante tranquilidade, fui rapidamente promovido a doente sofredor e de repente vi como Rui Santos e companhia tinham razão e foi tudo uma hecatombe. Foi uma forma simpática de realçar o meu patriotismo, que agora só voltará a dar sinais quarta-feira.
A Portugal resta ganhar os jogos que faltam. Uma conclusão tão brilhante que poderia ter sido alcançada pelo Gabriel Alves. Frente à Rússia poderemos te o nosso jogo mais acessível, o que não quer dizer que o ganhemos. A Rússia perdeu bem com a Espanha, e apesar de ter alguns jogadores muito virtuosos, parece uma selecção bem menos consistente que os gregos em termos colectivos e defensivos. O nosso problema, e o que muita gente temia, mas não dizia, é que acreditamos pouco na capacidade da selecção para bater os espanhóis no Domingo seguinte. Afinal não foi com a Grécia o tal jogo mais importante, desconfio que vai ser com os espanhóis. Uma selecção que longe da perfeição, está recheada de bons elementos individuais e que ontem se mostrou bem mais solta e aguerrida que a selecção portuguesa. Vicente foi o melhor jogador deste primeiro dia, fazendo exactamente o que os nossos extremos nunca conseguiram fazer. Resta-nos partilhar o desgosto com o Abramovich, embora, imagino, curar as mágoas num iate deve ser bem mais agradável que a ver as marchas pela TVI.
Quando se percorriam as ruas nos minutos que precediam o início do jogo a euforia continua à solta. Ouvi foguetes, bandeiras de última hora a conquistarem o seu lugar na varanda; até um rapaz que enquanto conduzia o carro com a mão esquerda, acenava o cachecol com a direita. Isso era antes. Depois os gregos trocaram as voltas ao Scolari e aos jogadores, a equipa entrou a dormir e sofreu um golo. Demorou uma eternidade a reagir e quando o fez, em contra pé, sofreu outro. O resto foi muita parra e pouca uva. A equipa atacou, com o Deco começou finalmente a jogar, mas desperdiçou as poucas situações que criou contra uma equipa extremamente organizada.
Presumo que depois se tenha sentido, um pouco por todo o lado, a ambiguidade de das emoções. Ora resvalavam para a imperícia nacional, ora para a insistência no apoio. Na verdade não sei quantas bandeiras caíram das varandas, mas a julgar pelos poucos comentários que ouvi aos especialistas, a tendência foi quase sempre a de desancar. Tanto que até fiquei desaustinado. Contra a minha convicção, e sentado tranquilamente a ler uma revista, oiço ao meu lado confirmarem ao telefone que sim, que a nós (homens) custa sempre muito mais. Eu que até tinha aceitado o resultado com bastante tranquilidade, fui rapidamente promovido a doente sofredor e de repente vi como Rui Santos e companhia tinham razão e foi tudo uma hecatombe. Foi uma forma simpática de realçar o meu patriotismo, que agora só voltará a dar sinais quarta-feira.
A Portugal resta ganhar os jogos que faltam. Uma conclusão tão brilhante que poderia ter sido alcançada pelo Gabriel Alves. Frente à Rússia poderemos te o nosso jogo mais acessível, o que não quer dizer que o ganhemos. A Rússia perdeu bem com a Espanha, e apesar de ter alguns jogadores muito virtuosos, parece uma selecção bem menos consistente que os gregos em termos colectivos e defensivos. O nosso problema, e o que muita gente temia, mas não dizia, é que acreditamos pouco na capacidade da selecção para bater os espanhóis no Domingo seguinte. Afinal não foi com a Grécia o tal jogo mais importante, desconfio que vai ser com os espanhóis. Uma selecção que longe da perfeição, está recheada de bons elementos individuais e que ontem se mostrou bem mais solta e aguerrida que a selecção portuguesa. Vicente foi o melhor jogador deste primeiro dia, fazendo exactamente o que os nossos extremos nunca conseguiram fazer. Resta-nos partilhar o desgosto com o Abramovich, embora, imagino, curar as mágoas num iate deve ser bem mais agradável que a ver as marchas pela TVI.
K. 11:02
Sexta-feira, Junho 11, 2004
OS DIAS DO EURO # 0: "Um país suspenso nas varandas" Amanhã Portugal abre as hostilidades contra a Grécia. Hoje, são ainda as bandeiras que entopem varanda sim, varanda não. Hoje são ainda os aviões que chegam com russos, os iates do Abramovich (não sei se é assim que se escreve, mas também não vou ver); são os ingleses que eu vejo a encher uma esplanada do Rato à hora de jantar. Amanhã será diferente, ou não. A selecção já terá jogado com a Grécia e as bandeiras ainda estarão hasteadas, mas os olhares que lhes são dedicados serão mais exuberantes ou semi-envergonhados, conforme Portugal confirme ou não a euforia (quase) ilimitada que as gentes partilham. Até à minha mãe, uma pessimista de sempre, nestas coisas da selecção, eu ouvi hoje frases de ilimitada confiança. Não sei se será de me alegrar com esta capacidade de nos mobilizarmos, mas num país em que tudo acontece, ganhar o Euro não seria provavelmente a mais inesperada. Depois da crise, da Casa Pia, do Apito Dourado, de corpos que caiem do céu em plena Charneca da Caparica, e dos OVNIS recentemente avistados, de facto só falta que no Domingo a abstenção seja de 10 %.
Quantos aos rapazitos. Pois bem, o Scolari lá deve saber. Os vinte três são os que ele entendeu e já lá vai o tempo de discutir as escolhas, por muito que o Baía merecesse estar neste Europeu, mais do que merecia estar no último Mundial. Quanto ao onze para amanhã é exactamente o que estava à espera, conforme o G.B. poderá atestar. A inclusão do Maniche pareceu-me desde da divulgação da convocatória, a surpresa mais previsível numa equipa que se adivinhava mais ou menos escolhida. Claro que o Ricardo Carvalho ou o Deco deviam jogar, mas isso, como se costuma dizer, são coisas do futebol. Esperemos que o Scolari esteja certo e que o Jorge Andrade e o Rui Costa nos façam esquecer que os outros existem. A Grécia parece que só joga à defesa, o que não sei se será bom ou mau. Amanhã veremos, o que equivale a evocar alguém que um dia disse que “prognósticos só no fim”.
Quantos aos outros. Lamento aqui anunciar que Portugal não é o meu grande favorito. Os meus dons para o oculto já não são o que eram e nestas competições, cada vez mais, é imprevisível lançar candidatos, pela simples razão de ser impossível perceber como os jogadores estão após as épocas desgastantes que acabaram de disputar. Ainda assim, a minha aposta pouco original vai para a França. Se o conjunto estiver coeso, tem aquele que para mim fez a melhor época no continente europeu: Thierry Henry. E se ele chegar em boas condições ao torneio, tem tudo para ser a estrela maior da competição. Veremos a partir de amanhã.
P.S. Para já começa mal porque o comentador político Carlos Magno não vai amanhã ao Dragão porque continua sem aceitar que o seleccionador não tenha atendido a sua indicação e convocado o Baía, nem se pode sentar perto do Sr. Rui Rio, que para sua grande indignação não anda sempre aos saltos atrás do FCP e tem outro entendimento do que é a função de um presidente de câmara.
Quantos aos rapazitos. Pois bem, o Scolari lá deve saber. Os vinte três são os que ele entendeu e já lá vai o tempo de discutir as escolhas, por muito que o Baía merecesse estar neste Europeu, mais do que merecia estar no último Mundial. Quanto ao onze para amanhã é exactamente o que estava à espera, conforme o G.B. poderá atestar. A inclusão do Maniche pareceu-me desde da divulgação da convocatória, a surpresa mais previsível numa equipa que se adivinhava mais ou menos escolhida. Claro que o Ricardo Carvalho ou o Deco deviam jogar, mas isso, como se costuma dizer, são coisas do futebol. Esperemos que o Scolari esteja certo e que o Jorge Andrade e o Rui Costa nos façam esquecer que os outros existem. A Grécia parece que só joga à defesa, o que não sei se será bom ou mau. Amanhã veremos, o que equivale a evocar alguém que um dia disse que “prognósticos só no fim”.
Quantos aos outros. Lamento aqui anunciar que Portugal não é o meu grande favorito. Os meus dons para o oculto já não são o que eram e nestas competições, cada vez mais, é imprevisível lançar candidatos, pela simples razão de ser impossível perceber como os jogadores estão após as épocas desgastantes que acabaram de disputar. Ainda assim, a minha aposta pouco original vai para a França. Se o conjunto estiver coeso, tem aquele que para mim fez a melhor época no continente europeu: Thierry Henry. E se ele chegar em boas condições ao torneio, tem tudo para ser a estrela maior da competição. Veremos a partir de amanhã.
P.S. Para já começa mal porque o comentador político Carlos Magno não vai amanhã ao Dragão porque continua sem aceitar que o seleccionador não tenha atendido a sua indicação e convocado o Baía, nem se pode sentar perto do Sr. Rui Rio, que para sua grande indignação não anda sempre aos saltos atrás do FCP e tem outro entendimento do que é a função de um presidente de câmara.
K. 23:58
Quinta-feira, Junho 10, 2004
VALHA-NOS O EURO: Valha a verdade. A Cartilha anda um bocadinho mortiça. Os posts por e-mail não são opção, pelo menos por agora. Queríamos fazer coisas, mas o meu bom amigo G.B. continua indecentemente explorado pelo patronato, pelo que não tem podido chegar-se à frente com a contribuição que a Cartilha necessita. Eu tenho empregue todo o meu tempo a dissecar as profundas mensagens que os nossos candidatos ao parlamento europeu têm transmitido e fui escolhido para o júri que vai decidir qual foi a lista mais ofendida durante a campanha. Não sobra muito tempo. Queremos, no entanto, fazer um esforço suplementar pelo sucesso do Euro. Assim, a partir de amanhã, diariamente (pelo menos em dias de jogo) as impressões sobre a competição que vai tornar Portugal, finalmente, num país a sério.
K. 23:05
VIDA: No dia de Portugal, da raça e dessas coisas todas (é provavelmente o feriado com o nome mais comprido do mundo), a Cartilha regressa. Entre um feriado soalheiro, as bandeiras da nação, o recalcado sabor da injustiça, e as excitações e receios de uma nova fase da vida, ela continua ainda assim. A noite caiu e em breve a euforia crescerá. Como é curta a distância entre sensações, como é instável a emoção. Ás vezes tenho a mania que não sou dado a grandes picos emocionais, mas na realidade as coisas ainda balançam muito. Entre o estado de ansiedade que deu nas janelas de Portugal e as minudências da vida de cada dia revolve um mar de dúvidas, e vive uma pessoa.
K. 23:05
Terça-feira, Junho 08, 2004
APAIXONADAMENTE EM CAMPANHA: Confesso que, durante muito tempo, pensei que os politicos portugueses não fossem de carne e osso. Que não tivessem sangue a correr-lhes nas veias. Enganei-me! Os candidatos ao Parlamento Europeu têm mostrado que são homens e mulheres do povo. Detentores duma perspicácia invulgar, insultam-se alegremente em plena campanha. Provam de forma cabal que não são uns snobs com manias aburguesadas, mas sim sujeitos capazes de compreender pobres e incultos. Capazes de se colocar ao nível de todas as classes sociais, incluíndo as mais reles. Desde já agradeço a inspiração e garanto que, se fosse às urnas, tentaria transformar o meu boletim de voto, num exemplo cabal dos ensinamentos recebidos. Vejam se vos parece bem: "Voto PSD/PP porque sim, foda-se!!!"... Ou "CDU é que é, os outros são uns fachos de merda!!!"... Ou então... Bem não vale a pena continuar...
GB 16:21
